Colunistas
Por trás dos novos espaços da Stanley: o desafio de transformar conceito em experiência
Algumas mudanças de marca não acontecem só na comunicação; elas vão aparecendo aos poucos, no jeito como o produto é visto, usado e inserido no dia a dia das pessoas. Com a Stanley, esse movimento ficou bem claro.
O que antes tinha um papel mais funcional, aos poucos foi ganhando novos significados, novos públicos e novos momentos de uso. E, junto com essa mudança, surgiu também a necessidade de levar tudo isso para o espaço físico, repensando a experiência que a marca oferecia.
Mais do que criar um novo ponto de venda, o desafio era dar forma a essa nova fase da marca, transformar conceito em experiência, de um jeito leve, próximo e que fizesse sentido com tudo o que ela passou a representar.
Do produto ao lifestyle com a Stanley
Durante muito tempo, a marca esteve ligada a um lifestyle mais masculino, voltado para momentos de camping, pesca e atividades ao ar livre. Era um produto resistente, funcional, quase como uma ferramenta. Algo que fazia parte do lazer, mas com um olhar mais prático.Com o tempo, isso começou a mudar.
A Stanley deixou de ser vista só como um objeto de uso e passou a fazer parte da rotina. O que antes era funcional, ganhou novos significados. Virou acessório, companhia do dia a dia e um item de afirmação de status.
Hoje, ela está presente em vários momentos, seja no copinho do café, na garrafa da academia ou na taça para o drink com as amigas. A marca se aproxima de uma mulher atual, que vive várias versões de si no mesmo dia e que valoriza produtos que acompanham esse ritmo de forma estilosa e funcional.
Mais do que utilitário, o produto passa a ser um símbolo. De estilo, pertencimento, comunidade e status.
E quando essa mudança acontece, a marca evolui junto. E o espaço precisa acompanhar esse novo momento.

O desafio de traduzir marca em espaço
Foi a partir desse novo momento que começamos a pensar no conceito. Antes mesmo de existir um ponto definido, o processo já tinha começado no desenvolvimento do projeto conceitual. A ideia era entender como essa nova fase da marca poderia ser levada para o ambiente físico.
O desafio era transformar um quiosque já conhecido em algo que refletisse essa mudança, sem perder a essência da marca. Começamos pelo mais importante, a sensação do espaço.
Trouxemos uma paleta mais clara, com tons neutros e suaves, e pontos de cor que conversam com essa nova fase. Os tons de creme e rosa, que lembram baunilha e milkshake, ajudam a criar um ambiente mais leve e acolhedor.
Elementos mais pesados deram lugar a uma estética mais limpa e feminina. A iluminação ficou mais valorizada, os materiais mais suaves e tudo começou a transmitir exatamente o que a marca queria nesse momento. Algo mais leve, mais presente no dia a dia e mais conectado com o público e a nova persona.
Mais do que mudar a estética, era sobre mudar a forma como o espaço é sentido, fazendo parte da nova estética clean da comunidade.

Quiosques e lojas como experiência de marca
O primeiro projeto da Stanley neste formato foi inaugurado em Bauru, onde conseguimos acompanhar a montagem de perto e entender na prática como tudo funcionava. E foi ali que outro ponto ficou muito claro, a marca precisava crescer rápido.
Com vários quiosques de franqueados já em andamento, o projeto não podia ser pensado como algo único. Ele precisava funcionar em diferentes lugares, de forma prática e eficiente, por isso a solução foi trabalhar com módulos.
Criamos um quiosque que pode ser desmontado, adaptado e montado novamente em outros espaços. Isso trouxe mais agilidade para a implantação e facilitou muito a expansão.
Ao mesmo tempo, cada novo ponto exigia atenção ao fluxo de pessoas, localização no shopping e visibilidade da marca. Tudo foi sendo ajustado de acordo com cada espaço, sem perder a ideia principal do projeto.
Enquanto isso, vários projetos foram acontecendo ao mesmo tempo, cada um com suas particularidades, mas todos seguindo o mesmo conceito.
No fim, esses espaços deixam de ser só pontos de venda, eles passam a ser pontos de conexão, nos quais a marca se aproxima de verdade das pessoas.
O que o varejo pode aprender com esse movimento?
Esse movimento mostra como o espaço físico pode acompanhar a evolução de uma marca como a Stanley.
Quando existe conexão entre o que a marca comunica, o que ela entrega e o ambiente que ela cria, tudo fica mais natural. A arquitetura deixa de ser só suporte e passa a fazer parte da experiência do consumidor, trazendo personalidade e uma extensão da identidade da marca para o seu próprio espaço.
E, no fim, o que mais importa é isso, criar espaços que vendem, mas que também acolhem, representam e criam conexão com quem está ali.
Imagens: Divulgação

*Júlia Castro é arquiteta e supervisora de projetos na GDesign, com foco em arquitetura comercial e expansão de marcas. Atua na liderança de projetos de rollout, integrando estratégia, identidade e viabilidade técnica para garantir consistência e performance nos pontos de venda.
