Operação
Wake apresenta Khora, Audiences e PDV no Wake Lab
Empresa mostra camada de agentes de IA com governança, CDP integrado à plataforma e ponto de venda que roda offline e compartilha promoções e dados com o e-commerce
A Wake apresentou na quinta-feira (8), durante o Wake Lab, três lançamentos para o varejo. São eles: o Khora, camada de agentes de inteligência artificial da plataforma, o Audiences, módulo de CDP, e um PDV para loja física. As declarações foram dadas no palco do evento.
Segundo os executivos, o Khora será habilitado para todos os clientes a partir do evento, e o Audiences está ativo nas lojas da plataforma neste mês. A primeira operação do PDV está prevista para o mês que vem, em uma loja de um cliente da Wake.
Os lançamentos foram apresentados por Alessandro Gil, VP da Wake, e por Tiago Girelli, diretor de Commerce.
Wake Khora reúne agentes, workflows e camadas de controle
De acordo com Girelli, o Khora funciona como uma plataforma dentro da plataforma. Ele nasceu com três camadas, segundo o diretor. A de segurança define o que a IA pode e o que não pode fazer. A de governança trata de decisões que afetam o negócio, como preço, que podem exigir revisão humana porque a IA pode não ter todas as variáveis. A de observabilidade acompanha o que ocorre nos pedidos e nos processos.
Sobre os agentes, Girelli deu o exemplo da taxa de conversão. Se 90% dos pedidos captados costumam ser pagos e esse índice começa a cair, o agente avisa o varejista e levanta hipóteses, como uma promoção, um parcelamento ou um cupom que deixou de valer.
O diretor também apresentou o workflow, que permite montar fluxos de trabalho dentro da plataforma. Um dos usos citados foi a integração com parceiros, como um motor externo de conta-corrente. Girelli disse que a ferramenta é low-code, ficará aberta a todos os lojistas e que a empresa trabalha para permitir a criação dos fluxos pelo Claude Code.
Na demonstração, Girelli mostrou três usos. No catálogo, o Khora sugeriu uma nova descrição de produto com contexto de Black Friday. Na página de produto, uma automação compilou as avaliações de clientes e gerou um resumo com os pontos mais elogiados e os que chamaram atenção. O terceiro foi um fluxo de member get member, em que quem indica e quem se cadastra recebem valor na conta-corrente.

Três frentes de MCP incluem agentes de terceiros e painel no Claude
Girelli afirmou que o Khora tem três frentes de MCP. A primeira é para desenvolvedores, que podem criar componentes e o layout da loja com IA. A segunda é de comércio, em que um agente de terceiros pesquisa produtos, lista categorias e monta carrinho. Segundo ele, todas as lojas da Wake já têm essa capacidade.
O fechamento do pedido dentro do agente ainda não é possível no Brasil, de acordo com o diretor, e o movimento está começando nos Estados Unidos. A terceira frente é o painel administrativo, que o varejista pode acessar a partir de ChatGPT, Gemini e Claude.
Girelli mostrou uma loja conectada ao Claude. Ele pediu uma análise das vendas do mês anterior por canal, e a ferramenta apontou queda. Em seguida, cruzou o resultado com produtos sem estoque. Ao montar uma campanha para melhorar a margem dos dez produtos mais vendidos, o Claude identificou que todos já tinham desconto no mês anterior e que o estoque de vários havia acabado. Também calculou há quantos dias cada item sem estoque parou de vender, com exemplos de 36, 52 e 220 dias.
Em outra versão do teste, segundo Girelli, o Claude chegou a remanejar estoque dentro do sistema, o que ele classificou como operação de risco. A Wake criou então uma camada de governança que trava a ação e abre um painel em que o varejista aprova ou recusa. O lojista também define o que pode ser aprovado de forma automática. Girelli disse que o recurso já está disponível e que o uso ainda é experimental.

