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Varejo alimentar: panorama atual, tendências e transformações

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O varejo alimentar compreende os formatos de venda ao consumidor final focados em alimentos e bebidas, incluindo supermercados, hipermercados, atacarejos, lojas de vizinhança, conveniência e operações que combinam loja física, canais digitais e serviços de entrega. No Brasil, o setor tem papel central na dinâmica do consumo, na geração de empregos e na distribuição de produtos essenciais.

Panorama do varejo alimentar no Brasil

O setor supermercadista brasileiro encerrou 2024 com faturamento de R$ 1,067 trilhão, segundo dados do Ranking ABRAS 2025, divulgado pela Associação Brasileira de Supermercados. O número de lojas ativas ultrapassou 424 mil unidades, com participação estimada de 9,1% no Produto Interno Bruto (PIB).

O desempenho recente do varejo alimentar ocorre em um contexto de pressão sobre o orçamento das famílias. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou 2025 com alta acumulada de 4,26%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A inflação de alimentos seguiu como um dos fatores que influenciaram decisões de compra, estimulando a busca por formatos de preço competitivo e maior planejamento do consumo.

Ao mesmo tempo, pesquisas de comportamento indicam aumento das refeições realizadas no domicílio, com reorganização do carrinho de compras, maior atenção ao tamanho das embalagens e à relação entre preço e rendimento dos produtos.

Tendências do varejo alimentar para 2026

Consolidação do atacarejo e foco em preço

O atacarejo segue como um dos formatos centrais do varejo alimentar brasileiro. O modelo mantém crescimento associado à busca por economia, tanto por famílias quanto por pequenos comerciantes. Para 2026, a tendência é de continuidade da expansão, acompanhada por ajustes no sortimento, maior presença de marcas próprias e ampliação de lojas em regiões urbanas de alta densidade.

Avanço das marcas próprias

As marcas próprias ganham espaço como estratégia recorrente no varejo alimentar. O movimento envolve ampliação de portfólio, segmentação por faixas de preço e maior controle sobre margens e abastecimento. Para o consumidor, a categoria aparece como alternativa em cenários de restrição orçamentária; para o varejista, como instrumento de fidelização e diferenciação.

Crescimento do e-commerce alimentar e do modelo omnichannel

O comércio eletrônico de alimentos e bebidas segue em expansão no Brasil, impulsionado por compras recorrentes, conveniência e integração com aplicativos próprios dos varejistas. O modelo omnichannel, que permite alternar entre compra online, retirada em loja e entrega em domicílio, tende a se consolidar em 2026 como parte da operação padrão das grandes redes e, de forma gradual, de operadores regionais.

Pagamentos digitais e automação do checkout

Os pagamentos instantâneos, com destaque para o Pix, estão incorporados ao fluxo do varejo alimentar, inclusive em caixas de autoatendimento. A expectativa para 2026 é de maior integração entre meios de pagamento, programas de fidelidade e aplicativos de compra, com foco em agilidade e conciliação financeira em ambientes de alto volume de transações.

Governança de dados e padronização de produtos

A padronização de cadastros, códigos de produtos e informações fiscais ganha relevância com a ampliação das exigências de validação de dados, como o uso correto do GTIN em documentos fiscais. Para o varejo alimentar, o tema impacta diretamente operações de loja, e-commerce, rastreabilidade, gestão de estoques e relacionamento com fornecedores.

Uso de inteligência artificial na operação

O uso de inteligência artificial avança de forma prática no varejo alimentar, especialmente em previsão de demanda, reposição automática, redução de perdas em perecíveis e personalização de ofertas digitais. Em 2026, a tendência é de adoção incremental, concentrada em áreas com maior volume de dados e impacto direto na eficiência operacional.

Expansão do retail media

O retail media aparece como uma frente adicional de receita para redes de varejo alimentar. A venda de espaços digitais em aplicativos, sites, telas em loja e materiais promocionais passa a integrar estratégias de trade marketing e relacionamento com a indústria, com foco em mensuração de resultados e governança de dados.

Leia também: O que é “retail media” e por que varejistas precisam entender essa tendência

Próximos passos do varejo alimentar em 2026

Para 2026, o varejo alimentar enfrenta uma agenda operacional centrada em eficiência, controle de custos e integração de canais. Entre os principais movimentos esperados estão:

  • Revisão de estratégias de preço e promoção, com base em dados de elasticidade e comportamento do consumidor
  • Estruturação das marcas próprias como eixo permanente de gestão de categorias
  • Ajustes operacionais no e-commerce alimentar para garantir viabilidade econômica
  • Fortalecimento da governança de dados de produtos, fornecedores e clientes
  • Adoção gradual de soluções de inteligência artificial voltadas à operação e à experiência de compra
  • Consolidação da mídia no varejo como parte do relacionamento com a indústria

O cenário de 2026 indica um varejo alimentar orientado por dados, com foco em escala, eficiência operacional e adaptação ao comportamento de consumo. O setor segue como um dos principais termômetros da economia brasileira, refletindo mudanças de renda, hábitos e tecnologia no dia a dia do consumidor.

Imagem: Envato

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