Franchising
Franquias de educação especializada: por que os pais estão buscando alternativas ao ensino tradicional
A decisão de investir em educação sempre foi emocional e, ao mesmo tempo, prática: pais querem ver os filhos aprendendo, evoluindo e ganhando autonomia. O que mudou, nos últimos anos, é que uma parcela crescente das famílias passou a considerar que o ensino tradicional, sozinho, nem sempre dá conta de tudo o que a vida moderna exige, especialmente quando o assunto vai além do conteúdo escolar e entra no território das habilidades socioemocionais, do raciocínio, da concentração e da confiança para aprender.Por isso, a educação especializada vem ganhando espaço.
Em vez de competir diretamente com a escola, muitas soluções se posicionam como complemento: programas para estimular habilidades cognitivas, cursos focados em leitura e escrita, desenvolvimento socioemocional, tecnologia, robótica, idiomas e outras frentes que prometem formar “competências para a vida” e não apenas preparar para provas.
O movimento é grande o suficiente para impactar também o franchising. No Brasil, as redes de franquias do segmento de Educação alcançaram faturamento de R$ 15,5 bilhões em 2024, com avanço de 9% sobre o ano anterior, segundo levantamento setorial da Associação Brasileira de Franchising (ABF). ABF E isso acontece dentro de um mercado de franquias que, como um todo, segue aquecido: o franchising brasileiro faturou R$ 273,083 bilhões em 2024, com crescimento nominal de 13,5% (ABF).
A pergunta que guia essa pauta é simples: por que tantas famílias estão procurando alternativas ao ensino tradicional — e por que o formato de franquia se tornou um caminho tão comum para expandir essas soluções?
O que está por trás da busca por educação especializada
A educação formal continua sendo o eixo central da formação, mas pais e responsáveis têm sentido, na prática, três lacunas recorrentes:
- Dificuldade de aprendizagem e defasagens que se acumulam ao longo do tempo.
- Pouco espaço para habilidades socioemocionais (autogestão, disciplina, colaboração, resiliência, empatia) no dia a dia.
- Necessidade de diferenciais — seja para desempenho escolar, seja para vida acadêmica e profissional futura.
A pandemia acelerou esse processo, porque expôs e ampliou desigualdades e interrupções de aprendizagem. A própria UNESCO estima que, globalmente, em média dois terços de um ano acadêmico foram perdidos por conta do fechamento de escolas durante a Covid-19. UNESCO Na América Latina e Caribe, o Banco Mundial também apontou que estudantes perderam, em média, cerca de dois terços das aulas presenciais desde o início da pandemia e estimou perda de aprendizagem equivalente a 1,5 ano.
Mesmo após a reabertura, muita gente não recuperou o ritmo. Na ponta, isso vira comportamento de consumo: pais que antes só buscavam reforço escolar pontual passam a procurar programas mais estruturados e contínuos, com foco em base cognitiva (atenção, memória, raciocínio) e em rotinas de estudo.
Socioemocional deixou de ser “extra”: virou critério de escolha
Se antes as habilidades socioemocionais eram tratadas como algo desejável, hoje elas entram com mais força na conversa de escola, família e mercado de trabalho.
No Brasil, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) explicita que competência envolve a mobilização de conhecimentos e habilidades práticas, cognitivas e socioemocionais para lidar com demandas do cotidiano e do mundo do trabalho. Serviços e Informações do Brasil Ou seja: a ideia de formar o estudante “por inteiro” está formalizada na diretriz, mas a implementação real varia muito entre redes, escolas e realidades locais.
Em paralelo, pesquisas internacionais ajudam a explicar por que o tema ganhou tração. A OCDE mantém um programa dedicado à medição e ao desenvolvimento dessas competências (Survey on Social and Emotional Skills), justamente para entender quais condições ajudam ou atrapalham o crescimento socioemocional em jovens. Esse tipo de estudo reforça uma percepção que os pais já têm no cotidiano: aprender não é só absorver conteúdo — é também ter motivação, persistência, autocontrole, organização e confiança.
Na prática, quando uma criança ou adolescente melhora foco e disciplina, o resultado aparece em várias áreas: desempenho escolar, convivência, rotina de estudos e até bem-estar. Por isso, muitas famílias enxergam valor em educação especializada que atue nessa base, sem depender exclusivamente do calendário escolar.
