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Consumo de bebidas em São Paulo mostra retomada após crise do metanol

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O consumo de bebidas em estabelecimentos noturnos de São Paulo apresenta sinais de recuperação após a crise causada pela adulteração de produtos com metanol. Os dados são de um levantamento da Zig, plataforma de tecnologia e inteligência para o entretenimento ao vivo, divulgado pela Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE).

O estudo analisou o comportamento de 335 mil consumidores únicos, 1,28 milhão de pedidos e 1,85 milhão de produtos vendidos na capital paulista durante os finais de semana de setembro e outubro. O monitoramento aponta que, apesar da retração inicial, o consumo evoluiu rapidamente para um movimento de estabilização e recomposição.

Na segunda metade de outubro, o faturamento semanal passou de R$ 5 milhões para R$ 7,5 milhões entre a segunda e a terceira semana, avanço de 50%. O tíquete médio voltou a oscilar entre R$ 121 e R$ 125, indicando retomada gradual da frequência do público.

Mudanças no mix de bebidas

A crise alterou o perfil das bebidas consumidas. Com maior percepção de risco relacionada ao preparo de drinks e coquetéis, o público passou a priorizar produtos industrializados, lacrados e de preparo simples. As bebidas fermentadas aumentaram sua participação de 48,29% para 65,34% do total, com destaque para a cerveja, que avançou de 46,19% para 61,03%.

As bebidas prontas, como os RTDs (ready to drink), registraram crescimento: a participação passou de 3,88% para 8,07%, com alta de 49,33% no faturamento e de 40,91% na quantidade vendida. As categorias industrializadas concentraram o principal movimento de retomada.

As bebidas destiladas tiveram retração no período. O faturamento do gin caiu 68%, o da vodka 66%, o do whisky 57% e o da cachaça 59%. Segundo o levantamento, a queda está associada ao aumento da percepção de risco envolvendo itens que dependem de manipulação direta durante o preparo.

Apesar disso, o segmento de destilados iniciou um processo de recomposição na segunda metade de outubro, recuperando parte do faturamento perdido. Whisky, vodka e gin apresentaram crescimento entre a segunda e a terceira semana, e o share dos destilados se estabilizou em cerca de 22% do faturamento total, ainda abaixo do período pré-crise.

Comportamento e resiliência do setor

Os dados indicam que os consumidores mantiveram a presença nos estabelecimentos, adotando comportamento mais prudente. Ao longo de outubro, houve recomposição gradual da confiança, o que permitiu ao setor recuperar equilíbrio operacional.

“A última semana já apresentou um desempenho tão bom quanto o de setembro. Do ponto de vista do mix, os destilados também começam a recuperar força, o que indica que novembro deve marcar a retomada plena do consumo no setor”, afirmou Doreni Caramori Júnior, presidente da ABRAPE.

“Os dados mostram um realinhamento do consumo aos fins de semana. O público manteve o lazer, mas com escolhas mais simples e previsíveis. Cerveja e bebidas prontas ganharam espaço enquanto os destilados perderam centralidade. Inteligência de dados é o que permite ajustar portfólio e operação com precisão neste contexto”, declarou David Pires, CIO da Zig.

Imagem: Freepik

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