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Nova York consolida lojas como destinos culturais no guia de compras do varejo urbano para 2026

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A cidade de Nova York segue como laboratório global de inovação no varejo físico. Esse foi o principal recado do painel “NYC urban retail treasures: The 2026 Shopping Playbook”, apresentado nesta segunda-feira (12), durante o segundo dia da NRF 2026. A sessão foi conduzida por José Raul Padron, Design Lead da Hershey’s, e por Cynthia Ortiz, presidente internacional do Retail Design Institute. O painel apresentou um recorte curado de cerca de duas dezenas de novas lojas e conceitos espalhados pela cidade, revelando como o varejo urbano evoluiu para além da venda de produtos, incorporando cultura, hospitalidade, entretenimento e comunidade como elementos centrais da experiência.

Entre os destaques do luxo, os palestrantes citaram flagships que operam como espaços imersivos e quase museológicos, onde arquitetura, arte e narrativa de marca se misturam. Esse movimento transforma lojas em destinos culturais, reforçando a presença física como ativo estratégico mesmo em um ambiente altamente digitalizado.

No campo das marcas contemporâneas, o painel destacou a consolidação de conceitos que combinam minimalismo, inclusão e identidade visual forte, como a loja principal da Skims na Quinta Avenida, além de espaços que estimulam permanência prolongada por meio de cafés integrados, lounges e provadores pensados para criação de conteúdo.

Outro ponto relevante foi a ascensão do varejo orientado à experiência sensorial e comunitária. Lojas de música, café e moda vêm sendo desenhadas como pontos de encontro, com programação ao vivo, ativações culturais e serviços que vão além da transação. Segundo os palestrantes, o varejo físico volta a ocupar o papel de centro social em áreas densamente urbanas.

A apresentação também destacou o protagonismo de marcas asiáticas no foodservice, com modelos digital-first, alta rotatividade e forte apelo visual. Conceitos de chá e café baseados em tecnologia, pedidos via aplicativo e lançamentos constantes vêm atraindo consumidores jovens e conectados, reposicionando categorias tradicionais como aspiracionais.

Um dos segmentos que mais chamou atenção foi a chamada “Tween Row”, região entre a Broome Street e a Spring Street, no SoHo, que se tornou um polo de varejo voltado a pré-adolescentes e à Geração Z. Lojas com filas constantes, provadores que funcionam como cenários para redes sociais, vendedores influenciadores e experiências pensadas para TikTok transformaram o trecho em um destino cultural, não apenas comercial.

Marcas digitais nativas que migraram para o físico também tiveram destaque. Os palestrantes ressaltaram que esses espaços funcionam como extensões da comunidade online, priorizando descoberta, socialização e construção de identidade, em vez de foco exclusivo em volume de vendas.

O painel ainda abordou a retomada de marcas tradicionais em novos formatos, como o retorno da Brooks Brothers a Manhattan, combinando herança, arquitetura histórica e linguagem contemporânea, reforçando o valor do storytelling no varejo físico.

Ao encerrar a sessão, Padron e Ortiz sintetizaram os aprendizados do guia de compras de 2026: o varejo urbano caminha para experiências cada vez mais imersivas, híbridas e orientadas por propósito, onde café, cultura, sustentabilidade, comunidade e narrativa de marca são tão importantes quanto o produto exposto.

Imagens: Graciane Santos
Com colaboração de Edmour Saiani
(*) Graciane Santos é arquiteta e supervisora de projetos na GDesign, especialista em rollout, gestão e tecnologia de sistemas construtivos. Atua na liderança de projetos estratégicos para grandes redes de varejo. Saiba mais sobre as soluções da GDesign em https://gdesign.arq.br.

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