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O caminho do varejo sustentável: Como as empresas estão adotando práticas ecológicas

Nos últimos anos, a sustentabilidade tornou-se uma das principais exigências do mercado, impulsionada por consumidores cada vez mais conscientes sobre os impactos ambientais das suas escolhas de consumo. Um estudo realizado pela Nielsen indica que 66% dos consumidores globais afirmam estar dispostos a pagar mais por produtos e serviços de marcas que se preocupam com questões sociais e ambientais , refletindo uma demanda crescente por práticas mais ecológicas no mercado.
O setor varejista, regularizando essa tendência, tem práticas consideradas sustentáveis em suas estratégias de vendas, não apenas como uma forma de se adaptar a esse novo comportamento de compra, mas também como uma maneira de se destacar no mercado competitivo atual.
A adoção de práticas sustentáveis no varejo não é apenas uma tendência passageira, mas uma resposta a uma pressão crescente da sociedade, dos governos e, principalmente, dos consumidores. Estima-se que 73% dos brasileiros se preocupam com questões ambientais na hora de consumir, de acordo com pesquisa da IPSOS.
Esse cenário levou empresas de diversos segmentos a compensar suas operações, desde a escolha de fornecedores até as práticas de marketing. Um exemplo disso são as marcas que adotam a produção de produtos com menor impacto ambiental, seja utilizando materiais recicláveis, orgânicos ou biodegradáveis, ou mesmo implementando processos mais eficientes e com menor emissão de carbono.
O consumo consciente também levou muitas empresas a repensarem suas embalagens, reduzindo o uso de plásticos e optando por alternativas mais sustentáveis, como papel reciclado ou embalagens compostáveis.
De acordo com o estudo “The New Plastics Economy” da Ellen MacArthur Foundation, mais de 40% dos plásticos consumidos globalmente são usados em embalagens , e reduzir seu uso poderia contribuir significativamente para a redução da pegada ambiental do setor.
Além das mudanças na cadeia produtiva, o ponto de venda também foi transformado para práticas mais sustentáveis. Muitas redes varejistas estão investindo em tecnologias que diminuem o consumo de energia, como sistemas de iluminação LED e climatização eficiente.
A eficiência energética tem se mostrado uma prioridade, com pesquisas mostram que as lojas que adotam tecnologias sustentáveis podem reduzir seus custos operacionais em até 30% . Além disso, o uso de energia renovável tem sido mostrado uma prática crescente, com várias empresas aderindo a modelos de energia solar e eólica para alimentar suas lojas e centros de distribuição. Por exemplo, a rede de supermercados Walmart anunciou que pretende abastecer 50% de suas operações com energia renovável até 2025.
Outro aspecto importante é a implementação de políticas de logística reversa, onde as empresas se responsabilizam pelo destino final de seus produtos após o uso do consumidor, como a coleta e reciclagem de itens como eletrônicos, embalagens e roupas. O conceito de economia circular , que visa a redução, reutilização e reciclagem de produtos, está ganhando cada vez mais relevância.
No Brasil, empresas como a Natura e a Ambev já estão adotando práticas que promovem a devolução de embalagens para serem reutilizadas, contribuindo para a redução do impacto ambiental.
No âmbito do design das lojas, a sustentabilidade também ganha destaque. Algumas redes varejistas estão repensando seus layouts para incorporar materiais reciclados na decoração, além de promover ações como a redução do uso de papéis e a eliminação de materiais não recicláveis nos pontos de venda.
Em um estudo da Accenture, 50% dos consumidores globais afirmaram que gostariam de ver mais iniciativas de sustentabilidade inovadoras nas lojas físicas.
Integrar práticas ecológicas no varejo não é apenas uma questão de responsabilidade ambiental, mas também uma estratégia inteligente de negócios. Empresas que incorporam a sustentabilidade em suas operações se conectam de maneira mais profunda com os consumidores, estabelecendo um vínculo baseado em valores compartilhados. Isso se traduz em maior lealdade do cliente e um diferencial competitivo cada vez mais relevante.
Além disso, a transparência tem sido mostrada um fator crucial nesse processo. Marcas que divulgam claramente seus compromissos ambientais, como redução de emissões de carbono ou iniciativas de economia circular, conquistam a confiança do público.
Embora o varejo sustentável tenha avançado consideravelmente nos últimos anos, ainda existem desafios a serem superados. A logística, por exemplo, continua sendo um dos maiores obstáculos para uma cadeia de suprimentos 100% sustentável.
O transporte de mercadorias em grande escala gera emissões de carbono, e muitas empresas ainda não conseguiram encontrar alternativas viáveis para uma logística completamente ecológica. De acordo com um relatório da Agência Internacional de Energia (AIE), o setor de transporte é responsável por cerca de 25% das emissões globais de CO2 .
Além disso, uma mudança no comportamento do consumidor também é uma tarefa exigida. Embora muitos consumidores afirmem se preocupar com a sustentabilidade, nem todos estão dispostos a pagar mais por produtos sustentáveis, especialmente em um cenário econômico de alta inflação e incertezas financeiras. Para que a sustentabilidade se torne uma prática comum, é necessário que ela seja incorporada ao cotidiano de maneira acessível e atraente para o público em geral.
O varejo sustentável é um movimento em crescimento, mas ainda está em evolução. Com a pressão social, regulatória e econômica, as empresas terão que continuar inovando e adaptando suas operações para se alinharem às expectativas de um consumidor cada vez mais exigente. A sustentabilidade, que antes era vista como uma vantagem competitiva, hoje é um requisito básico para as marcas que desejam se manter relevantes no mercado.
Para os próximos anos, espera-se que o comércio sustentável se expanda ainda mais, incorporando tecnologias verdes, práticas de economia circular, e, especialmente, iniciativas que visem reduzir os impactos ambientais ao longo de toda a cadeia de valor.
Nesse cenário, o papel do consumidor será fundamental: à medida que ele exige mais opções ecologicamente corretas e pune empresas que não se adaptam, o varejo será solicitado a acelerar a transição para um modelo de negócios mais consciente e responsável.
Em um mundo cada vez mais atento às questões ambientais, a sustentabilidade não é mais uma opção para o setor varejista, mas uma necessidade. Adotar práticas ecológicas nas estratégias de vendas não apenas atende às exigências do consumidor, mas também contribui para a construção de um futuro mais sustentável.
Para que as empresas prosperem neste novo cenário, será necessário continuar inovando, educando e se conectando com os consumidores em um nível mais profundo, baseado em valores que realmente são importantes para o futuro do nosso planeta.
(*) Gustavo Malavota, Sócio fundador do Grupo Mola, fundador do Instituto Vendas, ,Mestre em Gestão e Desenvolvimento, graduado em Marketing pela ESPM e criador do método “10 Ações em Vendas”.