Colunistas
Um Japão que ensina
Desde o dia 17 de setembro, estou no Japão participando da missão Digital Explorer, com Sindilojas Porto Alegre, e um grupo de empresários brasileiros. Viemos para uma expedição com um propósito bastante claro: entender o que o Japão pode nos ensinar e o que podemos levar dessa experiência para aprimorar aquilo que fazemos no Brasil.
Durante nossa passagem por Tóquio, tivemos a oportunidade de conhecer diferentes operações e participar de imersões que chamamos de “Experience Day”. A proposta é simples, mas muito rica: viver um pouco do Japão “like a local”. Ou seja, observar como os japoneses vivem, se deslocam, consomem, trabalham e se relacionam com a cidade e com os serviços no dia a dia.
Também realizamos visitas técnicas a operações específicas, sendo recebidos por empresas como Fujifilm, Itoya, Onitsuka Tiger e pelo Sunshine City, um dos grandes complexos de entretenimento de Tóquio.
Entre tantas experiências, uma em especial chamou a atenção do nosso grupo.
Na visita à Itoya, uma das grandes papelarias japonesas, o gerente compartilhou algo que, para nós, brasileiros, chega a surpreender: para que um funcionário esteja realmente preparado para atender o público, são necessários pelo menos seis meses de treinamento.
Mas não é apenas o treinamento que importa.
Existe uma preocupação ainda mais profunda com quem é escolhido para servir o cliente. A pessoa precisa ter paixão por servir. Precisa gostar de atender bem. E isso se traduz em uma postura muito particular: não ter pressa, mas também não ser lento. Fazer cada coisa no tempo que ela precisa ser feita.
Para nós, brasileiros, muitas vezes ansiosos e acostumados à ideia de que velocidade significa eficiência, esse comportamento pode parecer estranho em um primeiro momento.
O Japão, porém, parece ensinar justamente o contrário.
Ter pressa não significa necessariamente fazer melhor. Ser lento também não é sinônimo de cuidado. A excelência talvez esteja em compreender o tempo certo de cada coisa — e, dentro desse tempo, fazer o melhor possível para quem está do outro lado.
É uma lição aparentemente simples, mas que diz muito sobre atendimento, gestão e, principalmente, sobre pessoas.
Talvez uma das grandes coisas que o Japão tenha para nos ensinar seja exatamente esta: excelência não é fazer depressa. É fazer bem.
Boa semana!
Leia também: Por que o Japão?
(*) Elifas de Vargas é formado em Marketing, com especialização em Quality Service pela Disney Institute na Flórida-USA. É criador do método FastVideos, produção rápida e versátil de vídeos para web, utilizando apenas o smartphone. Responsável por fundar a primeira webtv privada do Rio Grande do Sul, em 2006, dentro da incubadora tecnológica da Univates, possui ampla experiência em comunicação e é Terapeuta Comportamental pela Escola de Executivos e Negócios Instituto Albuquerque, certificada pela Fundação Napoleon Hill. Empresário, Co-Founder da Agência de Marketing Kreativ desde 2010, com sede em Lajeado/RS e filiais em POA/RS e Rio de Janeiro/RJ, está sempre em busca de experiências que impactem os negócios de seus clientes. Assim, também é curador de diversos eventos, entre eles, o Rio Innovation Week (maior evento de inovação e tecnologia da América Latina) no Rio de Janeiro, e a NRF, em Nova York. Acompanhe o autor no LinkedIn.
