Comportamento

Uso de medicamentos para perda de peso pode impulsionar vendas de roupas nos EUA

Popularização dos GLP-1 leva consumidores a renovar o guarda-roupa e pode gerar até US$ 13 bilhões adicionais por ano no setor

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O avanço no uso de medicamentos da classe GLP-1 nos Estados Unidos tem criado novas oportunidades para o varejo de moda, à medida que consumidores perdem peso e passam a demandar novas peças de vestuário.

Segundo estimativa da consultoria Bernstein, o setor de vestuário pode registrar um aumento de até US$ 13 bilhões anuais em vendas como reflexo da popularização desses tratamentos.

A tendência acompanha a expansão do uso dos medicamentos. Cerca de 13% dos adultos norte-americanos utilizam atualmente fármacos como Wegovy, Ozempic e Zepbound, segundo dados do KFF Health Tracking Poll. Projeções do JPMorgan indicam que mais de 30 milhões de pessoas podem estar em tratamento até 2030.

Com a perda de peso, cresce a necessidade de renovar o guarda-roupa. Uma pesquisa da Circana apontou que 80% dos usuários desses medicamentos esperam precisar de novas roupas devido à mudança de tamanho, enquanto 55% já compraram peças ou calçados com esse objetivo.

A demanda potencial é relevante. Caso consumidores reduzam em média três tamanhos e adquiram entre cinco e oito itens por tamanho, isso pode representar a compra de até 700 milhões de peças por ano nos Estados Unidos, segundo estimativas da Bernstein.

O movimento já começa a aparecer em indicadores do setor. A venda de sutiãs em tamanhos maiores tem perdido participação, enquanto tamanhos médios e menores ganham espaço. A CEO da Victoria’s Secret, Hillary Super, afirmou que a empresa observou uma redução de cerca de 3% nos tamanhos vendidos, tendência associada ao uso dos medicamentos.

A mudança também impacta outras categorias. Dados da Circana indicam que roupas femininas plus size vêm perdendo participação para tamanhos menores, após um período de crescimento mais acelerado.

Apesar do potencial de crescimento, o comportamento de consumo ainda varia. Segundo Harvey Kanter, CEO da Destination XL, parte dos consumidores tem adiado compras maiores enquanto continua no processo de emagrecimento. “Normalmente, a perda de peso é positiva para o nosso negócio, mas agora vemos clientes evitando comprar roupas até concluírem essa jornada”, afirmou.

Algumas empresas já têm adaptado suas estratégias. A Stitch Fix criou campanhas específicas e uma página dedicada a consumidores em tratamento com GLP-1. Segundo o CEO Matt Baer, as menções à perda de peso nas solicitações de clientes triplicaram nos últimos dois anos e cresceram 75% no último trimestre fiscal.

No mercado de revenda, a ThredUp identificou aumento tanto na compra de peças menores quanto na oferta de roupas maiores, à medida que consumidores renovam seus guarda-roupas. “É uma oportunidade para capturar participação tanto na compra quanto na venda, à medida que as pessoas deixam de usar peças antigas”, afirmou o CEO James Reinhart.

Analistas apontam que diferentes perfis de varejistas podem se beneficiar do movimento. Redes de desconto como Walmart e Target podem atrair consumidores que buscam opções acessíveis durante a transição de tamanhos. Marcas esportivas como Nike, Adidas e Lululemon também podem registrar aumento na demanda, já que roupas com maior elasticidade tendem a acompanhar melhor mudanças no corpo.

O impacto ocorre em um momento de crescimento moderado do setor. As vendas de vestuário nos Estados Unidos devem avançar cerca de 0,4% em 2026, segundo a Circana, o que reforça o potencial dos medicamentos como fator adicional de demanda no mercado.

Imagem: Reprodução
Informações: Melissa Repko para CNBC
Tradução livre: Central do Varejo

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