Eventos
Laércio Cosentino trata IA como concorrente e propõe pensar a sucessão em um horizonte de 100 anos
Fundador da TOTVS afirmou no Universo TOTVS 2026 que, com vidas mais longas, o herdeiro pode ter 70 anos quando o negócio mudar de mãos
A sucessão empresarial precisa ser repensada para vidas que podem chegar a 100 anos, e a inteligência artificial deve ser tratada como mais um concorrente. A avaliação é de Laércio Cosentino, fundador e presidente do conselho de administração da TOTVS.
Cosentino fez a palestra “Sucessão, transição e equilíbrio na era da IA e da longevidade” nesta terça-feira (13), no Universo TOTVS 2026, no Expo Center Norte, em São Paulo.
Segundo ele, a vida ficou mais longa e a tecnologia ficou mais rápida ao mesmo tempo. “A transição passou a acontecer várias vezes ao longo da nossa existência”, afirmou.
IA como mais um concorrente
Para Cosentino, a discussão sobre se a IA vai transformar os negócios ficou para trás. “Já revolucionou”, disse, sobre a expectativa de que a tecnologia ainda vai mudar as empresas.
Ele comparou a chegada dos agentes de IA à entrada de um colega mais preparado em uma equipe. “Quando a gente começa a entender que a IA é mais um concorrente, eu acho que é o primeiro passo”, afirmou. “Eu não tenho que ter receio, eu tenho que me preparar.”
Segundo o fundador, os agentes organizam informação, redigem versões iniciais, identificam padrões e executam tarefas. Às pessoas cabe definir objetivos, verificar resultados e responder pelas decisões.
Cosentino também comentou o lançamento do Corten, apresentado na abertura do evento. Segundo ele, o nome vem do aço corten, que descreveu como praticamente indestrutível.
Sobre o debate de que a IA acabaria com o software de gestão, ele afirmou que o ERP “vai continuar existindo, mas ele não é mais o centro de tudo”.
Sucessão empresarial com filhos de 70 anos
Cosentino disse que a mudança no ritmo dos negócios passou de 50 anos para cerca de 5. Ao mesmo tempo, a expectativa de vida empurra a sucessão para mais tarde.
“Quando você for fazer o processo de sucessão, o seu filho vai estar com 70”, afirmou. Segundo ele, nesse cenário a sucessão pode pular uma geração e chegar aos netos.
O fundador da TOTVS, que também é cofundador do multi family office GHT4, citou estudo americano segundo o qual seria preciso poupar de 15% a 20% da renda para parar de trabalhar aos 60 e poucos anos.
Ele resumiu o equilíbrio em quatro pontos, que são poupar mais, continuar ativo, preservar a experiência e transmitir patrimônio. Para Cosentino, patrimônio inclui nome, marca e conhecimento, além de dinheiro.
Aprender e desaprender
Na passagem de bastão, o fundador defendeu que quem chega e quem sai precisam ouvir um ao outro. “A gente tem que aprender, mas a gente tem que desaprender”, disse.
Cosentino criticou o argumento da experiência como trunfo em uma discussão. Segundo ele, quando alguém diz “eu tenho mais experiência que você”, é “o começo do fim”.
Leia também:
- Gestão familiar no varejo: confiar demais custa caro
- TOTVS lança o Corten, sistema operacional de gestão
- Totvs anuncia aquisição da Linx por R$ 3 bilhões
Imagem: Divulgação / Universo TOTVS 2026
