Comportamento
Empreendedorismo Feminino: saiba perfil das mulheres MEI
O Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino é celebrado nesta nesta terça-feira (19) e, no Brasil, a data tem se tornado cada vez mais significativa. Atualmente, o País possui aproximadamente 16 milhões de microempreendedores individuais (MEI), com as mulheres representando quase metade destes negócios.
Porém, 44,5% das mulheres que comandam negócios não estão no mercado formal, segundo uma pesquisa do Instituto Mulher Empreendedora. Entre essas empreendedoras, 28,6% pretende se formalizar, enquanto 15,9% não tem pretensões. A maioria destas, não vê relevância em adquirir um CNPJ.
De acordo com um levantamento feito pela MaisMei, 43,7% dos microempreendedores individuais se identificam com o gênero feminino, enquanto os homens respondem por 54,7% (1,6% dos entrevistados optaram por não informar). A pesquisa, intitulada “O Corre do MEI em 2024”, também traçou o perfil médio dessas microempreendedoras: a maioria delas são negras, com idade entre 35 e 44 anos e ensino médio completo.
Quanto às áreas preferidas as mulheres, o setor de comércio e vendas é o que possui maior presença feminina, com 27,8% das empreendedoras atuando nesse segmento. A faixa de faturamento mensal mais expressiva é de “até 4 mil reais”, sendo que 23,2% faturam menos que 2 mil reais, e 26,6% entre 2 mil e 4 mil reais.
No recorte de raça, 53,9% das empreendedoras se identificam como negras (11,8% pretas e 42,1% pardas) e 43,3% como brancas. Com uma base educacional sólida — 37,6% com ensino médio e 20,9% com ensino superior — e prevalência na faixa etária dos 35 a 44 anos (31,7%).
“Quando pensamos em independência financeira, não é novidade que a desigualdade em relação ao gênero ainda é um problema longe de ser resolvido, e mais ainda quando incluímos o recorte racial. Portanto, a formalização dessas empreendedoras como MEI se torna crucial para garantir a sustentabilidade dessas atividades e os benefícios previdenciários importantes como aposentadoria e salário-maternidade”, avalia a head de Contabilidade da MaisMei, Kályta Caetano.
Por região, a força feminina se encontra mais no Sudeste (34%), seguido pelo Sul (20,8%) e pelo Nordeste (19,9%).
O levantamento também apontou os principais motivos do empreendedorismo feminino. Segundo a pesquisa, as mulheres MEI são impulsionadas principalmente pela “vontade de ter seu próprio negócio” (26,11%), refletindo o desejo de autonomia. A “formalização” (18,99%) surge também como um passo essencial para legitimar suas atividades no mercado, enquanto o aumento da renda (10,65%) evidencia a busca por melhores condições financeiras. A “flexibilidade de horários” (7,70%) e os “benefícios fiscais e INSS” (7,15%) ressaltam a busca por segurança financeira. Outros 29,39% responderam ter “outros motivos”, sem especificar.
Ainda segundo a MaisMei, 39,5% das empreendedoras dedicam menos de 20 horas semanais ao negócio, o que pode indicar uma sobrecarga importante da dupla jornada de trabalho feminina.
“Esses achados reforçam a necessidade de políticas públicas e iniciativas de suporte mais direcionadas, que não apenas reconheçam a contribuição dessas mulheres à economia, mas também trabalhem para diminuir as barreiras que enfrentam”, ressalta Caetano.