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Vendas da Tesla despencam 13% no primeiro trimestre

As vendas da Tesla caíram 13% nos três primeiros meses deste ano, marcando a maior queda trimestral de entregas da história da empresa, em meio a uma onda de críticas contra o CEO Elon Musk e ao crescimento da concorrência no mercado de veículos elétricos, que afetou fortemente a demanda pelos carros da montadora.
A Tesla informou que entregou 336.681 veículos no trimestre, contra 386.810 no mesmo período do ano passado. Os dados, divulgados nesta quarta-feira, representam o pior desempenho de vendas da empresa em quase três anos, com uma queda de 50 mil unidades em relação ao ano anterior.
A empresa também tem enfrentado protestos em frente às suas lojas, liderados por opositores das ações de Musk em outro de seus papéis — como chefe do Departamento de Eficiência Governamental — e das políticas do presidente Donald Trump.
Houve ainda casos de vandalismo contra instalações da Tesla, incluindo estações de carregamento e alguns veículos. Todos esses episódios podem ter desmotivado possíveis compradores a concluírem suas compras.
A Tesla não mencionou os protestos em seu comunicado sobre as vendas. No entanto, atribuiu parte da queda a uma transição do modelo Model Y, que levou à paralisação temporária da produção nas quatro fábricas da empresa durante várias semanas do trimestre.
“Agradecemos a todos os nossos clientes, colaboradores, fornecedores, acionistas e apoiadores que nos ajudaram a alcançar esses resultados,” disse a empresa em comunicado.
A queda nas vendas foi pior do que o previsto por analistas, que esperavam números trimestrais em torno de 350 mil unidades.
A Tesla não divulga suas vendas por país ou região. Mas, segundo a Associação Europeia dos Fabricantes de Automóveis, as vendas da Tesla caíram 49% na Europa apenas nos dois primeiros meses do trimestre, mesmo com o crescimento de 28% nas vendas de EVs no continente. Isso pode estar ligado à rejeição crescente a Musk na Europa, especialmente devido ao seu apoio público a partidos de extrema-direita na Alemanha e no Reino Unido.
Mesmo sem a controvérsia política, a Tesla também enfrenta fortes desafios com a concorrência crescente, especialmente de montadoras chinesas.
A China, que é o maior mercado de veículos elétricos do mundo e o segundo maior da Tesla (atrás apenas dos EUA), continua dominada pela montadora chinesa BYD. A BYD reportou mais de 416 mil veículos elétricos vendidos no trimestre, um crescimento de 39% em relação ao ano anterior, retomando assim a liderança como maior vendedora de EVs do mundo.
A BYD já havia superado a Tesla em vendas de EVs em diversos trimestres recentes, embora a Tesla ainda mantivesse a liderança em vendas anuais. No entanto, com as tendências atuais, é possível que a montadora perca esse título em 2025.
Os veículos da BYD costumam ser mais baratos do que os da Tesla, entre outras vantagens. No início deste mês, a empresa revelou um novo sistema de carregamento que promete adicionar 400 km de autonomia em apenas cinco minutos de carga.
Apesar da concorrência global, a BYD e a maioria das montadoras chinesas ainda não têm presença no mercado dos EUA.
As ações da Tesla chegaram a quase dobrar de valor após a eleição presidencial, impulsionadas pela expectativa de que a relação próxima de Musk com Trump resultasse em políticas favoráveis à empresa. No entanto, desde que atingiram o recorde histórico pouco antes do Natal, as ações da Tesla caíram 44% até o fechamento desta terça-feira. Após o anúncio das vendas, os papéis da empresa (TSLA) caíram cerca de 5% nas negociações pré-mercado.
Imagem: Milan Czismadia/Unsplash
Informações: Chris Isidore para CNN
Tradução livre: Central do Varejo