Operação
Recuperação extrajudicial da Havanna envolve dívida de R$ 127,7 milhões
Processo reúne seis empresas do grupo controlado por Marcos Rothenberg, cujo negócio principal é a perfumaria; rede de cafeterias afirma que crise não afeta sua operação
A Havanna, rede de cafeterias do doce de leite argentino, está em recuperação extrajudicial no Brasil junto com outras cinco empresas controladas pelo empresário Marcos Rothenberg. O processo renegocia dívidas de R$ 127,7 milhões e corre na 1ª Vara Regional de Competência Empresarial de São Paulo.
O grupo de Rothenberg tem como negócio principal o setor de perfumes e cosméticos, não o de cafeterias. Quatro das seis empresas incluídas no processo atuam em perfumaria: Aeger, Casma do Brasil, Delfos e Fly Shopping, que operam sob a marca de lojas multimarcas Fragrance. As outras duas respondem pela Havanna: a Café Del Plata, que opera as lojas, e a DGA Doces Del Plata, que administra as franquias.
As seis empresas entraram juntas no processo porque são avalistas umas das outras em dívidas com Banco do Brasil, Banco Pine e Banco Sofisa.
Em nota, a Havanna afirma que a recuperação decorre de obrigações contraídas por outras empresas do grupo acionista, “sem relação com questões operacionais ou financeiras da Havanna”, e que o processo busca evitar que essas obrigações afetem fornecedores, franqueados e parceiros da rede.
Concentração em shoppings é apontada como causa da crise da Havanna
A petição do grupo aponta a concentração em shopping centers, formato que reúne mais de 90% dos pontos de venda das duas frentes de negócio, como uma das causas da crise. As dívidas foram contraídas em 2020 e 2021, quando a Selic estava abaixo de 3%, e ficaram mais caras quando a taxa básica de juros passou de 12% em 2023 e 2024.
Sobre a Havanna, a petição sustenta que a Café Del Plata não vive uma crise própria e entrou no processo por estar “interligada” ao grupo. O documento registra que havia uma ação de falência em curso contra a empresa, movida pela indústria de chocolates Top Cau, por notas fiscais em aberto que somam R$ 4,18 milhões.
A perfumaria do grupo Rothenberg também inclui a Água de Cheiro, rede mineira que ele assumiu em 2016 ao arrematar os ativos da marca em leilão. A Água de Cheiro não está entre as seis empresas do processo, mas franqueados da rede aparecem na lista de credores, e a Associação de Ex-Franqueados e Franqueados Havanna pediu a suspensão da venda de novas franquias das marcas Havanna e Água de Cheiro.
O maior credor do processo é o Explorer Fundo de Investimento, com R$ 45,8 milhões a receber, seguido pela EDEC Comércio de Perfumes e Cosméticos, com R$ 16 milhões, e o Multiplica Long Term, com R$ 12,1 milhões. A adesão ao plano ficou entre 59,4% e 65,4% dos créditos, acima do mínimo de 50% exigido em lei. Para os credores concursais, o plano prevê deságio de 95%, com pagamento de 5% do valor devido após 12 meses de carência, em dez parcelas anuais.
Enquanto negocia com os credores, o grupo mantém discurso de crescimento na frente da Havanna. A rede afirma ter aberto mais de 30 lojas no primeiro semestre de 2026 e somar mais de 250 unidades no país, com meta de chegar a mais de 700 pontos de venda até 2030. A operação brasileira faturou cerca de R$ 420 milhões em 2025 e projeta R$ 500 milhões neste ano.
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Com informações de Exame
Imagem: Divulgação