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A importância de “enxergar a quadra inteira”: visão estratégica aplicada ao dia a dia
Muitas vezes, quando falamos em visão estratégica, pensamos em grandes planos, análises complexas ou decisões de longo prazo. Mas, na prática, o que diferencia os líderes que realmente entregam resultados é a capacidade de enxergar a quadra inteira, todos os movimentos, espaços, possibilidades e riscos ao mesmo tempo.
Gosto de lembrar de um exemplo clássico do basquete: Michael Jordan não era apenas um jogador habilidoso; ele tinha a rara habilidade de antecipar o que aconteceria antes dos outros. Ele lia o jogo, os adversários, o ritmo da partida. Enquanto muitos viam a bola, ele via o jogo.
No dia a dia das organizações acontece o mesmo. Visão estratégica não é um exercício distante: é perceber tendências antes de virarem problemas, é entender como uma decisão impacta várias áreas, é antecipar o que o time vai precisar, é ler o contexto com amplitude, e não apenas o que está no centro do nosso campo de visão.
No meu trabalho, vejo isso acontecer com frequência. Em muitos projetos, a equipe chega com uma demanda pontual, mas eu costumo provocar: “O que está por trás disso? Como isso conversa com nossos objetivos maiores? Quem mais essa decisão impacta?”
Essas perguntas simples já mudam completamente o rumo da conversa. Permitem que a gente descubra oportunidades que não estavam visíveis e evitam decisões que resolveriam o agora, mas criariam dificuldades lá na frente.
Outro exemplo comum é nas reuniões de planejamento: é natural focarmos no que está urgente. Mas sempre reforço que olhar apenas para o curto prazo é como marcar o jogador com a bola e esquecer quem está vindo livre do outro lado da quadra. “Se a gente não levantar a cabeça, corre o risco de reagir o tempo todo, quando o ideal é antecipar”.
E, assim como no esporte, essa leitura ampla não é dom: é treino. Treino de escuta, treino de contexto, treino de diálogo, treino de curiosidade. Quando líderes se exercitam para ver a “quadra inteira”, suas equipes ganham autonomia, confiança e clareza. A estratégia deixa de ser um documento e passa a ser uma prática diária. E, no final, os resultados aparecem de forma mais consistente, sustentável e coletiva.
Afinal, como Jordan já provava em quadra, ninguém ganha jogo sozinho, mas quem enxerga o jogo inteiro guia melhor a equipe até lá.

(*) Julio Segala. Atua no franchising há 29 anos, graduado em Engenharia Elétrica, Matemática e Física, Mestre em Engenharia, Pós-Graduado em Gestão de Negócios, atualmente Vice-presidente de Operações no Kumon América do Sul, membro dos comitês de Microfranquias & Novos Modelos e Educação da ABF e instrutor dos programas de capacitação da ABF.
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