Economia
Reforma tributária: varejo enfrenta desafios operacionais; entenda
A implementação da reforma tributária no Brasil tem ampliado os desafios operacionais e estratégicos do varejo, que precisará revisar processos, sistemas e políticas de preços ao longo dos próximos anos. O período de transição do novo modelo começou em 2026 e deve se estender até 2033, quando as mudanças estarão totalmente consolidadas.
Durante esse intervalo, as empresas terão de lidar simultaneamente com o sistema atual e o novo modelo tributário, o que tende a aumentar a complexidade das operações. O setor, que já enfrenta margens reduzidas e pressão de custos, passa a demandar maior nível de planejamento e controle para evitar inconsistências fiscais.
Novo modelo exige adaptação estrutural
A reforma prevê a substituição de tributos como ICMS, ISS, PIS, Cofins e IPI por dois novos impostos: o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), baseados no conceito de Imposto sobre Valor Agregado (IVA).
A primeira etapa relevante dessa mudança está prevista para janeiro de 2027, quando entram em vigor novas regras relacionadas a PIS e Cofins. A partir daí, as empresas precisarão ajustar seus sistemas e processos para se adequar à nova estrutura tributária.
Segundo Ana Anaia, da Thomson Reuters, a transformação vai além da legislação e envolve mudanças em tecnologia, governança e organização de dados. Já Edinilson Apolinário destaca que o período atual deve ser utilizado para antecipar ajustes e preparar as operações para a transição.

Revisão de preços e contratos ganha importância
Entre os principais impactos para o varejo está a necessidade de revisar estratégias de precificação. Com a mudança na estrutura de impostos, as empresas terão de recalcular margens e avaliar possíveis repasses ao consumidor.
Além disso, contratos com fornecedores, parceiros logísticos e prestadores de serviços também devem ser reavaliados. A adequação desses acordos será necessária para alinhar responsabilidades tributárias e reduzir riscos operacionais.
Outro ponto de atenção está na gestão de operações multicanais. Com o aumento da complexidade tributária, empresas que atuam em diferentes canais — físico e digital — precisarão garantir maior consistência de dados ao longo de toda a jornada de venda.
Tecnologia e dados ganham protagonismo
A adaptação ao novo modelo tributário deve exigir investimentos em tecnologia. A integração de sistemas e o uso de soluções em nuvem aparecem como alternativas para lidar com o aumento da volumetria de dados e com a necessidade de maior precisão nas informações fiscais.
De acordo com Francisco Ritondaro, CEO da Gouvêa Malls, a nova dinâmica tende a elevar a exigência por consistência de dados e integração entre sistemas. Isso inclui maior volume de emissões fiscais e necessidade de controle mais rigoroso das operações.
Além da estrutura interna, a preparação da cadeia de fornecedores também se torna um fator crítico. Empresas que estiverem prontas para a transição ainda poderão enfrentar dificuldades caso seus parceiros não estejam adaptados ao novo modelo.

Nível de preparação ainda é desigual
O levantamento do Thomson Reuters Institute indica que o nível de preparação das empresas brasileiras ainda varia significativamente. Cerca de 35% das companhias já estão em estágio avançado de adaptação, participando de testes e avaliando impactos financeiros. Outras 33% se encontram em estágio intermediário, enquanto 25% ainda adotam uma postura mais passiva, acompanhando as mudanças sem ações estruturadas.
Esse cenário pode gerar riscos à medida que os prazos se aproximam. Especialistas apontam que a antecipação das adaptações será essencial para evitar gargalos operacionais e garantir conformidade com as novas regras.
Transição exige planejamento de longo prazo
Com um cronograma que se estende até 2033, a reforma tributária impõe ao varejo a necessidade de planejamento contínuo. A convivência entre dois sistemas tributários por vários anos exigirá capacidade de adaptação e revisão constante de processos.
A combinação entre ajustes fiscais, investimentos em tecnologia e reestruturação de contratos deve definir a capacidade das empresas de atravessar o período de transição com menor impacto operacional.
Diante desse cenário, a adoção de soluções que integrem dados, automatizem processos e reduzam riscos tende a se tornar um diferencial competitivo no setor.
- Com informações de Mercado & Consumo
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