NRF2026
Brasil lidera pagamentos digitais e avança para uma era de transações invisíveis, diz vice-presidente da Visa
O Brasil já é uma referência global em pagamentos digitais e caminha para uma nova fase, marcada por transações cada vez mais invisíveis, fluidas e personalizadas. A avaliação é de Eduardo Abreu, vice-presidente de Novos Negócios da Visa no Brasil, em entrevista exclusiva à Central do Varejo, durante a NRF 2026.
Segundo Abreu, mais de 60% dos pagamentos no Brasil já são feitos com cartões de crédito, débito ou pré-pagos. Quando o Pix entra na conta, o índice chega a cerca de 93% a 95% das transações, consolidando o país entre os mercados mais digitalizados do mundo em meios de pagamento.
O executivo lembra que essa posição de liderança não é recente. O Brasil esteve entre os primeiros mercados a adotar chip nos cartões e pagamentos por aproximação, o que abriu caminho para experiências cada vez mais fluidas. “Hoje, se você esquece a carteira, não volta mais para casa. Você paga com o celular, com o relógio, de forma natural”, afirma.
Com um alto nível de digitalização já alcançado, o próximo passo, segundo Abreu, é tornar o pagamento praticamente imperceptível para o consumidor. A inspiração vem de experiências como aplicativos de transporte, em que a transação acontece sem fricção aparente. “O consumidor não quer pensar no pagamento. Ele quer que a experiência simplesmente aconteça”, diz.
Essa busca por fluidez, no entanto, precisa caminhar junto com segurança. Abreu destaca que a Visa investe bilhões de dólares globalmente em prevenção a fraudes, autorização inteligente e segurança de dados. O objetivo é garantir que transações negadas aconteçam apenas quando há risco real de fraude, preservando a experiência do consumidor legítimo.
A inteligência artificial surge como peça-chave nessa evolução. De acordo com o executivo, a Visa utiliza dados e modelos avançados para contextualizar cada transação. Se o sistema identifica que um consumidor está viajando, por exemplo, não há necessidade de bloqueios ou confirmações adicionais. “O contexto permite que a compra seja aprovada de forma mais fluida e segura”, explica.
Abreu aponta que essa lógica pode evoluir para experiências hiperpersonalizadas. Em um cenário futuro, o consumidor poderá solicitar, por meio de um assistente, a compra de um presente, uma reserva em restaurante ou outro serviço, com base em preferências pessoais, histórico de consumo e prazos específicos, sem precisar navegar por múltiplas opções.
Nesse contexto, a Visa prepara o lançamento no Brasil do Visa Intelligent Commerce, modelo em que agentes de inteligência artificial realizam transações dentro de um ecossistema validado. Segundo o executivo, pilotos devem começar no país ainda esse ano, após testes já em andamento nos Estados Unidos.
No varejo físico, Abreu aponta a fila como um dos principais pontos de fricção. Pagamentos mais rápidos, automação de checkouts e integração entre físico e digital ajudam a reduzir abandono de compra. Modelos em que o pagamento acontece antes mesmo da finalização da jornada (como no “compre online e retire na loja”) tendem a ganhar espaço.
O executivo também destacou o avanço do Click to Pay no e-commerce brasileiro. A solução permite que o consumidor finalize compras sem precisar preencher dados de cartão ou criar novos logins, usando credenciais já cadastradas. “Isso elimina uma das maiores fricções do comércio eletrônico”, afirma.
Ao falar de reembolsos e disputas, Abreu ressaltou a importância de regras claras no ecossistema de pagamentos. Chargebacks, segundo ele, seguem protocolos definidos, trazendo previsibilidade para varejistas, emissores e consumidores.
No campo do open finance, o vice-presidente avalia que o compartilhamento de dados tende a ampliar a competitividade e permitir ofertas mais personalizadas. Com mais informação, empresas conseguem avaliar melhor risco e comportamento, oferecendo produtos financeiros mais adequados ao perfil do cliente.
Entre as frentes de inovação em que a Visa vem investindo, Abreu citou ainda o uso de stablecoins. A empresa já opera liquidações com moedas digitais estáveis em alguns mercados e oferece plataformas para que bancos criem suas próprias soluções. Esse modelo pode facilitar remessas internacionais, com operação contínua e menor dependência de horários bancários.
Outro movimento relevante no Brasil é a mudança regulatória no mercado de vouchers de alimentação e refeição. Com a obrigatoriedade de aceitação ampla, cartões Visa tendem a ganhar escala, simplificando a experiência tanto para o consumidor quanto para o varejista.
Para Abreu, o pagamento deixou de ser apenas o fim da jornada. “Ele pode estar no começo, no meio ou no final. O mais importante é que seja o mais imperceptível possível, sem abrir mão da segurança”, conclui.
Imagem: Amanda Dechen
(*) Amanda Dechen é especialista em comunicação do MBA USP/Esalq. Conheça o MBA em Economia, Investimentos e Banking USP/Esalq.
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