Operação
Tarifas ameaçam resultados da Gap, apesar de recuperação nas vendas

Pouco depois de lançar seu anúncio viral com o grupo Katseye vestindo jeans Gap, a Gap Inc. divulgou nesta quinta-feira (28) que as vendas líquidas do segundo trimestre ficaram estáveis em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando US$ 3,7 bilhões, com um crescimento de 1% nas vendas comparáveis (comps). As vendas em lojas físicas caíram 1%, enquanto o e-commerce (que representa cerca de um terço da receita) cresceu 3%.
A Old Navy teve aumento de 1% nas vendas líquidas, chegando a US$ 2,2 bilhões, com comps subindo 2%. A marca Gap subiu 1%, com receita de US$ 772 milhões e comps de 4%. Já a Banana Republic caiu 1%, para US$ 475 milhões, embora os comps também tenham crescido 4%. A Athleta, por sua vez, apresentou queda de 11% nas vendas, com US$ 300 milhões e recuo de 9% nos comps.
A margem bruta encolheu 140 pontos-base, atingindo 41,2%, enquanto a margem de mercadorias caiu 150 pontos-base. O lucro líquido subiu quase 5%, chegando a US$ 216 milhões. Os estoques cresceram 9%, principalmente devido ao aumento das tarifas e ao esforço de antecipar importações antes da elevação dessas taxas.
Richard Dickson, que assumiu como CEO em agosto de 2023, quando a Gap Inc. enfrentava dificuldades, destacou os avanços da empresa em uma teleconferência com analistas nesta quinta-feira.
“Ainda temos muito trabalho a fazer, porque transformações dessa magnitude levam tempo. No entanto, é evidente que estamos operando agora a partir de uma posição de força — algo essencial neste ambiente cada vez mais dinâmico e complexo”, afirmou. “Nossas prioridades estratégicas definem a estrutura que nos permitiu manter a performance enquanto passamos por essa transformação nos últimos dois anos, com disciplina financeira e operacional.”
Segundo Dickson, isso se tornou parte fundamental da operação da companhia e se refletiu neste segundo trimestre, com uma expansão de 360 pontos-base na margem bruta em comparação com dois anos atrás, alcançando 41,2%.
O CEO também ressaltou o retorno da relevância cultural da marca Gap, que já havia perdido esse status antes de sua chegada.
“A marca Gap está ganhando força, reconquistando seu lugar nas conversas culturais com credibilidade”, declarou. “Vemos um caminho claro à frente para essa marca e estamos confiantes em nossa capacidade de consolidar essa posição de força e impulsionar um crescimento sustentável ao longo do tempo.”
A Gap Inc. gerou grande repercussão cerca de uma semana atrás com sua campanha “Better in Denim”, na qual o grupo Katseye aparece dançando ao som de “Milkshake”, usando peças de jeans inspiradas nos anos 2000. O impacto foi ampliado pela controvérsia em torno de um anúncio anterior da American Eagle com a atriz Sydney Sweeney, além de coreografias que viralizaram no TikTok.
“A Gap está surfando uma onda de relevância cultural renovada, impulsionada pela marca principal, com suporte consistente da Old Navy e uma melhora significativa nos comps da Banana Republic”, comentou por e-mail a principal analista da Emarketer, Sky Canaves.
Canaves concorda que “Dickson cumpriu a promessa de revitalizar a marca Gap”, mas pondera que “ainda é cedo para saber se ele conseguirá fazer o mesmo com a Athleta, cuja performance continua em queda”.
Este ano já era visto como um período de reestruturação para a marca esportiva, mas os avanços foram limitados. Dickson expressou frustração com o desempenho da Athleta no segundo trimestre.
Maggie Gauger, executiva veterana da Nike, assumiu o comando da Athleta este mês, substituindo Chris Blakeslee. “Ela nos ajudará a estabilizar a marca e, no fim das contas, colocá-la em um caminho de crescimento”, afirmou Dickson.
Apesar do otimismo, analistas alertam que tarifas de importação e seus impactos podem ofuscar o novo momento da Gap Inc.
“Os efeitos das tarifas e o aumento dos estoques vão pressionar as margens e obscurecer as perspectivas para o restante do ano”, disse Canaves.
Isso compromete parte do avanço conquistado pela Gap Inc. nos últimos dois anos, segundo Neil Saunders, diretor-geral da GlobalData.
“O ponto negativo deste trimestre foram as tarifas, que impactarão as margens daqui para frente. É uma pena, pois isso compromete parte do progresso financeiro obtido pela empresa”, avaliou. “Contudo, como se trata de algo em grande parte fora do controle da gestão, não vemos isso como uma falha. A boa notícia é que a trajetória de vendas segue positiva, e a Gap deve continuar crescendo no restante do ano.”
Imagem: Divulgação
Informações: Daphne Howland para Retail Dive
Tradução livre: Central do Varejo