Quando os indicadores assustam, o “complemento” vira prioridade
Outra camada que pesa na decisão das famílias são os resultados educacionais. No PISA 2022 (avaliação internacional), o Brasil registrou média de 403 pontos em Ciências, e o relatório divulgado pelo Inep destaca que 55% dos estudantes ficaram abaixo do nível 2 (patamar mínimo de proficiência) nessa disciplina.
Para parte dos pais, números assim reforçam a sensação de que não dá para apostar apenas no sistema, é preciso construir repertório e habilidades adicionais. E aqui há um ponto relevante: muitas soluções de educação especializada não prometem “substituir” a escola; elas vendem a ideia de melhorar a capacidade de aprender, o que pode impactar qualquer matéria.
Por que franquias se encaixam tão bem nesse mercado
O franchising entrou forte em educação por um motivo simples: educação é serviço, e serviço depende de padrão. Para o consumidor, consistência importa: método, formação de equipe, materiais, jornada do aluno, acompanhamento e resultados percebidos.
Nesse contexto, franquias conseguem escalar porque oferecem:
- Metodologia estruturada (com roteiro, materiais e treinamento).
- Marca e reputação (reduzindo insegurança do consumidor).
- Processos operacionais e comerciais (captação, retenção, recorrência).
- Suporte ao franqueado (implantação, marketing, gestão).
A própria ABF, ao olhar para o recorte de educação, mostra uma dinâmica interessante: o segmento cresceu em faturamento de forma consistente desde 2021, chegando aos R$ 15,5 bilhões em 2024. Para redes que operam com tickets recorrentes (mensalidade/planos), isso é especialmente relevante: previsibilidade tende a sustentar expansão.
O que os pais compram quando compram educação especializada
Em entrevistas e conversas de corredor — em reuniões escolares, grupos de pais e WhatsApp — o discurso se repete: “meu filho é inteligente, mas não consegue se organizar”, “tem potencial, mas se distrai”, “vai bem quando tem acompanhamento”, “precisa de confiança”.
Por isso, as propostas que mais crescem costumam se posicionar em três frentes:
1) Habilidades cognitivas (base de aprendizagem)
Atenção, concentração, memória de trabalho, raciocínio lógico, velocidade de processamento. Não é sobre decorar conteúdo; é sobre melhorar a engrenagem.
2) Socioemocional (comportamento e rotina)
Disciplina, persistência, tolerância à frustração, comunicação, cooperação. São fatores que sustentam o aprendizado — e também a convivência.
3) Diferenciais (o “a mais” que abre portas)
Idiomas, tecnologia, robótica, programação, oratória, pensamento crítico. Aqui, o pai compra perspectiva: “quero que meu filho esteja pronto para o futuro”.
E esse futuro aparece também nas expectativas do mercado de trabalho. Relatórios globais sobre tendências de habilidades, como o do World Economic Forum, reforçam a valorização de competências humanas — como pensamento criativo e resiliência — à medida que tecnologia e automação avançam.
Educação especializada com foco em cognição e socioemocional
Um exemplo emblemático desse mercado é o Supera, rede que opera com uma proposta de estimulação cognitiva e desenvolvimento de habilidades que impactam o aprender.
Com mais mais de 250 franquias no Brasil e mais de 280 mil vidas transformadas, a rede trabalha aspectos como criatividade, concentração, foco, raciocínio lógico, autoestima e disciplina.
Além dos números, o que faz o case ser relevante para a pauta é a aderência ao que as famílias vêm buscando: educação especializada que não se limita a reforço escolar tradicional, mas tenta atuar na base cognitiva e no conjunto de competências que sustentam a aprendizagem.
A tendência de educação especializada parece menos uma moda e mais uma resposta a mudanças estruturais:
- Famílias mais informadas e menos dispostas a “esperar passar”.
- Desafios de aprendizagem mais visíveis, com defasagens que não se resolvem em curto prazo.
- Valorização das habilidades humanas (cognitivas e socioemocionais) como diferencial de vida e carreira.
- Modelos de negócio escaláveis, como franquias, oferecendo padronização e suporte.
Os pais não estão abandonando o ensino tradicional. Eles estão adicionando camadas — e escolhendo com mais critério onde investir tempo e dinheiro. Para marcas e redes, a oportunidade está em oferecer uma experiência que seja, ao mesmo tempo, acessível, mensurável e consistente.
Imagem: Envato
