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IODE-PMEs aponta alta de 1,2% no faturamento real das pequenas e médias empresas em 2025

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O faturamento real das pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras cresceu 1,2% em 2025 na comparação com o ano anterior, segundo o Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs). No quarto trimestre, o índice registrou alta de 6,4% em relação ao mesmo período de 2024, acima do avanço de 2,7% observado no terceiro trimestre.

O IODE-PMEs acompanha a movimentação financeira média de empresas com faturamento anual de até R$ 50 milhões, abrangendo cerca de 750 atividades econômicas distribuídas entre Comércio, Indústria, Infraestrutura e Serviços.

No primeiro semestre de 2025, o índice apresentou retração média de 2,3% na comparação anual. O período foi marcado por choques de custos e deterioração da confiança dos consumidores, o que impactou as vendas e o repasse de preços. No segundo semestre, houve reação da atividade, com melhora nos últimos meses do ano.

A manutenção das taxas de juros em níveis elevados seguiu como fator de restrição ao crédito. Por outro lado, o crescimento da renda das famílias e a recuperação da confiança do consumidor contribuíram para o desempenho do segmento. Segundo a Sondagem de Expectativas do Consumidor (FGV-IBRE), houve expansão média de 1,0% ao mês no quarto trimestre de 2025, na série livre de efeitos sazonais.

No campo inflacionário, o IGP-M (FGV) acumulado em 12 meses recuou de 8,58% ao final do primeiro trimestre para -1,05% no encerramento de 2025.

Apesar da recuperação no fim do ano, o desempenho das PMEs ficou abaixo da estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2025. Segundo a mediana das expectativas do Boletim Focus, o PIB deve ter crescido 2,3% no período, enquanto o IODE-PMEs avançou 1,2%.

Desempenho setorial

A Indústria registrou expansão de 3,9% no faturamento médio em 2025, com alta de 11,2% no quarto trimestre na comparação anual. Dos 23 subsetores acompanhados, 16 apresentaram crescimento, com destaque para “Preparação de couros e fabricação de artefatos de couro, artigos para viagem e calçados”, “Fabricação de outros equipamentos de transporte”, “Fabricação de autopeças” e “Fabricação de produtos alimentícios”.

O setor de Serviços apresentou crescimento de 2,8% no faturamento real em 2025, com aceleração no segundo semestre. No quarto trimestre, o avanço concentrou-se em atividades como “Atividades financeiras e de seguros”, “Transportes”, “Alojamento” e “Saúde humana e serviços sociais”. Houve desempenho mais fraco em segmentos como “Alimentação” e “Atividades profissionais, científicas e técnicas”.

No Comércio, o faturamento das PMEs recuou 2,6% em 2025, com queda de 0,5% no quarto trimestre na comparação anual. No varejo, o índice registrou retração de 4,7% no ano. Segmentos como comércio varejista “especializado em equipamentos e suprimentos de informática”, “equipamentos de telefonia e comunicação” e “material de construção” contribuíram para o resultado. Por outro lado, o comércio varejista de “medicamentos veterinários”, “artigos de armarinho” e “produtos farmacêuticos” apresentou desempenho acima da média do varejo das PMEs.

O atacado cresceu 3,2% em 2025, com alta de 6,1% no quarto trimestre. Entre as atividades com melhor resultado estão o comércio atacadista de “café em grão”, de “sorvetes”, de “resíduos e sucatas metálicos” e de “carnes bovinas e suínas e seus derivados”.

Na Infraestrutura, o setor encerrou o ano com retração de 4,8% em relação a 2024. O avanço de 1,2% no quarto trimestre não compensou as perdas acumuladas. Atividades como “Obras de infraestrutura”, “Construção de edifícios” e “Água, esgoto, gestão de resíduos e descontaminação” foram impactadas. A “Construção” registrou alta de 4,9% no quarto trimestre, sustentada pelos “serviços especializados para construção”.

Desempenho regional

No Sudeste, o índice ficou praticamente estável em 2025, com variação de -0,2% frente a 2024, e crescimento de 5,9% no quarto trimestre. No Nordeste, houve alta de 11,3% no quarto trimestre. No Centro-Oeste, o avanço foi de 6,7%, e no Sul, de 2,1%. A região Norte registrou retração de 5,8% no período.

Projeções para 2026

A projeção para o IODE-PMEs em 2026 aponta expansão de 2,9%, acima do resultado de 2025, mas abaixo da média anual de 7,0% registrada entre 2022 e 2024.

Segundo a mediana das expectativas do Boletim Focus, o PIB deve crescer 1,8% em 2026. A expectativa é de inflação mais controlada e início de redução da taxa básica de juros. As projeções indicam que a Selic deve encerrar 2026 em torno de 12,25% ao ano, abaixo dos atuais 15% ao ano.

Entre os fatores citados para 2026 estão a continuidade do crescimento da renda das famílias, o aumento dos rendimentos reais dos trabalhadores, estimado em 3,6% em 2025, o reajuste do salário mínimo e a ampliação da isenção do imposto de renda para rendas de até R$ 5 mil mensais.

O texto também aponta que 2026 marca o início da implementação da Reforma Tributária no Brasil, com mudanças na tributação sobre o consumo. O cenário contempla ainda incertezas associadas ao calendário eleitoral, ao contexto fiscal e a fatores externos, como tensões comerciais e geopolíticas.

Imagem: Freepik

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