E-commerce
Só 15% do varejo diz estar preparado para vender por agentes de IA, apesar de 74% esperarem 5% das vendas digitais
Bryan Prado, cientista de dados da Appmax, diz que o Brasil lidera em proporção de uso da OpenAI; dados públicos colocam o país entre os três maiores mercados
Apenas 15% dos varejistas brasileiros se dizem preparados para vender em ambientes mediados por agentes de IA, embora 74% esperem que esses agentes respondam por ao menos 5% das vendas digitais em dois anos.
Os dados são do Global Digital Shopping Index 2026, da PYMNTS Intelligence com a Visa, e foram apresentados por Bryan Prado, cientista de dados da Appmax, na quarta-feira (7), em coletiva de imprensa em Porto Alegre (RS).
Entre os consumidores brasileiros, 70% esperam usar agentes de IA para auxiliar nas compras em até dois anos, e o uso de IA generativa para pesquisar produtos passou de 2% em 2024 para 32% em 2026, segundo o mesmo estudo.
Prado disse que, em termos de uso, o Brasil é o segundo mercado da OpenAI em volume e o primeiro em proporção. A reportagem não encontrou ranking proporcional nos dados divulgados pela OpenAI.
A OpenAI informa que o Brasil está entre os três maiores mercados do ChatGPT em usuários, atrás dos Estados Unidos e da Índia, e que brasileiros enviam 215 milhões de mensagens por dia.
No índice da Visa, 53% dos consumidores brasileiros usaram IA em alguma etapa da jornada de compra, contra 46% nos Estados Unidos.
O que agentes de IA podem movimentar
Prado citou estimativa da McKinsey de que o agentic commerce, em que agentes de IA compram em nome do consumidor, orquestre entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões em vendas no mundo até 2030. Para o e-commerce dos Estados Unidos, o valor citado por ele vai de US$ 190 bilhões a US$ 385 bilhões no mesmo ano.
O cientista de dados também mencionou conversão acima de 31% entre visitantes que chegam por plataformas de IA, sem detalhar a base do cálculo. Para ele, o visitante chega ao site já orientado, porque a IA entrega uma análise do produto e não apenas o endereço da loja.
Segundo Prado, 15% do público espera usar IA para buscar ofertas na Black Friday de 2026, a primeira data em que, na avaliação dele, uma parcela relevante dos consumidores deve fazer isso.
Para ele, aparecer nas respostas de IA, prática chamada de GEO (o SEO para mecanismos de IA), tende a ganhar importância, porque para a nova geração o ChatGPT funciona como o Google.
Os freios à compra agêntica
Prado listou seis limites. O primeiro é jurídico. Ele afirmou que a OpenAI recuou do checkout dentro do chat em 2026 por causa de decisão da Justiça dos Estados Unidos em disputa da Amazon com a Perplexity sobre acesso de bots a sites.
A imprensa internacional registra os dois fatos, mas com outra relação de causa. Uma corte federal de São Francisco concedeu liminar à Amazon contra o agente de compras da Perplexity, segundo o The Decoder, e o IT Brief informou que a OpenAI reduziu o checkout nativo do ChatGPT após revisão interna.
O segundo é a resistência do consumidor brasileiro, que ele atribuiu ao medo de errar ao delegar uma compra a uma tecnologia probabilística. O terceiro é a responsabilização por erros, sem resposta jurídica definida.
O quarto são os ambientes fechados: segundo Prado, a Amazon bloqueia agentes externos e a Meta deixou de permitir chatbots de outros provedores no WhatsApp.
O quinto é separar recomendação de propaganda nas respostas dos agentes. O sexto é a medição, já que só 21% dos varejistas identificam quando uma venda veio de uma plataforma de IA, ou seja, oito em cada dez e-commerces não sabem.
Prado afirmou que a Appmax usa IA na recuperação de vendas, no antifraude e na gestão interna. Questionado se agentes de compra ameaçam modelos de pagamento como o da empresa, disse que a Appmax diversifica serviços, e que produtos simples tendem a ser absorvidos pelas grandes plataformas de IA.
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O jornalista viajou a convite da Appmax.
Imagem: Central do Varejo
