Economia

Reforma Tributária: o que muda na operação das empresas durante a transição

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A transição para o novo modelo da Reforma Tributária já exige adequações em sistemas, processos, contratos, formação de preços e mecanismos de controle. A implementação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) amplia a necessidade de integração entre informações fiscais, financeiras e operacionais.

O período de transição termina em 2033. Até lá, as empresas terão de administrar regras antigas e novas de forma simultânea, o que aumenta a complexidade operacional e exige mudanças na organização dos dados.

Para Roberto de Lázari, diretor da All Tax, a adaptação deve envolver tributação, tecnologia e negócio. “A reforma não muda apenas a legislação. Ela muda a forma como a empresa precisa operar. A informação tributária passa a ter impacto direto sobre preço, crédito, caixa, fornecedores e decisões de negócio. Por isso, a adaptação precisa envolver tecnologia e processos desde o início”, afirma.

Reforma Tributária só começa em 2033?

Um dos principais mitos é que a Reforma Tributária terá início apenas em 2033. Segundo a All Tax, a transição já começou e 2033 representa o fim desse processo, quando o novo sistema estará integralmente vigente.

Em 2026, IBS e CBS entram em implementação. Em 2027, PIS e Cofins serão extintos. Entre 2029 e 2032, ICMS e ISS serão reduzidos gradualmente, enquanto haverá aumento do IBS.

Na prática, diferentes regras passarão a coexistir ao longo da transição. Para as empresas, isso significa a necessidade de sistemas capazes de acompanhar alterações fiscais e manter informações integradas.

A Reforma Tributária é problema só do setor fiscal?

Outro ponto destacado pela All Tax é a ideia de que a mudança ficaria restrita ao departamento fiscal. Os efeitos alcançam diferentes áreas da operação, incluindo preços, créditos, fornecedores, planejamento financeiro, emissão de documentos fiscais, tecnologia, compras, vendas e compliance.

Em estruturas com diversos sistemas, os dados tributários podem estar distribuídos em diferentes ambientes. “Sem integração, aumenta o risco de divergências, retrabalho e perda de rastreabilidade”, explica o especialista.

A organização dessas informações passa a ser relevante para que os dados utilizados nos processos fiscais estejam disponíveis de forma consistente durante a transição.

A Reforma Tributária significa aumento de impostos?

A Reforma Tributária também é associada à ideia de aumento geral de impostos. De acordo com a explicação apresentada pela All Tax, a legislação prevê neutralidade da reforma. Isso significa que, na média, não deve haver aumento geral da carga tributária.

Esse cenário, porém, não significa que todas as empresas terão o mesmo impacto. Os efeitos podem variar conforme o setor, o modelo de negócio e a estrutura de cada companhia.

A mudança na tributação sobre o consumo busca evitar o acúmulo de créditos ao longo da cadeia. Assim, empresas com diferentes perfis de fornecedores e capacidade de apropriação de créditos podem experimentar efeitos econômicos distintos.

Prestadoras de serviços e empresas submetidas a regimes diferenciados também podem ter dinâmicas específicas durante a transição.

A DeRE é apenas mais uma obrigação acessória?

A Declaração de Regimes Específicos (DeRE) integra a estrutura de implementação do IBS e da CBS e envolve empresas de setores como serviços financeiros, planos de assistência à saúde e concursos de prognósticos, incluindo loterias e apostas, enquadradas em regimes específicos.

Segundo a All Tax, um dos desafios está na coleta e consolidação das informações necessárias para a declaração. Esses dados podem estar distribuídos entre sistemas, bases financeiras, documentos fiscais e controles internos.

O nível de detalhamento das informações exigidas pode tornar a organização das bases uma etapa relevante do processo, antes mesmo do preenchimento da declaração.

Tecnologia é detalhe na adaptação?

Para a All Tax, a tecnologia passa a ter papel estratégico na adaptação. A mudança altera a forma como as empresas calculam tributos, administram créditos e organizam informações.

Com o avanço da digitalização, qualidade dos dados e integração entre sistemas passam a influenciar processos relacionados a caixa, planejamento, compliance e decisões de negócio.

A automação tributária pode ser utilizada para conectar informações, aplicar regras de maneira consistente e reduzir atividades manuais. “A Reforma Tributária não é apenas uma mudança na forma de cobrar impostos. É também um teste para a maturidade tecnológica e operacional das empresas”, afirma o especialista.

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Imagem: Magnific

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