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Economia

CPI da Americanas: ex-CEO e empresa trocam acusações sobre fraude

Versão inicial do relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito foi lida na última terça-feira

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Fachada das lojas Americanas

Na última terça-feira, 5, o relator da Comissão Parlamentar de Inquérito, ou CPI da Americanas apresentou relatório inicial sobre a empresa. O documento não aponta culpados para a fraude que ocorreu na companhia, e diz que as investigações continuam. Durante a mesma sessão, o ex-CEO Miguel Gutierrez, um dos acusados de conduzir as fraudes financeiras, afirmou, por meio de uma carta, que tudo que era feito era de conhecimento de acionistas e do atual CEO da empresa, e que está sendo usado como bode expiatório. Em resposta, a Americanas diz que as acusações são infundadas e as refuta ‘veementemente’.

Na carta entregue pelo advogado de Gutierrez e divulgada pelo jornal Valor Econômico, o ex-CEO afirma que Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, três principais acionistas da empresa, sabiam das fraudes, e que, portanto, o que foi informado na CPI sobre o desconhecimento dos três era mentira. Além disso, o ex-CEO ainda acusa seu sucessor, Sérgio Rial, de não ter descoberto a fraude nos 9 dias em que assumiu o cargo, antes de pedir demissão. Gutierrez ainda afirma que nunca recebeu nenhum alerta sobre a situação contábil irregular na empresa, e que só sabia de um suposto problema financeiro, sobre o qual não teria influência.

Fachada das lojas Americanas

Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Por outro lado, a Americanas diz não reconhecer as falas de Gutierrez como verdadeiras, que elas não são acompanhadas de provas, e que não são capazes de inocentá-lo. Além disso, a empresa acusa o ex-CEO de fraudar relatórios e demonstrações financeiras.

Em relação ao relatório inicial da CPI, o documento não aponta culpados, diz que investigações ainda estão em curso e que não há provas suficientes para incriminar alguém. O relator Carlos Chiodini disse que o trabalho de investigação fica para o Ministério Público Federal e para a Polícia Federal. Críticos ao relatório dizem que, em uma CPI de R$ 20 bilhões e de interesse público, não tem sentido os resultados serem inconclusivos. Além disso, projetos de lei foram apresentados, para evitar que fraudes como a da Americanas ocorram de novo no varejo brasileiro.

Histórico da CPI da Americanas

Em janeiro deste ano, a gigante do varejo brasileiro Americanas entrou com um pedido de recuperação judicial, afirmando ter uma dívida de R$ 40 bilhões. Durante o processo, descobriu-se o que a empresa chamava de “inconsistências contábeis”, e depois admitiu serem fraudes cometidas na contabilidade da empresa. Em junho, a companhia divulgou um relatório em que detalhava as fraudes, que somam um valor de mais de R$ 23 bilhões. Segundo a empresa, os lucros foram inflados para inflar os resultados e permitir pagar acionistas, recolher mais impostos e ter mais financiamento. A CPI foi instalada em maio para investigar essas inconformidades, e teve seus primeiros resultados no início de setembro.