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A NRF não é para turistas: o futuro do seu estoque está sendo decidido agora em Nova York (e você ainda não percebeu)

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Frete CIF; estoque

Depois de dois anos afastado do burburinho frenético do Javits Center, decidi voltar à NRF com um propósito forte para consumir o que há de mais interessante por lá (e não me refiro à gastronomia norte-americana, que não é das minhas favoritas). Sei o que a NRF pode oferecer e sei o tamanho do potencial deste evento. Representar a Inventa por lá é estar um passo à frente dos negócios e, conseguir aplicar o que é visto, talvez sejam uns 20 passos… O que fala-se lá pode chegar ao Brasil só no final do ano — e às vezes de forma truncada e não tão aplicável aos modelos de negócio.

Por isso não volto como um turista corporativo em busca de networking vazio ou fotos com robôs de LED que são vistos há pelo menos uns 15 anos em quaisquer eventos que fale sobre “tecnologia”. A minha volta dá-se porque o mercado B2B, como o conhecemos no Brasil, está com os dias contados. Não quero parecer alarmante, mas precisamos mudar. O mercado tem um potencial gigantesco. Para se ter uma ideia, o mercado global de e-commerce B2B foi avaliado em US$ 30,42 trilhões em 2024, e deve alcançar US$67 trilhões até 2029, com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 17,1%, segundo a Statista. Nos Estados Unidos, o mercado B2B foi estimado em US$ 4,04 trilhões em 2024, com previsão de atingir US$ 7,53 trilhões até 2029, crescendo 18,7% ao ano. Por isso que, em janeiro, desembarco na NRF 2026 com uma missão ingrata para os saudosistas: validar que a logística de “caneta e papel” acabou e que o padrão de excelência agora tem apenas uma métrica: a velocidade do B2C.

Na Inventa, nossa tese, ouso dizer, que é uma afronta ao status quo. Enquanto a maioria das empresas espera que o governo ou a infraestrutura física resolvam os gargalos do Sudeste, nós estamos fazendo o caminho inverso. Estamos usando inteligência de dados para ignorar as limitações físicas e construir um ecossistema onde a indústria e o varejista transacionam com a mesma facilidade de um clique para pedir comida no app ou mesmo chamar um carro de aplicativo. Quero buscar as ferramentas que possam colocar de vez a pá de cal na ineficiência da cadeia de suprimentos nacional.

A inteligência artificial não é hype, é sobrevivência de margem

Muitos líderes ainda tratam a IA como um slide bonito no onboarding ou mesmo uma pauta para reunião com o board de investidores. Mas, para mim, é questão de margem e desenvolvimento de negócios. O mercado brasileiro ainda está viciado em logística reativa: o pedido cai, o caminhão sai. Isso é caro, lento e gera ruptura.

Na NRF, o foco em “IA Preditiva” e “Ecossistemas de Agentes” (temas que devem dominar o segundo dia) é o que me aguça a entender mais profundamente boas práticas. Imagine o fim da ruptura de estoque porque um agente de IA antecipou a demanda do varejista do interior de São Paulo cruzando tendências econômicas globais. Parece maluco, né? Mas isso está mais próximo do que parece. Se a IA nas operações de e-commerce já é o padrão lá fora, trazê-la para o cerne da discussão da nossa logística B2B já não é um diferencial para sair na frente, talvez seja a única forma de não ser atropelado pela concorrência nos próximos anos.

O fulfillment como a espinha dorsal silenciosa (talvez até oculta)

O varejo adora falar de experiência de compra, mas raramente fala da “espinha dorsal silenciosa”, que são os sistemas de IoT e a visibilidade da cadeia de suprimentos. Já vi que muitos painéis vão discutir como evitar o fechamento de lojas por meio da tecnologia de estoque sincronizado.

No Brasil, quase sempre a logística ainda é uma “caixa preta”. O fornecedor despacha e o varejista reza. Essa falta de visibilidade é o que drena o capital de giro de quem produz. Se conseguirmos eliminar a fricção entre o estoque da indústria e a prateleira do varejo, cria-se um fluxo de caixa saudável que nenhuma linha de crédito tradicional consegue superar.

Lições de quem já deixou o modelo antigo: Staples e Dick’s Sporting Goods

Cases sempre são fonte de inspiração, ainda mais quando estamos no maior evento de varejo do mundo. Entender quem está operando sob pressão é um ótimo caminho para o sucesso. O caso da Staples, que migrou do tradicionalismo para a robótica, é um espelho para o que estamos construindo e buscando no Brasil. Muitas indústrias brasileiras ainda operam em silos manuais. Ver como a automação robótica e os agentes de comércio estão redesenhando a jornada de compra é fundamental para escalar o modelo full service da Inventa.

Outro ponto cego do mercado brasileiro é a omnicanalidade real. O exemplo da Dick’s Sporting Goods, atendendo 80% dos pedidos a partir das lojas, mostra que o futuro do fulfillment é descentralizado e inteligente. No B2B, isso significa que a distribuição precisa ser pulverizada e tecnológica. Não adianta ter um CD gigante se o dado não flui. A NRF 2026 vai mostrar que a gestão de estoque impulsionada por IA é o novo motor de lucro, e quem continuar gerindo estoque no “olhômetro” vai simplesmente sumir do mapa até 2028.

Por que você deveria se atentar a ida da Inventa à NRF

Muitos me perguntam por que a Inventa investe tanto em estar na linha de frente desses debates. A resposta é simples: o consumidor nativo de IA já nasceu. Em breve, ele será o comprador da indústria e o dono do varejo. Ele não aceita processos lentos, falta de crédito ou logística opaca.

O Big Show 2026 será o palco onde as mudanças que projetamos para a próxima década serão aceleradas. Vamos buscar o que há de mais disruptivo em proteção de operações contra ameaças constantes e estratégias de tomada de decisão para líderes que não têm tempo a perder.

A Inventa não vai a Nova York para trazer fotos bonitas da Times Square. Vamos para buscar o entendimento real da nova distribuição brasileira. O B2B não pode mais ser o “primo pobre” da tecnologia. Se você é indústria, varejista ou operador logístico e acha que o modelo atual vai durar mais cinco anos, eu te convido a acompanhar nossa cobertura.


*Omar Jarouche é CRO da Inventa, uma empresa de Full Service que conecta indústrias e fornecedores diretamente aos varejistas do Estado de São Paulo, unificando tecnologia, operação e inteligência de dados para transformar a forma como o B2B acontece. Formado em Estatística pela Unicamp e com mais de 15 anos de experiência no mercado B2B, Omar iniciou sua carreira na área de Data Science, mas sempre demonstrou-se um profissional curioso por inúmeros temas. Já teve passagens como Diretor de Marketing e Soluções na ClearSale e CMO na Cobli. Atualmente, considera-se um problem solver além de ser Mentor Endeavor.

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