E-commerce
Via Uno projeta R$ 1 milhão no e-commerce da Black Friday com lives de 12 horas e 200 creators
Régis Ely, gerente de e-commerce da marca de calçados, diz que as lives dobram para 12 horas, os creators passam de 80 para 200 e a entrega chega a D+2 no país
O e-commerce da Via Uno, marca de calçados de Santo Antônio da Patrulha (RS), projeta faturar R$ 1 milhão na Black Friday de 2026, segundo Régis Ely, gerente de e-commerce da empresa. A média mensal atual da operação digital está entre R$ 400 mil e R$ 450 mil, disse o executivo. A meta se apoia em live commerce, com lives de 12 horas, 200 creators e entrega em D+2 para todo o país.
Ely apresentou o caso na quarta-feira (7), durante coletiva de imprensa da Appmax, plataforma de pagamentos que a Via Uno usa no e-commerce, realizada no Instituto Caldeira, em Porto Alegre (RS). Ele tem 16 anos de experiência em e-commerce.
Live commerce com equipe própria
Na Black Friday de 2025, a Via Uno fez seis horas de live no Instagram, perfil com mais de 1 milhão de seguidores. Para 2026, o plano é de 12 horas diretas.
As transmissões são conduzidas por um time interno, e não por influenciadores, porque o objetivo é gerar credibilidade com um público que ainda conhece pouco a marca, afirmou Ely.
Nas lives, a empresa mostra o showroom e a operação, tira dúvidas em tempo real e, segundo Ely, aumenta o ticket de compra. Os picos de audiência no ano passado foram por volta das 10h e 11h e entre 17h e 20h.
O pixel registra quem entra na transmissão, e a empresa faz remarketing com esses dados.
A rede de creators passa de 80 para 200 até novembro, todos atuando de forma simultânea durante a Black Friday. São, em geral, microinfluenciadores, com 2 mil a 7 mil seguidores, contratados diretamente pela Via Uno, sem intermediação de agências.
A empresa paga por cupom e também pelo criativo, que depois sobe em campanhas no Instagram.
Cada creator entrega de quatro a cinco criativos, o que deve colocar cerca de mil peças em rotação durante a live, disse Ely. A Via Uno descartou conteúdo gerado por IA nessas peças, por menor conversão e rejeição do público.
“Pessoas reais fazendo conteúdo real”, afirmou o gerente.
Logística de D+2 para o Brasil
A Via Uno está fora da malha logística do eixo principal do país, e o prazo de entrega era o maior problema da operação até setembro, segundo Ely. Com poucos parceiros, a empresa não competia em prazo com os marketplaces.
A partir de outubro, passou a atender o Brasil todo em D+2, e algumas regiões em D+1.
A negociação incluiu os Correios e uma transportadora em paralelo, para que a entrega continue caso haja greve. Na Black Friday, o frete grátis entra como benefício extra para todos os pedidos. Para Ely, o custo do frete pesa menos que o custo de aquisição de clientes.
Oferta construída antes da data
Ely disse que a Via Uno evita dar um desconto na pré-Black Friday e baixar o preço de novo na data, porque o cliente se sente lesado. A empresa trabalha com produtos diferentes em cada fase e com ações que se complementam.
O desconto progressivo, como o leve dois, preserva a margem sem derrubar o ticket médio.
Os lançamentos acontecem em outubro, com conteúdo de topo de funil no YouTube, e não na Black Friday, para que o consumidor chegue à data já desejando o produto.
A ação principal fica concentrada nas 24 horas da Black Friday, com condições únicas, e o mês anterior serve para aquecer o público, disse Ely. Para ele, o consumidor compra o que precisa antes e espera a data para ver se há desconto maior.
A Via Uno também oferece a lojistas e representantes os mesmos produtos da data, a preço especial, para que eles façam a própria Black Friday com margem.
A data não serve para limpar estoque, disse Ely. A produção é planejada desde junho com o time de desenvolvimento de produto, e o volume maior permite negociar custo com fornecedores.
Na base de clientes, a empresa usa CRM e a matriz RFV (recência, frequência e valor) para separar quem compra lançamento de quem compra promoção. Segundo Ely, as ações da Black Friday miram o segundo grupo, e a empresa evita enviar mensagens em excesso.
Resultados de 2025 e plano para 2026
Na Black Friday de 2025, o faturamento triplicou, e o ticket médio subiu 20%, para R$ 230, segundo Ely. A taxa de aprovação de cartão passou de 80% para 93% na data, e a média atual é de 92%. Ele atribuiu parte desse resultado à entrada da Appmax no checkout.
Para 2026, a empresa projeta vender dez vezes mais do que na data de 2025, com ticket médio de R$ 250 e estoque que deve passar de cerca de 20 mil para cerca de 60 mil pares.
O e-commerce já vende no Mercado Livre, finaliza a entrada na Shopee e estuda o TikTok, onde, segundo Ely, as taxas são altas e ele não conhece operação rentável.
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O jornalista viajou a convite da Appmax.
Imagem: Central do Varejo
