Comportamento

Geração Alfa impulsiona demanda por experiências em lojas físicas, aponta WGSN

Relatório indica que nascidos entre 2011 e 2025 preferem experiências presenciais e têm potencial de consumo equivalente ao de millennials e Geração Z somados

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Apesar de crescerem em ambiente altamente digitalizado, os integrantes da Geração Alfa (nascidos entre 2011 e 2025) demonstram preferência por compras em lojas físicas em relação ao comércio eletrônico. É o que aponta relatório da WGSN, plataforma global de tendências de mercado e comportamento do consumidor.

Segundo o levantamento, 69% dos jovens britânicos entre 6 e 16 anos afirmam preferir comprar em estabelecimentos físicos a realizar compras pela internet, dado apurado pela consultoria VML. A tendência é atribuída, em parte, ao período de isolamento social imposto pela pandemia de Covid-19, quando as interações dessa geração ocorreram predominantemente em plataformas digitais e ambientes de jogos.

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Poder de compra em ascensão

A Geração Alfa deve atingir poder de compra próximo a US$ 5,46 trilhões até 2029, montante equivalente ao de millennials e Geração Z combinados, conforme projeções citadas pela WGSN. Nos Estados Unidos, o poder de compra anual médio por indivíduo da geração já chega a US$ 3.484, valor que representa crescimento de quase 50% em relação a 2024, segundo dados da Axios.

Pesquisa do The Harris Poll de 2025 indica que 86% de millennials e integrantes da Geração Z afirmam que a possibilidade de tocar produtos é determinante na decisão de compra, comportamento que, segundo a WGSN, tende a se replicar ou se intensificar entre os Alfas.

O ponto de venda como espaço de experiência

O relatório identifica o espaço físico de varejo como ponto estratégico para a formação de vínculos com essa geração. Para 57% dos consumidores globais entrevistados pelo EY Future Consumer Index (pesquisa abrangendo 30 países), ver, tocar e sentir os produtos antes da compra ainda é uma etapa relevante na jornada de consumo.

A WGSN aponta que 66% dos Alfas americanos entre 9 e 13 anos afirmam estar dispostos a pagar mais por produtos físicos do que por opções exclusivamente digitais, segundo pesquisa da Razorfish (2025). O documento também destaca que consumidores tendem a comprar mais de marcas que provocam reações emocionais como alegria (49%) ou encantamento (45%), em comparação com as que apenas entregam o prometido (26%).

Influência de amigos e família

Entre os fatores que mais influenciam as decisões de compra da Geração Alfa, amigos (61%) e familiares (56%) aparecem no topo, de acordo com pesquisa conduzida nos Estados Unidos e no Reino Unido pela VML.

Flagship da Lush em Sydney. Imagem: Reprodução/Lush

Estratégias mapeadas pela WGSN

O relatório elenca quatro diretrizes para varejistas que buscam se posicionar junto a esse público. A primeira diz respeito ao estímulo sensorial: o documento recomenda que marcas invistam em pontos de contato que envolvam múltiplos sentidos, com uso de som, aroma e elementos táteis. A segunda orienta varejistas a criar oportunidades para que o consumidor expresse individualidade por meio de produtos personalizáveis e acessíveis.

A terceira diretriz sugere a criação de ambientes que favoreçam a sociabilidade, com espaços voltados para novas conexões e fortalecimento de vínculos existentes. Por fim, a WGSN recomenda que as marcas posicionem a loja física como destino para experiências compartilhadas entre famílias, indo além da função transacional do ponto de venda.

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Flagship da The North Face em Londres. Imagem: The North Face/Mood Media

Casos citados no relatório

Entre os exemplos mencionados pela WGSN, estão a nova flagship da Pop Mart no shopping ICONSIAM, em Bangkok, que recria os universos de personagens da marca chinesa em escala real; a loja de três andares da marca indiana de tênis Gully Labs, em Delhi, com museu dedicado à fabricação artesanal de calçados; e a reformulação da flagship da Lush Cosmetics no Queen Victoria Building, em Sydney, com espaço dedicado a serviços personalizados de skincare.

A The North Face também é citada como exemplo de aposta sensorial: em parceria com a empresa Mood Media, a marca transformou sua loja principal em Londres em um espaço com painel de LED, trilha sonora curada e fragrância exclusiva desenvolvida para a unidade.

Imagem destacada: Reprodução/Pop Mart Thailan

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