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Movimento no varejo físico recua 0,5% em 2025

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Macy's

O ano de 2025 foi desafiador para o varejo físico brasileiro, revela o Índice de Intenção de Compra no Varejo (IICV). Segundo o índice, o movimento nas lojas físicas recuou 0,5% no ano passado em comparação ao ano anterior. É o segundo ano consecutivo de retração no acumulado (em 2024, houve queda de 0,9% em relação a 2023), com base no estudo produzido pela Seed Digital.

Apesar do panorama de queda no varejo físico durante o ano, o IICV Seed revela a oscilação entre os trimestres de 2025. Enquanto o primeiro e o terceiro registraram altas de 2,7% e 0,8%, respectivamente, o segundo e o quarto apresentaram quedas de 2% e 2,5%, exercendo influência direta sobre o desempenho anual.

Na opinião de Sidnei Raulino, CEO da Seed Digital, o cenário macroeconômico e a concorrência com o digital são os principais fatores. “Em 2025, houve uma retomada mais consistente da competitividade do varejo digital, especialmente nos períodos de maior pressão promocional, o que dificultou ao varejo físico sustentar os níveis do ano anterior, a despeito de o varejo físico ainda representar mais de 80% das vendas do setor. Esse movimento ocorreu em um contexto macroeconômico ainda desafiador, com recuperação cautelosa da confiança do consumidor, juros elevados e outros indicadores que continuaram a pressionar o consumo”.

Lojas de Rua vs Shoppings

As lojas de rua encerraram o ano com leve alta de 0,2%, enquanto as lojas de Shopping registraram retração de 0,8%. Esse resultado reflete comportamentos distintos ao longo do ano. O varejo de rua apresentou oscilações mais alinhadas ao desempenho nacional, com maior pressão negativa nos trimestres que concentram as principais datas do calendário comercial, mas conseguiu preservar algum nível de equilíbrio no fechamento anual.

Já as lojas de Shopping registraram queda em três dos quatro trimestres, apresentando desempenho positivo apenas no terceiro trimestre, período tradicionalmente favorecido pelas férias de julho. Outro fator que contribuiu para esse desempenho foi a configuração do calendário em 2025. A concentração de feriados em finais de semana resultou em um ano com mais dias úteis em comparação a 2024, reduzindo a atratividade dos shoppings como opção de lazer e consumo em dias de folga, especialmente fora dos períodos de férias.

Resultados regionais

De acordo com os resultados do IICV Seed, o desempenho do varejo físico em 2025 foi distinto em regiões do Brasil. As regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste encerraram 2025 com desempenho positivo, registrando variações de 0,8%, 1,1% e 1,2%, respectivamente. Do outro lado, a Região Sudeste apresentou retração anual de 1,7%, com destaque negativo para o quarto trimestre, que registrou queda expressiva de 6,6%.

A região Sul, após um 2024 fortemente impactado por eventos climáticos extremos, em 2025 representou um ano de retomada gradual (0,4%), ainda que novamente marcado por episódios que, em determinados momentos, limitaram a recuperação plena.

Setores do varejo físico

De acordo com o IICV Seed de 2025, o segmento que reúne Perfumaria, Maquiagem e Cosméticos encerrou o ano com crescimento de 3,3%, consolidando-se como o principal destaque positivo do período. Na outra extremidade, o setor de Moda apresentou o desempenho mais negativo de 2025, com retração de 7,6%.

“Os dados de 2025 reforçam que o desafio para 2026 não está em preservar estruturas, mas em revisitar estratégias. Nesse contexto, o varejo físico é chamado a inovar novamente, com experiências de compra menos friccionais, mais fluídas e nas quais a experiência seja o principal diferencial. O consumidor permanece ativo, interessado em comprar, mas cada vez mais disposto a escolher o canal que lhe ofereça a melhor relação entre valor percebido e experiencia”, afirma Sidnei Raulino.

Imagem: Freepik

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