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Divino Amor usa dados de 104 lojas para negociar com fornecedores
Na palestra sobre gestão de lojas integradas, Priscila Piatti contou como cadastro de clientes, curva ABC e consultores passaram a orientar as 104 franquias
A rede Espaço Católico Divino Amor passou a usar os dados de vendas das 104 lojas para negociar com fornecedores. A CEO Priscila Piatti contou o caso nesta terça-feira (13), no Universo TOTVS 2026.
Segundo ela, um produto desenvolvido pela marca com um fornecedor já somou mais de R$ 1 milhão em vendas na rede. O número serviu de argumento para rever as condições de produção.
“Os dados vão te trazendo poder de negociação também com o fornecedor que está na outra ponta”, afirmou Priscila, no painel sobre gestão de lojas em operação integrada, no Expo Center Norte, em São Paulo.
Omnicalidade: Do caderno ao sistema integrado
A Divino Amor abriu a primeira loja em 2012, na garagem da casa da família, em Lucas do Rio Verde (MT), com R$ 600. A rede franqueia há sete anos e se apresenta como a primeira franquia católica do Brasil.
Até três anos atrás, o histórico de clientes ficava em um caderno. Priscila anotava preferências, cores, prateleiras visitadas e frequência de compra de cada consumidor.
“Praticamente, eu fazia um CRM do cliente em um caderno”, disse. Segundo a CEO, o modelo dependia de alguém abrir e ler o caderno e não gerava relatório.
A troca pelo sistema integrado da TOTVS ligou a matriz aos franqueados. A rede dividiu os 104 franqueados em carteiras, cada uma acompanhada por um consultor que analisa curva de produtos e itens parados.
Omnicanalidade começa pelo cadastro do cliente
Hoje, a primeira orientação ao colaborador é cadastrar o cliente que entra na loja. A partir dessa base, cada vendedor recebe uma agenda diária de contatos.
Segundo Priscila, a agenda evita que a loja aborde sempre o mesmo grupo de clientes em datas como o Natal. “Se torna exaustivo, tanto para o dono da loja quanto para o cliente”, afirmou.
Gillian Stuart, diretor de tecnologia da TOTVS, que conduziu a conversa, apresentou a mesma lógica no app do vendedor. A ferramenta distribui missões diárias ao vendedor, ligadas à base de CRM do varejista.
O executivo citou estudos segundo os quais o vendedor passa cerca de 30% do tempo atendendo clientes. Os outros 70%, segundo ele, ficam ociosos quando não há tarefa definida.

Fluxo físico em queda e cashback entre canais
Stuart afirmou que o fluxo de pessoas diante das lojas físicas cai 10% ao ano, indicador acompanhado na NRF, em Nova York. Por isso, segundo ele, o consumidor que entra na loja precisa ser cadastrado.
A plataforma de fidelidade Reshop permite usar no e-commerce o cashback gerado na loja e vice-versa. O executivo disse que a abertura do canal digital aumenta o fluxo na loja física.
A Divino Amor começou há pouco tempo no e-commerce. Priscila disse que o desafio é levar ao ambiente online a experiência da loja, já que o cliente digital permanece menos tempo com a marca.
Omnicalidade: Curva ABC e IA na decisão de compra
Para a CEO, o estoque é o ponto mais sensível da operação. “Ou tu compra demais e sobra, ou compra de menos e falta”, disse.
Antes do sistema, o franqueado repunha todo o mix de um fornecedor de uma vez. Agora, a rede separa os itens da curva A, B e C dentro do mesmo fornecedor antes da compra.
Stuart citou estudo segundo o qual cruzar a curva ABC com o prazo de entrega do fornecedor pode elevar a rentabilidade do varejista em 30%. “Comprar bem é melhor que vender bem”, afirmou.
O executivo também apresentou o assistente de IA do ERP, que responde por WhatsApp, sugere compras e cria promoções a partir de comandos. Segundo ele, o ERP Microvix foi adaptado ao padrão MCP para ser consultado por modelos de linguagem.
“Sempre quem vai pilotar o negócio é o dono do negócio. É ele que toma a decisão”, disse Stuart.
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Imagens: Central do Varejo
