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Consumidor mais cauteloso marca início de 2026 e pressiona desempenho do varejo
O início de 2026 confirma um cenário mais desafiador para o comércio varejista, marcado pela desaceleração da economia brasileira, juros elevados e maior cautela por parte do consumidor. Altamente dependente do consumo das famílias, responsável por cerca de dois terços do PIB nacional, o varejo sente de forma imediata os efeitos do enfraquecimento da renda disponível, do alto nível de endividamento e do encarecimento do crédito, fatores que influenciam o comportamento de compra neste começo de ano.
De acordo com análise do Sindilojas-SP, o consumidor inicia 2026 priorizando gastos essenciais, adiando compras de maior valor e demonstrando maior sensibilidade a preços, promoções e condições de pagamento. Esse movimento limita o crescimento do faturamento do setor e pressiona as margens, especialmente em segmentos que dependem de volume e ticket médio mais elevado.
“Estamos observando um consumidor mais seletivo, cauteloso e atento ao orçamento doméstico. Mesmo com a inflação sob controle, os juros elevados e o endividamento ainda alto reduzem a disposição para compras parceladas e bens não essenciais”, afirma Aldo Nuñez Macri, presidente do Sindilojas-SP.
Os juros permanecem como um dos principais entraves ao consumo no início do ano. Além de desestimular o parcelamento, fundamental para diversos segmentos do varejo, o custo financeiro também afeta diretamente a operação das empresas, encarecendo o capital de giro e reduzindo o acesso ao crédito. Soma-se a isso o aumento de custos operacionais, como logística, energia e mão de obra, em um contexto no qual o repasse de preços ao consumidor se torna mais difícil.
Nesse ambiente, alguns segmentos tendem a apresentar desempenho relativamente mais resiliente. Setores ligados a bens essenciais, como supermercados, atacarejos e farmácias, seguem sustentando o volume de vendas, ainda que com crescimento moderado e mudanças no mix de produtos, com maior procura por marcas mais econômicas. Já áreas como bens duráveis, eletrodomésticos, móveis e materiais de construção enfrentam maior retração da demanda.
O Sindilojas-SP projeta que, após um crescimento estimado de cerca de 5% no faturamento bruto do varejo paulistano em 2025, o avanço em 2026 deve ser mais contido, podendo ficar em torno da metade desse percentual, refletindo o menor dinamismo do consumo das famílias ao longo do ano.
Para enfrentar esse cenário, a entidade destaca que a eficiência na gestão será decisiva. Controle de estoques, ajuste do sortimento ao novo perfil de consumo, negociação com fornecedores e uso de tecnologia e inteligência de dados ganham relevância para preservar margens e reduzir riscos. Estratégias promocionais direcionadas, programas de fidelização e ações de relacionamento também são apontados como instrumentos para sustentar o faturamento.
“Em um contexto de consumo mais contido, a diferença entre atravessar 2026 com dificuldades ou sair mais fortalecido estará na qualidade da gestão, na eficiência operacional e na capacidade de adaptação ao novo comportamento do consumidor”, conclui Aldo Nuñez Macri.
Imagem: Divulgação
