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Gestão de resíduos no Carnaval: caminhos da logística reversa

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O Carnaval movimenta música, turismo, milhões de pessoas e a economia das cidades, mas também deixa um passivo ambiental: o volume massivo de resíduos gerados durante os dias de festa. Quando não recebem destinação adequada, esses materiais representam um risco ambiental significativo, especialmente em eventos urbanos de grande porte.

A gestão de resíduos no Carnaval se tornou um desafio logístico e ambiental crescente. Segundo balanços oficiais das prefeituras e serviços de limpeza urbana, em 2025, o volume recolhido apenas em cinco capitais brasileiras chegou a 3,5 mil toneladas, evidenciando a dimensão do impacto da folia sobre a infraestrutura urbana e os sistemas de limpeza pública.

São Paulo liderou a estatística, com 322,83 toneladas recolhidas nos quatro dias de festa. No pré-Carnaval, o volume já havia somado 227,7 toneladas. No Rio de Janeiro, apenas os desfiles na Marquês de Sapucaí geraram outras 82 toneladas. A expectativa para este ano é de números ainda maiores.

Além do impacto visual e urbano imediato, o descarte inadequado de microplásticos (como glitter), copos e garrafas plásticas, latas de alumínio, confetes e serpentinas provoca consequências diretas, como o entupimento de bueiros e o aumento do risco de alagamentos, especialmente em um período marcado por chuvas intensas em diversas regiões do país. Esses resíduos também contribuem para a degradação de corpos hídricos e ameaçam a biodiversidade.

Para a Central de Custódia da Logística Reversa de Embalagens, o cenário reforça a importância de avançar na estruturação e na transparência da logística reversa no país. “O Carnaval é um exemplo claro de como a geração de resíduos em larga escala exige sistemas confiáveis de rastreabilidade e destinação. Não basta recolher: é fundamental comprovar o caminho desses materiais e dar transparência aos resultados”, afirma Fernando Bernardes, CEO da Central de Custódia

“A logística reversa precisa ser tratada como uma agenda estruturante para as cidades e para as empresas, com dados que tragam segurança para autoridades, sociedade civil e para o setor produtivo”, acrescenta o executivo.

Com a crescente pressão por soluções ambientais concretas e pela comprovação de resultados, iniciativas baseadas em verificação independente e rastreabilidade ganham protagonismo no fortalecimento da economia circular brasileira, especialmente em contextos urbanos de alta complexidade, como o Carnaval.

Imagem: Divulgação/Central de Custódia

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