Economia
Com PIB menor, empresas precisam calcular retorno antes de expandir em 2027, diz consultor
Fazenda cortou a projeção de crescimento para 2% em 2026 e 2,3% em 2027, e a intenção de investir da indústria está no menor nível desde agosto de 2020
A Secretaria de Política Econômica (SPE) da Fazenda reduziu em 22 de setembro a projeção do PIB de 2,3% para 2% em 2026 e de 2,5% para 2,3% em 2027, citando os juros altos. O mercado é mais pessimista: a mediana do Boletim Focus de 5 de outubro é de 1,85% para 2026 e de 1,40% para 2027 e isto deve impactar a alavancagem operacional.
A intenção de investir da indústria caiu a 51,3 pontos em setembro, menor nível desde agosto de 2020, segundo a CNI. É a quarta queda seguida, e o índice segue acima de 50 pontos, que separam expansão de retração.
Alavancagem operacional pesa mais em cenário de crédito caro
Para Dema Oliveira, CEO e fundador da Goshen Land, consultoria de expansão de negócios, o erro mais comum é parar de investir por reflexo, o que pode travar recursos que dariam eficiência à empresa depois.
Segundo Oliveira, o planejamento de 2027 passa por três perguntas: quanto investir, em quanto tempo o investimento se paga e que risco aceitar.
Ele separa investir para faturar mais de investir para ganhar eficiência. Abrir unidade, contratar ou comprar equipamento amplia a operação, mas eleva despesas fixas e exige demanda que a sustente.
“Toda expansão aumenta a alavancagem operacional do negócio”, afirma. Quanto maior a parcela de custo fixo, mais a empresa depende do volume de vendas para não operar no vermelho. Antes de aprovar um projeto, diz, calcula ponto de equilíbrio, prazo de retorno e impacto no capital de giro.
Outra saída é fatiar o crescimento em etapas, com metas de desempenho e acompanhamento da demanda antes de liberar a rodada seguinte. Produtividade e melhor uso da estrutura existente ampliam a capacidade sem elevar custos na mesma proporção.
Para o consultor, PIB menor exige que cada expansão se apoie em números e prioridades claras.
A SPE destacou que o mercado de trabalho segue sustentando a demanda e que as concessões de crédito a empresas continuam crescendo.
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