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Expectativas para 2026: os desafios e as prioridades do varejo de shopping

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O ano de 2025 foi um dos mais desafiadores para o varejo de shopping nos últimos tempos. O desempenho dos lojistas foi bastante desigual: enquanto alguns conseguiram sustentar ou até melhorar seus resultados, muitos enfrentaram dificuldades ao longo do ano. A leve melhora observada no ticket médio esteve mais associada ao repasse de custos e reajustes de preços do que a um crescimento real de volume de vendas.

O cenário econômico teve papel decisivo nesse resultado. Juros elevados, altos custos de ocupação, uma concorrência cada vez maior pela renda das famílias, direcionamento da renda das famílias as Bets e a inflação pressionando custos impactaram diretamente o consumo. De forma geral, a maioria dos lojistas não registrou crescimento em 2025, inclusive no Natal, tradicionalmente o principal período de vendas do ano. A queda no fluxo de consumidores e a concorrência do comércio digital levaram muitos operadores a intensificarem ações promocionais ao longo do ano. Em alguns casos, a Black Friday apresentou crescimento relevante, mas acabou comprometendo o desempenho das vendas natalinas.

Para 2026, o cenário exige cautela e planejamento. A expectativa é de um primeiro semestre mais fraco, com sinais de recuperação apenas na segunda metade do ano. O calendário será atípico, com Carnaval em fevereiro, Copa do Mundo em junho e julho e eleições presidenciais e estaduais em outubro, fatores que historicamente impactam o comportamento do consumidor, alteram o fluxo nos shoppings e tornam o consumo mais irregular ao longo do ano.

Além disso, permanecem desafios estruturais importantes. Os custos de ocupação seguem elevados e pressionam diretamente a sustentabilidade das operações, especialmente para pequenos e médios lojistas. Aluguel, encargos e fundo de promoção comprometem o fluxo de caixa, reduzem a capacidade de investimento e aumentam a rotatividade de lojas, afetando o equilíbrio do mix dos shoppings.

Nesse contexto, temas como o 13º aluguel (aluguel dobrado em dezembro) e o fundo de promoção continuam no centro do debate. O aluguel nos shoppings é fixado em um percentual sobre o faturamento bruto do lojista com um valor mínimo garantido (Aluguel Mínimo). Esse formato que funcionou no passado precisa ser constantemente revisto à luz da realidade atual do varejo. O 13º aluguel, historicamente associado a um aumento expressivo de vendas no fim do ano, foi implementado pela dificuldade dos Shoppings em monitorar o faturamento dos lojistas para apuração do aluguel percentual, perdeu previsibilidade diante do controle diário das vendas dos lojistas através de sistemas de monitoramento de faturamento, da antecipação do consumo e do crescimento das promoções ao longo do calendário. Assim, se o lojista vender 50% a mais em dezembro, o aluguel percentual será cobrado no valor que superar o valor mínimo, sem a necessidade de ser cobrando em dobro.

O fundo de promoção segue sendo essencial para a geração de fluxo, mas precisa evoluir com mais participação dos lojistas, objetivos claros e métricas que permitam avaliar seu impacto real nas vendas das lojas.

Outro tema que deve ganhar força em 2026 é a discussão sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1. A ABLOS entende que esse debate precisa ser conduzido de forma técnica e responsável, considerando as particularidades do varejo de shopping, que opera em horários estendidos, depende de equipes presenciais e já enfrenta margens bastante pressionadas. Mudanças abruptas podem impactar custos, produtividade e até a manutenção de empregos.

Diante desse cenário, as prioridades estratégicas da ABLOS para 2026 estão focadas na defesa da sustentabilidade do varejo de shopping. A entidade seguirá atuando pela atualização da tabela do Simples Nacional, acompanhando de perto o debate sobre a jornada de trabalho, apoiando os lojistas no processo de transição da reforma tributária e desenvolvendo projetos de formação e qualificação de mão de obra para o setor.

Também será fundamental ampliar o diálogo com os shoppings, fortalecer parcerias institucionais e incentivar a aplicação prática de inovação e tecnologia nas operações. Em um ambiente de crescimento limitado, eficiência, controle de custos, produtividade e foco na experiência do consumidor serão decisivos para a sobrevivência e o fortalecimento do varejo de shopping em 2026.

Imagem: Envato


*Por Mauro Francis, presidente da ABLOS

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