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Unilever anuncia pausa global nas contratações por três meses em meio a impactos de conflito no Oriente Médio
A Unilever anunciou a implementação imediata de uma pausa global nas contratações por pelo menos três meses, em meio a impactos decorrentes do conflito no Oriente Médio. A medida foi comunicada internamente a funcionários em memorando enviado na semana passada e divulgado pela Reuters.
De acordo com a Unilever, a suspensão temporária das admissões afetará todos os níveis da organização. No documento, Fabian Garcia, presidente da divisão de cuidados pessoais da companhia, afirmou que “realidades macroeconômicas e geopolíticas, especialmente o conflito no Oriente Médio… trazem alguns desafios significativos para os próximos meses”.
Em comunicado à CNBC, a empresa declarou: “Refletindo o ambiente externo incerto, decidimos implementar uma pausa temporária em nossas contratações. Continuamos sendo um negócio ágil e sempre ajustaremos nossos planos conforme necessário”.
A Unilever possui cerca de 96 mil funcionários e opera em 190 países, com atuação nas áreas de beleza e bem-estar, cuidados pessoais, cuidados com o lar e alimentos.
A decisão ocorre em um contexto em que a empresa já vinha executando um plano de redução de custos anunciado em 2024, que prevê economia de 800 milhões de euros e a eliminação de 7,5 mil cargos administrativos. Até o fim de 2025, 670 milhões de euros já haviam sido economizados, com previsão de mais 130 milhões de euros em 2026, segundo o relatório financeiro mais recente.
O setor de bens de consumo está entre os impactados pela guerra entre Estados Unidos e Irã, iniciada em 28 de fevereiro, que elevou o preço do petróleo para mais de US$ 100 por barril. O movimento tem gerado preocupações com o custo dos combustíveis e pressões inflacionárias sobre alimentos, transporte e produtos domésticos.
Dados da International Air Transport Association indicam que os preços do combustível de aviação subiram 103% em relação ao mês anterior, considerando a semana encerrada em 27 de março, afetando diretamente companhias aéreas.
No varejo, empresas como Next plc e H&M alertaram para possíveis aumentos de preços caso a instabilidade na região persista nos próximos meses. O cenário inclui impactos nas cadeias de suprimentos e pressão sobre o consumo de itens discricionários.
O conflito também pode afetar os preços globais de alimentos, diante da interrupção no transporte de fertilizantes. Mais de um terço do comércio global desses insumos passa pelo Estreito de Ormuz. Segundo economistas ouvidos pela CNBC, o encarecimento pode elevar os custos de produção agrícola no período de plantio, com reflexos nos preços ao consumidor nos próximos meses.
Imagem: Reprodução
Informações: Sawdah Bhaimiya para CNBC
Tradução livre: Central do Varejo
