Comportamento
Placer.ai aponta mudança no comportamento do consumidor e indica caminhos para o varejo em 2026
Dados de fluxo de pessoas indicam uma mudança no papel da conveniência nas decisões de compra e no comportamento dos consumidores. De acordo com a Placer.ai, vencer em 2026 exigirá que os varejistas ampliem a entrega de valor e experiência, indo além da proximidade ou da rapidez.
A análise foi apresentada por Ethan Chernofsky, diretor de marketing da empresa, durante o webinar “Retail 2026: Insights & Data Trends Shaping the Future of Shopping”, promovido pela WWD. Segundo ele, os dados de visitação mostram que a conveniência deixou de ser o principal fator para atrair consumidores às lojas físicas.
Embora ainda existam limites para a distância que os consumidores estão dispostos a percorrer, outros elementos passaram a pesar mais na decisão, como preço e marca. Os consumidores estão visitando mais lojas dentro da mesma categoria e se deslocando por distâncias maiores em busca de boas oportunidades. Nesse cenário, os varejistas precisam reforçar sua proposta central e deixar claro qual valor oferecem ao consumidor.
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“O consumidor está escolhendo aquilo com que se importa, e há varejistas que conseguem atender a essas expectativas, enquanto outros têm dificuldade em entender onde se encaixam nessa matriz de decisão”, afirmou Chernofsky. “Quando percebemos isso, passamos a ter uma noção mais clara de como o varejo deve evoluir nos próximos anos.”
Entre 2021 e 2022, o número de visitas às lojas era menor, mas os consumidores que compareciam tendiam a gastar mais tempo e dinheiro. Atualmente, a disputa deixou de ser apenas por visitas e passou a ser por participação no gasto dentro de cada categoria, já que os consumidores estão mais propensos a comparar opções. Para enfrentar esse cenário, Chernofsky destacou o uso de tecnologia para apoiar as equipes de loja e a oferta de serviços adicionais que aumentem o tempo de permanência, como experiências de alimentação e bebidas.
Segundo ele, centros comerciais têm obtido bons resultados com estratégias de curadoria que combinam varejo, alimentação, bem-estar e entretenimento. A retomada de experiências centrais também pode contribuir para a recuperação de redes tradicionais, como ocorreu com a Barnes & Noble, que voltou a investir em eventos como leituras e sessões de autógrafos.
As visitas às lojas físicas seguem relevantes, já que o tempo médio de permanência varia entre 20 e 30 minutos, enquanto a interação média em sites de comércio eletrônico costuma durar de dois a três minutos. Além disso, consumidores que entram na loja tendem a estar mais abertos a compras por impulso. Para ampliar o tíquete médio, os varejistas podem integrar estratégias de mídia no ponto de venda, com sugestões de produtos e espaços publicitários como sinalização, pontas de gôndola e lojas dentro da loja.
Promoções também continuam sendo um fator de atração, mas não necessariamente baseadas em descontos. De acordo com o Placer.ai, ofertas por tempo limitado e ações exclusivas têm gerado resultados positivos. Como referência, Chernofsky citou a Starbucks, que cria momentos específicos de engajamento, como o Red Cup Day.
O executivo também destacou o valor do varejo físico na venda de categorias como vestuário e calçados, onde a possibilidade de experimentação reduz práticas como o “bracketing”, comum no e-commerce, em que o consumidor compra vários tamanhos para devolver o que não serve. Além disso, as lojas funcionam como pontos de fortalecimento de marca e geração de reconhecimento.
Sobre a estratégia omnicanal, Chernofsky comparou o movimento a um pêndulo, lembrando que muitas marcas acreditaram que tudo migraria para o digital antes de reconhecer a importância das lojas físicas. Ainda assim, ele afirmou que não é necessário estar presente em todos os formatos ou regiões. Marcas voltadas aos millennials podem priorizar shoppings suburbanos, enquanto aquelas focadas na geração Z tendem a manter flagships em grandes centros urbanos. Uma tendência observada é a criação de ambientes com características urbanas em áreas suburbanas. “Isso vai dar aos varejistas novas oportunidades de alcançar esses públicos, mesmo quando, no passado, estariam mais concentrados nas grandes cidades”, disse.
Nos últimos anos, tanto varejistas de luxo quanto aqueles focados em preço apresentaram bom desempenho, por terem propostas claras ao consumidor. O segmento intermediário, por outro lado, enfrenta mais dificuldades. Ainda assim, Chernofsky afirmou que há espaço para empresas que consigam se posicionar entre esses extremos. “Embora o varejo esteja claramente se bifurcando, ainda existe uma grande oportunidade no meio, se for possível acertar essa nuance”, afirmou. “O desafio é maior, mas, se der certo, a concorrência é menor, o que cria uma vantagem significativa.”
Essa divisão tem sido evidente nas lojas de departamento, que dependem fortemente da curadoria de marcas e produtos. Para Chernofsky, o posicionamento dessas redes está diretamente ligado à qualidade e à evolução de seu sortimento. “A marca está relacionada à curadoria, e se essa curadoria não evolui ou não entrega algo relevante, o varejista fica para trás em relação à promessa feita ao consumidor”, concluiu.
Imagem: Freepik
Informações: Sarah Jones para WWD
Tradução livre: Central do Varejo
