NRF2026
AWS e PepsiCo mostram como a IA está redesenhando o atendimento ao consumidor e a cadeia de suprimentos
A palestra “AWS and PepsiCo: Accelerating AI-driven transformation from customer service to supply chain innovation” realizada na NRF 2026 apresentou um panorama concreto de como a Inteligência Artificial vem sendo aplicada em escala por uma das maiores empresas de alimentos e bebidas do mundo. A sessão reuniu executivos da PepsiCo e da AWS, com destaque para a participação de Dave Dohnalik, responsável por liderar iniciativas de dados e transformação digital na companhia.
Com presença em mais de 200 países, cerca de 320 mil colaboradores e produtos consumidos mais de 1 bilhão de vezes por dia, a PepsiCo opera uma cadeia extremamente complexa. São mais de 1 bilhão de pontos de contato entre consumidores, parceiros, distribuidores, varejistas, indústrias e produtores rurais. “Quando falamos de uma marca como Lay’s, estamos falando do agricultor, da colheita, da indústria, da logística, do varejo e, só então, do consumidor final”, explicou Dohnalik, ao descrever a amplitude da operação.
IA como meio para um objetivo maior
Um dos pontos centrais da apresentação foi a forma como a PepsiCo enxerga a Inteligência Artificial. Segundo Dohnalik, a empresa parte de um princípio claro: tecnologia não é um fim em si mesma. “Somos uma empresa people first. A IA é uma ferramenta para atingir esse objetivo, não o objetivo final”, afirmou.
Essa visão orienta a estratégia de transformação digital da companhia. Em vez de projetos isolados ou pilotos de curto alcance, a PepsiCo optou por realizar “big bets”, integrando IA e dados em toda a cadeia de valor, do campo à prateleira. “Transformação digital, para nós, é sobre escala. E para escalar, é preciso ter o parceiro certo”, disse o executivo, ao explicar a escolha da AWS como base tecnológica global.
Migração para a nuvem e ganho de escala operacional

A parceria com a AWS envolve a migração de grande parte das aplicações e cargas de trabalho globais da PepsiCo para a nuvem. O objetivo é ganhar agilidade, elasticidade e capacidade de processamento para lidar com volumes massivos de dados em tempo real.
A AWS fornece as ferramentas analíticas que sustentam iniciativas como manutenção preditiva, otimização logística e redução de perdas industriais. Segundo Dohnalik, essas aplicações já trazem impactos mensuráveis. “Conseguimos antecipar falhas, reduzir desperdícios e tomar decisões com base em dados quase em tempo real”, afirmou.
Esses ganhos operacionais se refletem também na experiência do consumidor. Dados mais precisos e integrados permitem melhorar disponibilidade de produtos, prazos de entrega e adequação do sortimento aos diferentes mercados. “Não é sobre a tecnologia em si, mas sobre como tecnologia e negócio juntos criam um ambiente melhor e uma jornada melhor para todos”, destacou.
Gêmeos digitais e inovação no chão de fábrica
Um dos exemplos mais concretos apresentados na palestra foi o uso de gêmeos digitais nas fábricas da PepsiCo. Em parceria com Siemens, NVIDIA e a AWS, a empresa passou a criar réplicas digitais de suas linhas de produção, com alto nível de fidelidade física.
Esses modelos permitem simular mudanças de layout, ajustes de processo e diferentes cenários operacionais antes de qualquer intervenção no ambiente real. “Em apenas dois meses, algumas dessas simulações geraram ganhos de até 20% em eficiência”, revelou Dohnalik.
O caso dos snacks é emblemático. Na produção de produtos como Lay’s e Cheetos, o processo de fritura depende de variáveis como umidade da batata, temperatura do óleo e fluxo de ar. Alterar esses parâmetros diretamente na fábrica exige paradas caras e demoradas. Com o gêmeo digital, a PepsiCo passou a simular milhões de combinações virtualmente. “Conseguimos encontrar o ajuste exato que reduz consumo de energia e mantém a qualidade do produto, sem parar a linha real”, explicou.
Impacto além da indústria

Segundo o executivo, o entusiasmo da PepsiCo não está restrito aos indicadores internos de eficiência. O foco está no efeito em cadeia que essas melhorias provocam. “Quando somos mais eficientes na produção e na logística, isso se traduz em melhor disponibilidade, melhor entrega e melhor experiência para o consumidor final”, afirmou.
A combinação entre IA, dados e cloud computing também amplia a capacidade da empresa de entender padrões de consumo, antecipar demandas e ajustar rapidamente sua operação a mudanças de mercado. Isso se torna especialmente relevante em um portfólio no qual 58% das receitas vêm de alimentos e 42% de bebidas, com dinâmicas de consumo distintas em cada região.
Uma transformação guiada por ecossistema
Ao encerrar a apresentação, Dohnalik reforçou que a transformação em curso não pode ser atribuída a um único fornecedor ou tecnologia. “Quando falamos dessa transformação na PepsiCo, não estamos falando só de AWS. Estamos falando de um ecossistema e de uma nova forma de pensar a cadeia inteira”, concluiu.
*A missão NRF 2026 é uma realização da Central do Varejo, com patrocínio da TOTVS e Getnet.
(*) Shoiti Sato é Presidente da SATO7, sócio fundador da GoSeven, empreendedor, investidor, amante do conhecimento e da cultura humana. Saiba mais sobre as soluções da GoSeven em https://gos7ven.com.br.
Imagens: Estúdio Versailles e Shoiti Sato

