Economia
Consumo das famílias tem o pior ano desde o início da pandemia
Segundo estudo da IPC Maps, famílias gastarão R$6,7 trilhões ao longo deste ano, aumento real de 1,5% em relação a 2022

De acordo com dados e estimativas de economistas, o consumo das famílias no Brasil está mais fraco este ano em comparação com 2022, e espera-se que continue com uma reação limitada até o final de 2023. A pesquisa IPC Maps prevê que as famílias gastarão cerca de R$6,7 trilhões ao longo deste ano, um aumento real de 1,5% em relação a 2022. Se essa previsão se confirmar, será a pior variação do consumo das famílias desde o início da pandemia em 2020, quando houve uma queda de 4,6%, e representará apenas cerca de um terço do crescimento observado no ano passado, quando o consumo das famílias aumentou 4,3% dentro do PIB.
Essa estimativa está em linha com as análises de especialistas da Ativa Corretora, do Banco BV e da Fundação Getulio Vargas (FGV) entrevistados pelo Valor. Esses economistas projetam um crescimento do consumo das famílias dentro do PIB de menos de 2% até o final de 2023. Marcos Pazzini, sócio da IPC Marketing, comentou que o contexto macroeconômico em 2023 não é favorável ao consumo, devido à inflação persistente e ao crédito mais caro e restrito.
Pazzini ressaltou que os sinais até agora indicam que o ritmo de consumo é muito diferente dos anos anteriores, quando houve uma recuperação do mercado interno após a crise causada pela pandemia. Ele destacou que a proporção do consumo das famílias dentro do PIB diminuiu de 62,89% em 2020 para 60,97% em 2021, a menor parcela desde 2011. No entanto, essa fatia aumentou para 63,07% no ano passado.
Os especialistas apontam vários fatores que contribuem para o enfraquecimento do consumo das famílias. O primeiro e mais relevante é a inflação, que reduz o poder de compra das pessoas, mesmo com o reajuste salarial. Além disso, há restrições de crédito e as famílias estão com menos poupança, uma vez que a utilizaram durante os momentos mais difíceis da crise da Covid-19.
Para os economistas, é cedo para afirmar uma piora mais acentuada, mas indicam que os dados recentes refletem um ímpeto fraco de consumo. A melhora mais significativa no consumo só é esperada a médio e longo prazos. Mesmo que o Banco Central reduza a taxa básica de juros (Selic), isso levará tempo para ter impacto na economia. Além disso, o alto nível de endividamento das famílias limita o espaço no orçamento para novas compras. As projeções da FGV antes da divulgação do PIB do primeiro trimestre indicam um crescimento econômico de 0,8% em 2023, com um aumento de 0,5% no consumo das famílias.
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