Economia
Varejo recua 0,2% em abril na comparação mensal, mas acumula alta de 5,4% no ano
Apenas dois dos oito segmentos analisados cresceram no mês; combustíveis e supermercados lideram, enquanto móveis e eletrodomésticos registram maior queda
As vendas do comércio brasileiro recuaram 0,2% em abril em relação a março, de acordo com o Índice do Varejo Stone (IVS). Na comparação anual, o setor registrou crescimento de 5,4%. O levantamento é elaborado mensalmente pela Stone.
“O resultado de abril mostra uma acomodação após a recuperação observada no mês anterior, mas o consumo segue sustentado. Esse desempenho, no entanto, é desigual entre os segmentos: aqueles mais ligados à renda das famílias continuam avançando, refletindo um mercado de trabalho ainda aquecido, enquanto os mais dependentes de crédito enfrentam maior dificuldade, diante de condições financeiras mais restritivas”, afirma Guilherme Freitas, economista e pesquisador da Stone.
“Mesmo com a renda sustentada, o alto nível de endividamento das famílias e o custo do crédito ainda limitam uma recuperação mais consistente. Com isso, o varejo mantém um quadro de crescimento, porém com resultados mistos e sem mudanças relevantes no cenário macroeconômico mais amplo”, acrescenta.
Segmentos
Na comparação mensal, apenas dois dos oito segmentos analisados registraram crescimento em abril. A maior alta foi em combustíveis e lubrificantes (2,2%), seguida por hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,9%). Os demais segmentos recuaram: móveis e eletrodomésticos (-1,8%), tecidos, vestuário e calçados (-0,8%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,7%), livros, jornais, revistas e papelaria (-0,5%), artigos farmacêuticos (-0,2%) e material de construção (-0,1%).
Na comparação anual, seis dos oito segmentos apresentaram crescimento. Combustíveis e lubrificantes lideraram pelo segundo mês consecutivo, com alta de 14,4%, seguidos por material de construção (7,4%), artigos farmacêuticos (6,4%), hipermercados e supermercados (6,1%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (4,3%) e tecidos, vestuário e calçados (1,3%). As quedas foram registradas em livros, jornais, revistas e papelaria (-5,4%) e móveis e eletrodomésticos (-0,1%).
Regiões
Na comparação anual, 25 estados apresentaram crescimento em abril. Os maiores avanços foram no Acre (11,5%), Rio de Janeiro (9,6%), Roraima (8,2%) e Amazonas (7,5%). As únicas quedas foram registradas em Alagoas (-3,7%) e Rio Grande do Sul (-0,1%).
“Os dados regionais de abril mostram que o crescimento do varejo também se distribui de forma desigual entre os estados. O desempenho é mais forte em regiões como Norte e Sudeste, enquanto outras apresentam avanços mais moderados e, em alguns casos, retração. Essas diferenças refletem dinâmicas locais de renda, mercado de trabalho e acesso ao crédito. De forma geral, o varejo segue em expansão, mas ainda sem uma aceleração suficiente para caracterizar uma recuperação mais consistente e homogênea no país”, avalia Freitas.
Imagem: Envato
