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Consumo perde fôlego em dezembro e pressiona o varejo alimentar

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imagem de corredor de supermercado, representando o varejo ampliado; marcas de varejo

O varejo alimentar brasileiro encerrou dezembro com a maior retração de unidades comercializadas de 2025, segundo dados do Radar mensal da Scanntech. O volume vendido caiu 5,5% no mês, resultado associado à redução do fluxo em loja, que recuou 4,1% no período.

Além da queda nas unidades, o repasse de preços registrou o menor patamar do ano, com alta de 3,2%. Esse movimento contribuiu para que dezembro fosse o único mês de 2025 a apresentar retração também no faturamento, que caiu 2,5%.

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As cestas de Mercearia e Bebidas Alcoólicas concentraram 55% da retração em unidades comercializadas. Já a queda de faturamento foi majoritariamente explicada por Mercearia Básica e Perecíveis, responsáveis por 92% do recuo observado no mês. Em sentido contrário, Bebidas Não Alcoólicas foi a única cesta com contribuição positiva para o desempenho mensal.

De acordo com Felipe Passarelli, head de Inteligência de Mercado da Scanntech, categorias tradicionalmente associadas ao consumo em períodos de calor apresentaram desempenho negativo. “Com temperaturas mais amenas em relação a 2024 e o avanço de tendências ligadas à saudabilidade e a bebidas refrescantes, categorias tradicionalmente associadas ao consumo no calor e à indulgência, como chocolates, biscoitos e açúcar, apresentaram contribuição negativa relevante. Do recuo total de -2,1% no período, 1,4 ponto percentual pode ser atribuído a essas categorias”, afirma.

Em dezembro, a cesta básica registrou queda de 6,4% nos preços, o que resultou em retração de 13,5% no faturamento. Dentro da mercearia, chocolates e biscoitos também contribuíram para o desempenho negativo. Em contrapartida, produtos ligados à saudabilidade ampliaram participação, embora sem compensar a retração das categorias tradicionais. Os suplementos para academia cresceram 45,7% na comparação com dezembro do ano anterior.

A cesta de Perecíveis apresentou queda pela primeira vez em 2025, após ter sustentado parte relevante do desempenho do setor ao longo do ano. Segundo Passarelli, o movimento reflete um cenário em que o crescimento anual foi sustentado principalmente pelo aumento do preço médio, enquanto as unidades comercializadas recuaram. Em dezembro, a desaceleração dos repasses de preços teve impacto direto sobre o faturamento.

Na comparação entre dezembro e novembro de 2025, o varejo alimentar registrou crescimento de 9,2% no faturamento e de 4,4% nas unidades. Ainda assim, o avanço foi inferior ao observado no mesmo intervalo de 2024, quando o faturamento havia crescido 12,6% e as unidades, 6,8%.

No recorte regional, o Norte apresentou a retração mais intensa. O Sul manteve a menor queda em unidades, embora tenha registrado desaceleração relevante no aumento de preços, que passou de uma média anual próxima de 6% para 1,2% em dezembro. O Nordeste, que vinha apresentando desempenho semelhante ao do Sul, encerrou o mês com retração de 7,7% nas unidades, a segunda pior performance regional.

O período natalino, entre 23 e 25 de dezembro, foi o único intervalo do mês a registrar crescimento de faturamento na comparação entre 2025 e 2024, além de apresentar a menor retração em unidades. O dia 25 de dezembro, apesar do baixo volume absoluto, comercializou 60% mais unidades do que na mesma data do ano anterior.

No consolidado de 2025, o varejo alimentar fechou o ano com crescimento de 4,1% no faturamento, sustentado principalmente pelo aumento de 6,3% no preço por unidade. O resultado ocorreu apesar da retração de 2,1% nas unidades comercializadas, influenciada pela redução tanto das unidades por tíquete quanto do fluxo em loja.

Na análise por cestas ao longo do ano, apenas Perecíveis, Pet e Tabaco apresentaram crescimento em unidades. Em termos de faturamento, somente Perecíveis e Tabaco avançaram acima da inflação do período. Por canal, os supermercados tiveram desempenho superior ao do atacarejo em base de mesmas lojas. O canal supermercadista cresceu 5,0% em faturamento, apoiado por aumento de preços de 6,3% e retração menor em unidades, de 1,2%. Já o atacarejo registrou queda de 3,4% nas unidades vendidas, o que limitou o crescimento do faturamento a 2,6%, abaixo da inflação.


Imagem: Envato

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