Novos dashboards do OMS apontam cancelamentos e sugerem regras
Para quem usa o módulo de OMS, a Wake lançou três dashboards. O primeiro, chamado Saúde e Atendimento, mostra pedidos em risco de cancelamento, pedidos salvos e pedidos que não puderam ser atendidos. Segundo Girelli, é possível analisar por loja e por horário para identificar padrões de cancelamento.
O segundo, Saúde Operacional, indica lojas que pararam de sincronizar por falta de conexão, com informação sobre a última atualização e o motivo da interrupção.
O terceiro mede a saúde da distribuição e cruza a regra de priorização da loja de origem com os casos de ruptura. Nesse painel, o Khora sugeriu alterar a ordem de priorização em um estado. De acordo com o diretor, a mudança reduziria o custo de frete em 40%, encurtaria a entrega em dois dias e geraria cerca de R$ 5.000 de economia por mês. Girelli disse que cerca de 1.000 pedidos deixariam de ser quebrados ou redirecionados e que os dados eram reais. O varejista pode aplicar a regra sugerida ou alterá-la.
Wake Audiences captura navegação e liga segmentos à vitrine
Girelli explicou que o Audiences é o CDP da plataforma e que todas as lojas passam a ter o recurso neste mês. Ele captura dados de navegação, como abertura de produto, entrada em categoria, inclusão no carrinho e saída do carrinho.
As audiências podem ser criadas manualmente ou de forma automática. Carrinho abandonado e assinatura de newsletter são exemplos de audiências pré-definidas. Também é possível combiná-las, como carrinho abandonado entre mulheres de 30 a 40 anos, e usar campos personalizados da loja, como a quantidade de filhos informada no cadastro.
Cada audiência pode ser vinculada a componentes do storefront, como banners e carrosséis, ao módulo de promoções e aos meios de pagamento. Girelli deu o exemplo de um link de carrinho abandonado que aceita apenas Pix, com desconto à vista. A identificação do cliente ocorre no login ou no checkout.
Segundo o diretor, as audiências também passarão a sugerir ações com base no comportamento da loja. Ele afirmou que “as IAs cometem bastante erros” e que as sugestões exigem critério de avaliação.
Para Gil, o módulo abre espaço para ganho de margem. Ele citou marcas cujos clientes compram lançamentos e não compram com desconto, e disse que oferecer a esse perfil uma home com 10% de desconto reduz a margem sem necessidade.
PDV roda offline e usa as promoções e os dados do e-commerce
Gil afirmou que o PDV roda em tablet, celular, desktop e notebook, funciona offline e sincroniza para atualizar o estoque. Segundo ele, o sistema respeita a identidade visual do varejista e integra todo o ecossistema da Wake. Uma promoção pode valer só na loja física, só no e-commerce ou nos dois.
Na demonstração, o vendedor identifica o cliente e vê endereço, saldo de cashback, vales, audiências, pedidos anteriores e produtos deixados no carrinho do site. O PDV também exibe recomendações baseadas no histórico de compras. Quando o item não está na loja, o vendedor consulta o estoque em outras filiais e informa o prazo de entrega.
Na simulação de pagamento, o cliente usou saldo de cashback e vale-troca, dividiu o restante entre cartão de crédito e Pix com 5% de desconto e teve a nota fiscal emitida. O PDV também processou uma troca, com geração de vale-troca de R$ 195 e cobrança de R$ 183 de diferença.
Executivos ligam IA a dado correto e à busca por LLMs
Girelli disse que a Wake pretende usar IA para melhorar venda, operação e rentabilidade dos clientes, e citou como contraexemplo responder quanto a loja vendeu no dia.
Gil afirmou que as LLMs começam a funcionar como novos marketplaces e que a loja precisa ser encontrada por elas. Segundo ele, isso exige controle da experiência e uma única fonte de verdade sobre estoque, cliente e catálogo. Sem dado, disse o VP, “ela vai alucinar”.
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Imagens: Central do Varejo
