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ABLOS e mais de 50 entidades alertam contra fim da “taxa das blusinhas”
A ABLOS (Associação Brasileira de Lojistas Satélites de Shoppings) e mais de 50 entidades representativas de trabalhadores e empresas divulgaram um manifesto conjunto em defesa da manutenção da tributação sobre produtos vendidos por plataformas estrangeiras de e-commerce. Segundo o documento, o fim da chamada “taxa das blusinhas” poderia gerar perda de até R$ 42 bilhões por ano para os cofres federais, além de impactos sobre empregos e investimentos no setor produtivo nacional.
O manifesto destaca que, após a implementação do imposto federal em 2024, o Brasil registrou o menor índice de desemprego de sua história, de 5,1% ao final de 2025, e recorde na massa salarial, que alcançou R$ 367 bilhões. O setor de comércio criou 860 mil novos empregos diretos entre 2023 e dezembro de 2025.
O documento também aponta que a tributação atual de cerca de 45% sobre as plataformas estrangeiras ainda corresponde à metade dos 90% incidentes sobre o varejo e a indústria nacionais. As entidades citam como referência mercados como Estados Unidos, União Europeia e Índia, que também encerraram isenções tributárias para plataformas globais de e-commerce.
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“Os avanços recentes na tributação das plataformas estrangeiras ajudaram a reduzir uma distorção histórica e contribuíram para que varejo e indústria voltassem a investir no Brasil. Ainda estamos longe de uma verdadeira isonomia tributária, já que as empresas nacionais seguem pagando muito mais impostos. Nos shoppings, o impacto dessa concorrência desigual é ainda mais evidente: o lojista de shopping depende do fluxo de consumidores e vem sofrendo com a migração de compras para plataformas internacionais que não enfrentam os mesmos custos. Acabar com a chamada ‘taxa das blusinhas’ seria um retrocesso para o país”, afirma Mauro Francis, presidente da ABLOS.
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