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Appmax projeta R$ 760 milhões em novembro, alta de 63%, e aponta jovens e Pix como motores da Black Friday

VP da empresa compara a projeção com os R$ 466,5 milhões de novembro de 2025 e vê jovens, solteiros e consumidores de menor renda como motor da data

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A Appmax projeta que o volume de pagamentos processado por sua plataforma em novembro chegue a R$ 760 milhões na Black Friday 2026, alta de 63% sobre os R$ 466,5 milhões do mesmo mês de 2025.

O número consta do Relatório de Comportamento do Consumidor e projeção da Black Friday 2026, apresentado à imprensa por Betina Wecker, vice-presidente e cofundadora da empresa, na quarta-feira (7), na sede da Appmax, no Instituto Caldeira, em Porto Alegre (RS).

“A gente projeta o que será a maior Black Friday da nossa história”, disse Wecker. Ela afirmou que a empresa está otimista com o varejo apesar do endividamento e do crédito restrito, e que a Appmax cresce duas vezes acima do e-commerce.

A projeção vale para o TPV (volume total de pagamentos processados) da própria Appmax, e não para o e-commerce brasileiro. O estudo foi feito pelo time de ciência de dados, em conjunto com a área de marketing, segundo Bryan Prado, cientista de dados da empresa.

Desde 2017, 75.338 lojistas e negócios já processaram pagamentos com a Appmax. A Black Friday de 2026 será em 27 de novembro.

Para o ano fechado, a empresa trabalha com três cenários: R$ 5,5 bilhões (alta de 53% sobre 2025), R$ 5,9 bilhões (62%) e R$ 6,1 bilhões (69%). Até 2 de outubro, a Appmax já havia processado R$ 4,15 bilhões em 2026, valor 14,7% superior ao de todo o ano de 2025.

Segundo Wecker, o avanço combina mais lojistas na base, ticket médio maior e mais compradores por loja. Em 2025, o TPV da empresa cresceu 32,3%, o equivalente a 2,1 vezes o ritmo do e-commerce brasileiro (15,3%, pela Abiacom).

Black Friday 2026


Black Friday 2026 deve manter a semana de pico

Em novembro de 2025, a Appmax transacionou 1.724.030 pedidos. O volume de vendas da Black Friday cresceu 33,9% sobre 2024, e o ticket médio subiu 16,0%.

Os sete maiores dias do ano na plataforma foram os da semana da data, e o domingo, 30 de novembro, ficou em segundo lugar. A sexta-feira da Black Friday movimentou 3,36 vezes a média diária de outubro e concentrou 21,3% do TPV da semana. A Appmax projeta o mesmo comportamento para 2026.

Wecker disse que a data não retirou vendas de dezembro. Para ela, a Black Friday amplia o mercado, e dezembro segue em alta.

O pico de pedidos ocorre às 11h. Entre 9h e 23h, nenhuma hora fica abaixo de 4,95% nem acima de 6,65% dos pedidos, e essa faixa reúne 86% das compras do dia.

Em relação a uma sexta-feira comum, a noite ganha 4,2 pontos percentuais de participação, de 19,3% para 23,5%.

Pix e cartão dividem a data, e o boleto perde espaço

Em valor, o cartão respondeu por 65,1% do TPV da Black Friday de 2025, e o Pix por 34,3%. Em número de pedidos a diferença é menor, com 51,7% para o cartão e 47,9% para o Pix.

O ticket médio explica a distância. No cartão foi de R$ 347,45, e no Pix de R$ 197,61, o que deixa o ticket do cartão 76% maior. O parcelamento médio caiu de 3,82 para 3,65 parcelas, porque o lojista reduz as parcelas sem juros para preservar a margem, segundo Wecker.

O boleto recuou de 1,22% para 0,54% do TPV, queda de 56%.

Na Black Friday, 80,8% dos Pix gerados foram pagos, contra 75,2% em dias comuns, e a mediana entre a geração do QR Code e o pagamento foi de 69 segundos. No primeiro semestre de 2026, o Pix superou o cartão em número de transações na Appmax pela primeira vez, com 51,4% contra 47,9%.

Jovens, solteiros e consumidores de menor renda puxam a data

O TPV dos compradores de 18 a 29 anos foi multiplicado por 4,65 na Black Friday, o maior fator entre as faixas etárias. Entre os solteiros, o fator foi de 3,41, contra 2,30 dos casados. Para quem tem renda abaixo da classe C, foi de 4,27, contra 2,78 da classe A.

A idade média do comprador caiu de 46,0 para 41,0 anos na data, e 70,2% dos pedidos vieram de mulheres.

Por categoria, Casa e Decoração teve o maior salto, de 6,1 vezes, e 53,4% dessa base é das classes A e B. Alimentos e bebidas (5,2 vezes), esportes e fitness (4,9) e mãe e bebê (4,6) vêm na sequência.

Moda e acessórios tem o maior volume absoluto do dia, 73% acima de beleza e cuidado pessoal, a segunda colocada.

Crédito limita o crescimento da Black Friday 2026

O público que mais cresce na data é o de orçamento mais apertado. A Appmax contabilizou 2.297.187 transações negadas por falta de limite no cartão, com intenção de compra estimada entre R$ 240 milhões e R$ 991 milhões.

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC), registrou 82% das famílias com dívidas em agosto, recorde da série. A Appmax acrescenta que mais de 85% dos endividados têm dívida no cartão de crédito.

Wecker informou que a Appmax fará testes de crédito no Pix parcelado para clientes que considera bons pagadores.

Recuperação de vendas e recompra

Os disparos de recuperação de vendas, feitos por WhatsApp com apoio de IA, converteram 16,7% na Black Friday de 2025, contra 9,7% da média do ano, alta de 72%. Entre os Pix não concluídos, a conversão foi de 20,8%, ante 13,2%.

A Appmax diz ter recuperado R$ 13,7 milhões para os lojistas só em novembro de 2025.

Foram 1,64 milhão de compradores no mês, alta de 47% sobre um mês comum, e 90,5% deles compraram pela primeira vez na base. A recompra em 90 dias ficou em 3,9%, contra 5,0% da coorte de outubro. Segundo Wecker, a Appmax lançou em 2026 um cashback que o lojista pode ativar na jornada de compra.

O que a Appmax recomenda ao varejo

A empresa orienta o varejo a planejar sete dias de pico, reforçar atendimento e estoque à noite, e não de madrugada, manter Pix e cartão no centro da oferta (juntos, somam 99,5% do TPV), ativar a recuperação de vendas e montar uma régua de relacionamento para os 90 dias seguintes.

Sobre risco, a apresentação indica que o chargeback sobe de 31% a 32% de novembro para dezembro. Evelyn Torezone, diretora de tecnologia (CTO) da Appmax, afirmou que a fraude se concentra antes da data, de outubro ao início de novembro, quando o golpista monta estoque para revender na Black Friday.

O jornalista viajou a convite da Appmax.

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