Comportamento
Mercado de segunda mão nos EUA deve superar US$ 78 bilhões até 2030, aponta relatório
O mercado de roupas de segunda mão nos Estados Unidos deve atingir US$ 78,8 bilhões até 2030, com crescimento médio anual de cerca de 7,3%, segundo o relatório “2026 Resale Report”, da ThredUp, elaborado em parceria com a GlobalData.
Globalmente, o setor de revenda deve alcançar US$ 393 bilhões até o fim da década, com expansão superior à do mercado total de vestuário. Em 2025, o segmento de segunda mão nos Estados Unidos cresceu quase quatro vezes mais rápido do que o varejo tradicional de roupas.
De acordo com o estudo, a participação do resale na indústria está aumentando. “A revenda não está apenas crescendo, ela está ganhando participação direta de mercado”, afirmou James Reinhart em comunicado.
O avanço do setor é impulsionado principalmente por consumidores mais jovens. As gerações Z e millennials devem responder por mais de 70% do crescimento do mercado até 2030, com novos compradores representando a maior parte dos gastos.
O comportamento de compra também tem se diversificado. Segundo o relatório, 46% dos consumidores descobrem produtos de segunda mão por meio de redes sociais, criadores de conteúdo e experiências presenciais, além dos marketplaces tradicionais.
O uso de tecnologia também tem influenciado a jornada de compra. Cerca de 48% dos consumidores afirmaram utilizar ferramentas de inteligência artificial durante o processo de busca por itens usados, enquanto 63% disseram se sentir confortáveis com compras realizadas por agentes automatizados.
Para Neil Saunders, o setor passa por uma nova fase de desenvolvimento. “O mercado global de segunda mão está entrando em uma fase mais competitiva e estruturalmente complexa. Com a geração Z e os millennials impulsionando a maior parte desse valor, a infraestrutura de descoberta precisa evoluir para os feeds sociais onde esses consumidores estão”, afirmou em nota.
Outros levantamentos indicam que o consumo de itens usados também tem ganhado espaço em momentos sazonais. Durante as compras de fim de ano de 2025, consumidores planejaram destinar cerca de 40% de seus orçamentos a produtos de segunda mão.
Relatório do Wells Fargo apontou ainda crescimento de 8,5% nas vendas de varejistas classificados como “miscellaneous store retailers”, movimento que pode estar relacionado à maior demanda por itens usados.
“Suspeitamos que parte do aumento de tráfego nessa categoria esteja relacionada à tentativa das famílias de reduzir o impacto das tarifas ao comprar produtos usados”, afirmaram economistas do banco. “Grandes varejistas como Patagonia e até marcas de luxo lançaram programas de revenda.”
Imagem: Daphne Howland
Informações: Tatiana Walk-Morris para Retail Dive
Tradução livre: Central do Varejo
