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Protheus passa a trazer no padrão o que o varejo customizava, e Armazém Paraíba mostra o caminho de volta

Rede nordestina que levava três meses para atualizar o ERP reduziu customizações, enquanto a TOTVS lança agente de IA e integra produtos da Linx

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A TOTVS vai incorporar ao padrão do Protheus funções que varejistas costumavam customizar por conta própria. O plano foi apresentado nesta terça-feira (13), no Universo TOTVS 2026, no Expo Center Norte, em São Paulo.

Segundo Márcio Sena, head de produto do Protheus Varejo, varejistas de diferentes subsegmentos precisavam de 5 mil a 6 mil horas de customização para colocar o ERP em operação.

O caso apresentado no painel foi o do Armazém Paraíba, rede de 68 anos que usa o Protheus desde 2009. Filipe Andson, CDO da varejista, contou como a empresa reduziu as customizações nos últimos anos.

Protheus customizado travava atualizações

Na implantação, o Armazém Paraíba adaptou o sistema aos processos internos. Segundo Andson, o nível de customização “desconfigurou completamente a ferramenta”.

“A cada atualização do sistema era um parto”, disse. Cada nova versão gerava cerca de quatro páginas de chamados e quase três meses de trabalho para corrigir falhas.

A empresa passou a reimplantar o sistema módulo a módulo, aproximando os próprios processos do padrão. “Será que eles estão errados no processo que eles estão propondo ou é a gente que está inventando muito?”, afirmou o executivo.

A frente de loja continua própria, com as versões venda web e venda mobile, mas os dados seguem o fluxo padrão do ERP. A próxima virada de versão da rede está marcada para 17 e 18 de outubro.

Andson citou particularidades do varejo brasileiro que o sistema precisa atender, como mais de 140 tabelas de preço e de juros, parcelamento em 12 vezes e pagamento com dois cartões.

O que entra no padrão do Protheus Varejo

Luciana Schirmer, coordenadora de portfólio do Protheus Varejo, afirmou que o Protheus nasceu na manufatura e não alcançava a profundidade exigida pelo varejo.

Segundo ela, um levantamento com clientes de vários subsegmentos mostrou as mesmas demandas em organização de portfólio, precificação, compra, abastecimento e transferência entre lojas.

A versão 2510 já traz árvore mercadológica com hierarquia por departamento, categoria e linha, além de atributos por categoria, como cor, voltagem e marca. A carga pode ser feita por planilha.

A versão 2610 inclui busca de produtos por texto livre, ainda em fase de pilotos, e múltiplos endereços de entrega. Segundo Sena, todos os clientes ouvidos pela equipe haviam customizado esse último item.

Também entram catálogo de autopeças por aplicação, gestão de sucata convertida em crédito e controle de lote por tonalidade e bitola, voltado a home centers.

Segundo Sena, a TOTVS concentra o roteiro em quatro subsegmentos, que são material de construção, autopeças, eletroeletrônicos e varejo generalista.

Agente de IA e integração com a Linx

Luciana apresentou o agente de IA para gestores de loja lançado no evento. Ele compara vendedores por faturamento, desconto, margem, devolução, tíquete médio e venda cruzada, e sugere planos de ação.

Para 2027, Luciana citou precificação por categoria com simulador de margem, cadastro de canais de venda com taxa de cada marketplace e agrupamento de lojas por região.

A integração com produtos da Linx, comprada pela TOTVS, inclui conciliação de Pix e cartões com IA até o fim do ano e o TEF da Linx no primeiro trimestre de 2027.

Frentes de loja da Linx para subsegmentos, como Storex e Autoshop, também devem ganhar integração nativa. “O Protheus é o grande ERP da TOTVS. Ele vai continuar sendo esse grande ERP”, disse Sena.

Lei do Bem vira meta de inovação

O Armazém Paraíba adotou a Lei do Bem em 2023 para obter benefício fiscal sobre gastos com inovação. Segundo Andson, todos os departamentos têm meta de horas dedicadas a projetos de inovação.

O cumprimento da meta e do valor de restituição definido para o ano gera premiação equivalente a um 14º salário aos funcionários.

“Mudou primeiro a cabeça por meio do bolso”, disse Andson. Segundo ele, a exigência de registro levou áreas sem histórico de métodos ágeis a adotar sprints e Scrum.

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Imagem:Victor Cortez – Central do Varejo

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