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Nike corta 775 postos de trabalho e amplia automação em centros de distribuição nos EUA
A Nike anunciou o corte de 775 postos de trabalho, concentrados principalmente em seus centros de distribuição nos Estados Unidos. As demissões afetam, sobretudo, unidades localizadas nos estados do Tennessee e do Mississippi, segundo informações obtidas pela CNBC com pessoas familiarizadas com o assunto.
Os cortes se somam às cerca de 1.000 demissões em cargos corporativos anunciadas pela empresa no verão passado. Em comunicado enviado à CNBC, a Nike informou que a medida está relacionada à aceleração do uso de automação em suas operações logísticas e ao objetivo de melhorar resultados financeiros.
De acordo com a empresa, as demissões atingem majoritariamente a operação de distribuição nos Estados Unidos e foram estruturadas para “reduzir a complexidade, melhorar a flexibilidade e construir uma operação mais responsiva, resiliente, responsável e eficiente”.
“Estamos tomando medidas para fortalecer e simplificar nossas operações, para que possamos nos mover mais rápido, operar com maior disciplina e atender melhor atletas e consumidores”, afirmou a Nike no comunicado. “Estamos ajustando nossa estrutura de cadeia de suprimentos, acelerando o uso de tecnologia avançada e automação e investindo nas competências que nossas equipes precisarão no futuro.”
A companhia não informou quantos trabalhadores atuam, ao todo, nos centros de distribuição nos Estados Unidos. A Nike acrescentou que os cortes fazem parte da estratégia para retomar o “crescimento lucrativo de longo prazo” e melhorar margens.
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O avanço da automação e da inteligência artificial em empresas norte-americanas tem impactado funções ligadas à logística. Em 2025, a UPS anunciou planos de reduzir cerca de 48 mil postos de trabalho, em parte devido à maior automação de suas instalações. No caso da Nike, não foram detalhadas as tecnologias que serão adotadas nem o peso exato da automação nas demissões anunciadas.
As mudanças ocorrem no contexto do esforço de reestruturação liderado pelo CEO Elliott Hill, após um período de desaceleração nas vendas e de redução das margens. As dificuldades se intensificaram após a gestão do ex-executivo John Donahoe, que priorizou uma estratégia de venda direta ao consumidor, com foco em lojas e canais próprios, em detrimento de parceiros do atacado.
Segundo fontes ouvidas pela CNBC, essa estratégia levou à expansão dos centros de distribuição e do número de funcionários, sem volume suficiente para sustentar o nível de pessoal. Sob a liderança de Hill, a Nike tem buscado retomar relações com parceiros de atacado, reduzir estoques antigos e impulsionar a inovação.
Ao divulgar os resultados do segundo trimestre fiscal, em dezembro, a empresa informou que o lucro líquido caiu 32%, impactado por tarifas, custos associados ao processo de reestruturação e pela desaceleração do mercado chinês, considerado estratégico para a companhia.
Imagem: Reprodução
Informações: Sara Eisen, Gabrielle Fonrouge e Jessica Golden para CNBC
Tradução livre: Central do Varejo
