Franchising
Franchising brasileiro cresce 10,5% em 2025 e ultrapassa R$ 300 bilhões em faturamento
O setor de franquias no Brasil registrou crescimento de 10,5% em 2025 e encerrou o ano com faturamento de R$ 301,7 bilhões, segundo o relatório de desempenho do franchising divulgado pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) na quarta-feira (4).
De acordo com o levantamento, o setor contabilizou 3.297 redes de franquias em operação no país. O número de unidades chegou a 202.444, o que representa aumento de 2,4% em relação ao ano anterior. O franchising também somou cerca de 1,76 milhão de empregos diretos, com crescimento de 2,5%.
Cada unidade franqueada gera, em média, nove empregos diretos no Brasil, segundo os dados apresentados pela ABF.
O desempenho do setor também foi observado no quarto trimestre de 2025. No período, o faturamento das franquias alcançou R$ 89,3 bilhões, crescimento de 10,1% em relação ao mesmo trimestre de 2024.
Entre os segmentos analisados pela pesquisa, todos registraram expansão ao longo do ano. O setor de saúde, beleza e bem-estar liderou em faturamento, com R$ 74,3 bilhões e crescimento de 14,6%. Em seguida aparecem alimentação food service, com R$ 51,8 bilhões e alta de 10,8%, e serviços e outros negócios, que somaram R$ 40,5 bilhões, com aumento de 7,1%.
No recorte de crescimento percentual entre segmentos no quarto trimestre, o destaque foi limpeza e conservação, com alta de 20,4%, seguido por saúde, beleza e bem-estar, que cresceu 17,4%, e alimentação – comercialização e distribuição, com aumento de 11,2%.
Segundo o relatório, fatores como a expansão de serviços, mudanças no comportamento do consumidor e maior demanda por soluções de conveniência contribuíram para o desempenho de alguns desses segmentos.

O levantamento também aponta saldo positivo na abertura de unidades. Em 2025, a taxa de novas operações foi de 18%, enquanto o índice de encerramentos ficou em 6,4%, resultando em saldo positivo de 11,6% no período.
Setor de franchising apresenta crescimento saudável
Para Patricia Cotti, sócia-diretora do Ecossistema Goakira, o avanço do setor reflete uma evolução estrutural do franchising no país. Segundo ela, o crescimento de 2,4% no número de operações, que levou o setor à marca histórica de mais de 202 mil unidades, deve ser analisado em conjunto com o avanço do faturamento.
“O que vemos não é apenas uma expansão quantitativa, mas uma maturação do setor. O fato de o faturamento ter saltado 10,5%, superando a barreira simbólica dos R$ 300 bilhões, enquanto as operações cresceram em ritmo menor, mostra que as unidades estão mais produtivas, eficientes e rentáveis”, afirma. “Em outras palavras, não só o número de operações cresce, mas aquelas existentes se rentabilizam ainda mais.”
Cotti também aponta que as projeções para 2026 indicam continuidade do ritmo de expansão. A ABF estima crescimento entre 8% e 10% no faturamento do franchising no próximo ano.
Para a executiva, o sistema de franquias tem sido uma alternativa para marcas que buscam expandir sem comprometer capital próprio.
“A projeção da ABF mostra que o setor está com o pé no acelerador, com previsões mais otimistas do que a própria previsão de crescimento do varejo. Muito disso se dá pelo fato de que o sistema de franquias é uma dor do próprio mercado, que necessita de formatos de expansão que não comprometam capital próprio. O Brasil ainda tem muita demanda reprimida, e contar com parceiros franqueadores que auxiliem nessa trajetória de expansão é fundamental”, afirma.
Entre os fatores estratégicos para sustentar esse crescimento, Cotti destaca a necessidade de planejamento na expansão das redes e integração entre canais físicos e digitais.
“É importante pensar na dinâmica de territorialidade e no potencial da marca, além das estratégias de suporte diante das novas regiões, de maneira consciente, considerando a capacidade operacional atual de entrega. O pensamento dos canais integrados, com marketing e canais digitais de venda, também se faz importante, em um mundo em que a jornada do consumidor é cada vez mais fluida”, diz.
Segundo a executiva, esse planejamento estrutural é determinante para o desempenho das redes no longo prazo. “É a grande diferença entre ter uma marca sólida e uma expansão sustentável, em comparação com redes que enfrentam problemas de administração.”
Imagem: Envato
