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Saks Global entra com pedido de falência nos Estados Unidos

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A Saks Global, controladora das redes Saks Fifth Avenue, Neiman Marcus e Bergdorf Goodman, entrou com pedido de falência sob o Chapter 11 da legislação dos Estados Unidos. O processo foi protocolado após a empresa enfrentar dificuldades para honrar compromissos financeiros, em meio a um elevado nível de endividamento.

A companhia vinha registrando restrições de caixa desde a aquisição da Neiman Marcus, concluída em 2024 por US$ 2,7 bilhões, operação majoritariamente financiada por dívida. Segundo informações divulgadas anteriormente pela CNBC, a empresa também enfrentou obstáculos para estruturar o financiamento necessário para o processo de recuperação judicial, diante de preocupações de investidores quanto à capacidade de reorganização do negócio.

Com o pedido de proteção, a Saks Global anunciou mudanças na liderança. O ex-CEO da Neiman Marcus, Geoffroy van Raemdonck, assume imediatamente o cargo de diretor-presidente, substituindo Richard Baker, que estava na função havia duas semanas. Baker, no entanto, já tinha histórico de envolvimento com a Saks desde 2013, quando a empresa foi adquirida pela Hudson’s Bay.

A nova equipe executiva inclui executivos com passagem pela Neiman Marcus. Darcy Penick, ex-presidente da Bergdorf Goodman, foi nomeado presidente e diretor comercial da Saks Global. Já Lana Todorovich, ex-diretora de merchandising da Neiman Marcus, assumiu a posição de chefe global de parcerias de marca.

Antes do pedido de falência, a Saks Global garantiu US$ 1,75 bilhão em novo financiamento junto a detentores de títulos com garantia e credores lastreados em ativos. Desse total, US$ 1 bilhão correspondem ao financiamento debtor-in-possession (DIP), que será utilizado para manter as operações durante o processo de Chapter 11. Outros US$ 500 milhões deverão ficar disponíveis após a saída da empresa da recuperação judicial, prevista para ainda este ano. Além disso, os credores baseados em ativos forneceram US$ 240 milhões adicionais em liquidez.

O pedido de falência ocorreu semanas após a empresa deixar de pagar juros devidos a detentores de títulos, no fim do mês anterior. Ainda não está definido o futuro das cerca de 200 lojas sob o grupo, que incluem unidades da Saks Fifth Avenue, da operação off-price, além das redes Neiman Marcus e Bergdorf Goodman.

Em comunicado, a empresa informou que está “avaliando sua estrutura operacional” para concentrar recursos onde identifica “maior potencial de longo prazo”, o que pode resultar na redução do número de lojas nos próximos meses, com o objetivo de diminuir custos fixos.

“Este é um momento decisivo para a Saks Global, e o caminho à frente apresenta uma oportunidade relevante para fortalecer a base do nosso negócio e posicioná-lo para o futuro”, afirmou van Raemdonck, em nota. Segundo ele, “em estreita parceria com esses novos líderes e com nossos colegas em toda a organização, vamos conduzir esse processo mantendo o foco em atender nossos clientes e marcas de luxo. Espero exercer o papel de CEO e continuar transformando a empresa para que a Saks Global siga desempenhando um papel central na definição do futuro do varejo de luxo”.

Apesar de atender consumidores de alta renda, a empresa já enfrentava dificuldades financeiras antes mesmo da aquisição da Neiman Marcus. Após a operação, a expectativa era de redução do endividamento e aumento da liquidez, além do fortalecimento do poder de negociação com marcas, apoiado pela entrada de novos investidores do setor de tecnologia, como Amazon e Salesforce.

No entanto, a reestruturação esperada não se concretizou. A empresa chegou a adotar prazos de pagamento mais longos, de até 90 dias, o que gerou insatisfação entre fornecedores. Posteriormente, voltou a atrasar pagamentos, resultando em redução de sortimento e queda nas vendas. Mesmo com a captação de US$ 600 milhões em novos recursos e a venda de ativos imobiliários ao longo de 2025, as medidas não impediram o pedido de proteção contra falência.

Imagem: Reprodução
Informações: Gabrielle Fonrouge para CNBC
Tradução livre: Central do Varejo

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