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Empresas e consumidores dos EUA arcam com quase 90% do custo das tarifas, diz Fed de Nova York

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Imagem aérea de navio de cargas. Cabotagem; tarifas

Empresas e consumidores dos Estados Unidos arcaram com quase 90% dos custos das tarifas impostas a partir de abril de 2025, segundo pesquisadores do Federal Reserve Bank de Nova York. O levantamento contesta a afirmação do presidente Donald Trump de que exportadores estrangeiros suportam o impacto principal dos impostos de importação.

De acordo com relatório divulgado na quinta-feira (12), as tarifas aplicadas a partir de abril, no chamado “Dia da Libertação”, elevaram a tarifa média de importação de 2,6% para 13% até o fim de 2025. Os pesquisadores informaram que os preços de importação dos produtos sujeitos à tarifa média aumentaram, provavelmente, 11% a mais do que os preços de bens não tarifados, o que levou empresas a alterarem suas cadeias de suprimentos.

“Empresas e consumidores dos Estados Unidos continuam a arcar com a maior parte do ônus econômico das altas tarifas impostas em 2025”, afirmaram os pesquisadores do Fed de Nova York.

Nos últimos meses, Trump declarou que estrangeiros, e não empresas e consumidores norte-americanos, pagam as tarifas, o que, segundo ele, melhoraria a situação fiscal do país e o bem-estar financeiro dos trabalhadores.

Além do estudo do Fed de Nova York, outras duas pesquisas apontaram conclusões semelhantes. O Kiel Institute, centro de estudos com sede na Alemanha, informou em relatório divulgado no mês passado que importadores e consumidores dos Estados Unidos arcam com 96% dos custos das tarifas impostas desde abril.

Segundo o instituto, as tarifas do governo Trump geraram aproximadamente US$ 200 bilhões em receitas em 2025, mas apenas 4% do total arrecadado teve origem fora do território norte-americano. O instituto afirmou que as tarifas funcionaram como um imposto sobre o consumo de importados, reduzindo a variedade e o volume de bens disponíveis aos consumidores.

A Tax Foundation informou em relatório de 6 de janeiro que as tarifas elevaram, em média, em US$ 1.000 os impostos pagos por um domicílio norte-americano no ano passado. A entidade projeta que o impacto aumentará para US$ 1.300 neste ano.

O Yale Budget Lab também divulgou, no mês passado, estimativas sobre os efeitos das tarifas. De acordo com o grupo, os preços subirão 1,3% no curto prazo, o que representará uma perda de US$ 1.751 para o domicílio médio nos Estados Unidos. A tarifa média atual de 16,9% é a mais alta desde 1932.

O Yale Budget Lab informou ainda que as tarifas reduzirão o crescimento do Produto Interno Bruto dos Estados Unidos em 0,4 ponto percentual neste ano e conterão a expansão econômica em 0,3%, o equivalente a US$ 100 bilhões anuais em valores de 2025.

Segundo o grupo, as tarifas também elevarão a taxa de desemprego em 0,6 ponto percentual até o fim deste ano, com redução de 1,3 milhão de postos de trabalho ao final de 2025.

As tarifas integram a estratégia do governo de estimular a manufatura doméstica. De acordo com relatório recente do Boston Consulting Group, a participação dos Estados Unidos no valor do comércio global de bens deve diminuir caso o país mantenha o foco em produção doméstica em detrimento das importações.

“A participação dos Estados Unidos no valor do comércio global de bens deve diminuir à medida que o país mantém seu foco ‘America First’, que favorece a produção doméstica em vez das importações”, informou o Boston Consulting Group.

O grupo acrescentou que a participação das importações norte-americanas cobertas por tarifas aumentou de 13% para 61% desde janeiro de 2025, indicando a ampliação das barreiras comerciais no período.

Imagem: Envato
Informações: Jim Tyson para CFO Dive
Tradução livre: Central do Varejo

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