Comportamento
Como a Fórmula 1 se transformou em uma das maiores plataformas de entretenimento do mundo
O painel “O negócio da emoção: como os eventos constroem engajamento e moldam culturas”, realizado no South Summit Brazil, trouxe uma discussão importante sobre o papel dos grandes eventos na economia criativa. Entre festivais, esportes e entretenimento, um case se destacou como exemplo de transformação de negócio baseada em experiência, comunidade e emoção: a Fórmula 1.
Francisco Mattos, Executive Director da Fórmula 1, explicou que a categoria vive hoje uma nova era, deixando de ser apenas um esporte para se tornar uma plataforma global de entretenimento, conteúdo e relacionamento.
A Fórmula 1, que existe há mais de 70 anos, passou por diversos ciclos de popularidade. No Brasil, por exemplo, a audiência era extremamente alta nos tempos de Ayrton Senna, mas caiu ao longo dos anos com a ausência de ídolos nacionais e com a mudança no comportamento do público, especialmente dos mais jovens.
Ponto de virada para o futuro da Fórmula 1
A grande virada começou em 2017, quando a Fórmula 1 foi adquirida pelo grupo americano Liberty Media, que iniciou um processo de reposicionamento da marca. A estratégia foi clara: transformá-la em uma marca de entretenimento global, investindo fortemente em comunicação, storytelling e conteúdo.
Um dos grandes marcos dessa mudança foi a série da Netflix, “Drive to Survive”, que aproximou o público dos bastidores, dos pilotos e das histórias humanas por trás das corridas. O resultado foi uma transformação no perfil do público: entre 2019 e 2021, a média de idade da audiência caiu cerca de 10 anos, e o público feminino cresceu rapidamente, chegando perto de 50% da audiência — sendo mulheres com menos de 25 anos o grupo que mais cresce atualmente.
Esse movimento mostra que a Fórmula 1 entendeu algo fundamental no mundo atual: as pessoas não querem apenas assistir a um esporte, elas querem fazer parte de uma história. E isso acontece por meio de conteúdo, narrativa e experiência.

No caso do GP de São Paulo, realizado em Interlagos, o evento se tornou uma grande plataforma de entretenimento e negócios. Hoje, mais de 300 mil pessoas passam pelo autódromo durante o fim de semana da corrida, e o mais impressionante é o tempo médio de permanência do público: cerca de oito horas por dia no evento.
Isso acontece porque a Fórmula 1 não investe apenas na corrida — que dura cerca de duas horas —, mas em toda a experiência ao redor: shows, ativações de marca, gastronomia, hospitalidade e experiências exclusivas para diferentes perfis de público.
O evento também se consolidou como uma poderosa plataforma de relacionamento corporativo. São mais de 400 empresas que utilizam a Fórmula 1 como ambiente de negócios e hospitalidade, recebendo clientes e parceiros em uma experiência que mistura esporte, entretenimento, gastronomia e networking.
A taxa de renovação dessas empresas chega a 98%, mostrando que a Fórmula 1 deixou de ser apenas patrocínio e passou a ser uma plataforma estratégica de relacionamento e negócios.

Outro dado que impressiona é a demanda do público. Os ingressos para o GP de São Paulo de 2026, cerca de 300 mil, esgotaram em apenas sete minutos. Isso mostra que o valor percebido do evento está muito mais ligado à experiência e à emoção do que apenas à corrida em si.
Durante o painel, um ponto ficou muito claro: grandes eventos não vendem mais ingressos, vendem memórias. A emoção é o que constrói a lembrança, e a lembrança é o que constrói a comunidade. E comunidade, hoje, é um dos ativos mais valiosos de qualquer marca.
A Fórmula 1 entendeu que seu negócio não é apenas automobilismo — é entretenimento, conteúdo, experiência, turismo, relacionamento e comunidade. E talvez esse seja o grande aprendizado para qualquer empresa: no mundo atual, as marcas que crescem não são apenas as que vendem produtos ou serviços, mas as que conseguem criar emoção, pertencimento e histórias que as pessoas queiram viver e contar.
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