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Bancos projetam desaceleração gradual do crédito em 2026, aponta pesquisa da Febraban

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A maioria dos bancos espera que a carteira de crédito total encerre 2025 com crescimento de 9,2% e apresente desaceleração gradual em 2026, alcançando expansão de 8,2%. As informações constam da Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas, realizada pela Febraban, com a participação de 20 bancos, entre os dias 17 e 19 de dezembro.

Na edição anterior do levantamento, a expectativa de crescimento do crédito total em 2025 era de 8,9%. A revisão para 9,2% reflete o aumento das projeções para o crédito direcionado, cuja estimativa passou de 10,1% para 10,9%. Segundo a pesquisa, o principal fator para essa revisão foi o desempenho do crédito direcionado para pessoas jurídicas, cuja projeção subiu de 13,6% para 15,3%, sustentada por programas governamentais.

Ainda no crédito direcionado, a carteira voltada às famílias teve a expectativa de crescimento revisada de 8,4% para 8,7%, influenciada pela manutenção do desempenho do crédito habitacional, que compensou o menor dinamismo do crédito rural.

Na carteira livre, a expectativa de crescimento do saldo em 2025 apresentou leve recuo, de 8,1% para 8,0%. A mudança decorreu da revisão da carteira livre para pessoas jurídicas, cuja projeção caiu de 5,1% para 3,6%, em função de condições financeiras mais restritivas, elevação do IOF e concorrência com operações direcionadas e com o mercado de capitais. Por outro lado, a carteira livre para pessoas físicas teve a estimativa elevada de 10,3% para 11,0%, associada ao desempenho observado ao longo de 2025, com aumento da participação de linhas rotativas.

Para 2026, 73,7% dos participantes da pesquisa esperam desaceleração do crescimento do crédito, ainda que de forma gradual. Outros 15,8% projetam manutenção do ritmo atual de expansão. Nesse cenário, a projeção de crescimento do saldo total foi revisada de 7,9% para 8,2%, com ajustes tanto na carteira livre, que passou de 7,4% para 7,6%, quanto na direcionada, de 9,0% para 9,4%.

“A alta das projeções do saldo do crédito para 2026 vem em linha com as divulgações recentes, que mostram que 2025 foi marcado por uma moderação bastante gradual do mercado de crédito, que permaneceu com um crescimento razoavelmente robusto, mesmo com o elevado nível da taxa Selic. Este crescimento foi sustentado pelos programas governamentais para as MPMEs e linhas de consumo para as famílias”, afirmou Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban.

“Para 2026, a expectativa é que essa desaceleração gradual prossiga ao longo do ano, levando a um crescimento de 8,2%, com o movimento sendo liderado pela carteira Direcionada PJ, dada a elevada base de comparação deste segmento, que tende a fechar 2025 com alta superior a 15%”, acrescentou.

Taxa Selic

A pesquisa, realizada após a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), indica que 70% dos bancos acreditam que o início do ciclo de queda da taxa Selic ocorrerá apenas em março de 2026. A expectativa é de manutenção da Selic em 15% ao ano na reunião de janeiro, com reduções consecutivas de 0,50 ponto percentual a partir da segunda reunião do ano.

Inflação em 2026

Em relação à inflação, 50% dos participantes projetam que o índice em 2026 permaneça acima da meta, em linha com o consenso de mercado, influenciado por estímulos fiscais e de crédito. Outros 35% esperam inflação abaixo do consenso, indicando continuidade do viés de revisão para baixo das projeções.

“A evolução recente do cenário econômico, somado à comunicação do BC, tem levado o mercado a convergir para uma expectativa de início do ciclo de corte da taxa Selic a partir de março. A principal questão agora parece ser qual velocidade o Copom conseguirá cortar os juros ao longo do ano. Por ora, as expectativas ainda são conservadoras e indicam uma trajetória moderada de corte dos juros, apesar do alto nível da Selic.”, afirmou Sardenberg.

Atividade econômica

A pesquisa também mostrou melhora na percepção dos participantes sobre a atividade econômica em 2026. O percentual de analistas que projetam crescimento de 1,8% para o próximo ano subiu de 36,4% para 55%. Ao mesmo tempo, caiu de 45,5% para 30% a proporção dos que esperam expansão inferior ao consenso do mercado.

Meta fiscal

Nenhum dos participantes espera descumprimento da meta fiscal em 2026. No entanto, 80% avaliam que serão necessárias medidas adicionais para o cumprimento do objetivo, sendo que 45% acreditam que as ações devem se concentrar no lado das despesas, como bloqueios, contingenciamentos ou retirada de gastos do arcabouço fiscal.

Inadimplência

A taxa de inadimplência segue como ponto de atenção. A projeção para a carteira de crédito com recursos livres em 2025 foi mantida em 5,1%. Para 2026, a expectativa subiu de 5,1% para 5,2%. O patamar projetado permanece abaixo do registrado em outubro, quando, segundo o Banco Central do Brasil, a taxa alcançou 5,3%.

Imagem: Agência Brasil

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