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Conflito envolvendo o Irã afeta rotas marítimas e impacta a cadeia global de suprimentos
Os ataques militares conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã, iniciados no sábado (28), e as ações retaliatórias iranianas estão afetando o transporte marítimo no Oriente Médio e gerando impactos na cadeia global de suprimentos.
Após o início da campanha de bombardeios e lançamento de mísseis, o Irã passou a realizar ataques com mísseis e drones contra alvos em diferentes países da região. Com a previsão de continuidade das hostilidades por dias ou semanas, empresas globais de transporte marítimo e especialistas alertam que o envio de cargas, petróleo e combustíveis já sofre interrupções, com reflexos no comércio internacional.
“Especialmente em um ambiente economicamente restrito, diretores de cadeia de suprimentos e seus líderes de logística não devem esperar passivamente para ver o que acontece no Oriente Médio”, afirmou David Gonzalez, vice-presidente analista da Gartner Supply Chain, em comentário enviado por e-mail à Chain Store Age. “Eles devem fortalecer o diálogo proativo e o planejamento de contingência com armadores, operadores de transporte e clientes, enquanto monitoram o impacto potencial de diferentes cenários.”
Gonzalez acrescentou que os executivos da área precisam apoiar suas equipes de logística para “preparar estratégias de mitigação que possam ser implementadas rapidamente, a fim de se antecipar às consequências desses eventos”.
Entre os efeitos já observados está a suspensão de operações no Estreito de Ormuz por grandes companhias de navegação. A via marítima, localizada entre Omã e o Irã, é considerada estratégica para o comércio global. Com a paralisação, cargas da região passam a ser transportadas por uma rota alternativa mais longa, contornando o extremo sul da África, até que as operações possam ser retomadas.
“A segurança de nossas tripulações, embarcações e das cargas de nossos clientes continua sendo nossa principal prioridade”, informou a Maersk, em comunicado oficial publicado em seu site. “Estamos suspendendo todas as travessias de navios no Estreito de Ormuz até novo aviso. Como resultado, serviços que atendem portos no Golfo Árabe podem enfrentar atrasos, redirecionamentos ou ajustes de cronograma.”
A empresa também informou a suspensão de travessias trans-Suez pelo Estreito de Bab el-Mandeb, outra rota estratégica localizada entre a África e o Oriente Médio.
Segundo a CNBC, outras operadoras globais, como a alemã Hapag-Lloyd, a francesa CMA CGM e a suíça MSC, também interromperam ou alteraram suas operações na região.
Em declaração à CNBC, Amrita Sen, fundadora e diretora de inteligência de mercado da Energy Aspects, afirmou que a ameaça de ataques a embarcações já é suficiente para impactar o volume de transporte marítimo.
“Não estamos dizendo que o estreito será fechado, mas o que os Estados Unidos não conseguirão fazer é controlar esses ataques isolados a petroleiros, e isso é suficiente para tornar o mercado extremamente cauteloso ao enviar embarcações para lá”, disse Sen. “E é isso que gera as interrupções.”
De acordo com o jornal The Guardian, seguradoras marítimas como as norueguesas Gard e Skuld, a britânica North Standard e P&I Club, além da American Club, com sede em Nova York, estão cancelando coberturas de risco de guerra no Oriente Médio em razão do conflito.
Imagem: Thoha Firdaus
Informações: Dan Berthiaume para CSA
Tradução livre: Central do Varejo
