Marketing
Mercado de US$ 30 bilhões: Kayou quer transformar cartas colecionáveis em acessórios
Empresa chinesa usa licenças de franquias como Naruto e Guerreiras do K-Pop para ampliar a coleção de cartas além do tradicional
O mercado de cartas colecionáveis movimenta mais de US$ 30 bilhões e reúne franquias que vão de Pokémon a Magic: The Gathering. É nesse setor que a chinesa Kayou busca ampliar sua presença nos Estados Unidos.
A empresa aposta em produtos que permitem levar as cartas para fora de pastas, vitrines e estojos. A estratégia inclui acessórios inspirados em franquias conhecidas, como “Naruto”, “Tokidoki” e “Guerreiras do K-Pop”.
Entre os produtos estão estojos de acrílico, miniálbuns que podem ser usados como pingentes e chaveiros destinados ao transporte e à exposição das cartas. A proposta foi apresentada durante a San Diego Comic-Con 2026, evento voltado à cultura pop e ao mercado de colecionáveis.
Por que as cartas colecionáveis viraram acessórios?
Para a Kayou, o crescimento do interesse pelas cartas abre espaço para produtos que não se limitam à conservação dos itens. A empresa trabalha com a ideia de que os colecionadores também podem carregar e exibir suas cartas no cotidiano.
“As cartas colecionáveis não deveriam se limitar apenas ao colecionismo. Trata-se também de exibi-los, compartilhá-los e mostrar seu hobby”, disse Jessica Shen, gerente sênior de marketing da empresa, à Bloomberg Línea
Durante a Comic-Con, a companhia apresentou coleções associadas a diferentes propriedades de entretenimento.
A ação também envolveu uma parceria com uma empresa especializada na certificação de cartas.
Os preços apresentados pela Kayou no evento variavam de US$ 4,99, para um envelope, a US$ 129, para caixas de edição comemorativa.
Como o mercado de cartas colecionáveis cresceu?
Franquias como “Pokémon” e “Magic: The Gathering” ajudaram a consolidar as cartas como produtos de coleção e entretenimento. As coleções variam entre cartas mais baratas e cartas que chegam até US$ 42 mil, no caso da franquia da Nintendo.
Uma carta de Magic em condição considerada perfeita foi colocada à venda por US$ 172 mil. No primeiro semestre de 2026, a Heritage Auctions, especialista em leilão de itens colecionáveis de alto valor, registrou US$ 1,4 bilhão em vendas de itens colecionáveis.
Entre as negociações esteve uma carta Pikachu Illustrator certificada, vendida por US$ 1,4 milhão. Um conjunto completo da primeira edição de Pokémon alcançou US$ 1,2 milhão.
Os valores indicam a existência de diferentes segmentos dentro do mercado. Há consumidores interessados em franquias e produtos licenciados, enquanto determinados itens são negociados como peças de coleção.
O que a Kayou pretende fazer nos Estados Unidos?
A expansão para os Estados Unidos é acompanhada pela estratégia de utilizar personagens e franquias reconhecidas para desenvolver novos produtos. Entre as propriedades apresentadas pela empresa, as “Guerreiras do K-Pop”, da Netflix, fazem um sucesso extremo devido à alta popularidade do filme em 2025, que se estende em 2026.
A companhia também busca alcançar consumidores de diferentes faixas etárias, incluindo adultos que cresceram acompanhando algumas dessas franquias.
“As cartas não deveriam ficar em casa, guardadas em uma pasta. Quanto mais elas se popularizam, mais motivos há para levá-los com você e exibi-los”, afirmou Shen.
A Kayou foi fundada na China e atua no setor chamado de pan-entertainment, que reúne produtos, conteúdo e experiências relacionados ao entretenimento. A entrada no mercado norte-americano ocorre em um momento de expansão de produtos ligados à cultura pop e à alta demanda de colecionadores.

O mercado de cartas colecionáveis em expansão.
O movimento da Kayou ocorre em paralelo a outras iniciativas que aproximam cartas e produtos de entretenimento do consumo cotidiano.
Em março de 2026, o McDonald’s anunciou uma parceria com a Netflix baseada em Guerreiras do K-Pop, com refeições inspiradas nas HUNTR/X e nos Saja Boys. O menu completo da rede chegou ao Brasil no início de agosto e já causou comoção com diversos pacotes e cartas com raridades diferentes.
Os produtos vieram acompanhados de pacotes com cards colecionáveis exclusivos dos dois grupos, além de um cartão de acesso da personagem Derpy, que permitia desbloquear conteúdo relacionado à campanha. É possível adquirir os photocards separadamente.
A expansão online
As cartas colecionáveis não são apenas físicas: existem diversos exemplos de jogos online de trading card game (TCG) que funcionam num esquema parecido, ou seja, o foco não está em jogabilidade, apenas, mas em colecionar.
“Pokémon TCG Pocket”, lançado no final de 2024, conta com uma versão simplificada do jogo de mão, mas com um sistema de coleções inspiradas no físico: cartas raras, brilhantes, imersivas e que conquistam seu próprio nicho. Até o momento, conta com mais de 150 milhões de downloads, segundo informações da produtora do game, a Dena.
Outras franquias, como “Yu-Gi-Oh!”, também contam com a versão online do jogo de cartas. O “Duel Links” tem pouco mais de 80 milhões de downloads, segundo a Konami.
Outro ponto que vale destacar são os diversos e-commerces para comprar determinadas cartas. Além de feiras físicas em shoppings e vendas em marketplaces, como Shopee e Mercado Livre, alguns sites hospedam oportunidades para diversos colecionadores.
Por exemplo, o site Liga Digimon hospeda oportunidades para diversos vendedores lucrarem com cartas que vão de 1 real até valores que ultrapassam 1 mil reais com foco nas expansões da franquia de “monstros digitais”.
Todo mundo quer uma fatia das cartas colecionáveis.
As cartas colecionáveis se tornaram itens de luxo, com uma busca que pode superar os milhões para completar uma única expansão. Não são apenas franquias orientais que buscam essa popularidade: o famoso MOBA “League of Legends” recebeu o “Rift Unbound”, o jogo de cartas físicas oficial da Riot Games.
A Disney também olhou para esse mercado: o “Lorcana”, jogo com personagens clássicos e novos da gigante das animações, é encontrado em decks que chegam a mais de 2 mil reais em alguns marketplaces.
*Com informações de Bloomberg Línea
Imagens: McDonalds e Kayou
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