Economia
Bain & Company projeta crescimento de 3,5% nas vendas do varejo dos EUA em 2026
As vendas do varejo nos Estados Unidos devem crescer 3,5% em 2026, alcançando US$ 5,3 trilhões, segundo o relatório 2026 Global Retail Sales Outlook, da Bain & Company. A projeção indica desaceleração em relação à estimativa de crescimento de 4,0% em 2025.
De acordo com o estudo, o avanço será sustentado principalmente por preços mais altos, enquanto o crescimento em volume tende a ser moderado. A inflação no país é projetada para se manter entre 2,6% e 3,0% ao longo do ano.
O relatório aponta que a evolução das vendas será influenciada por maior pressão sobre os consumidores e pela redução da confiança, em um cenário de incertezas econômicas, aumento do desemprego e desaceleração do crescimento da força de trabalho. O Índice de Saúde do Consumidor da Bain identificou queda no sentimento entre famílias de renda mais alta nos Estados Unidos, grupo responsável por mais da metade do consumo no país.
Com a migração dos consumidores para produtos de menor preço e marcas próprias, a Bain afirma que um movimento de “migração para valor” pode limitar o crescimento nominal das vendas. Por outro lado, fatores como redução de impostos, queda nos preços dos combustíveis e possíveis cortes nas taxas de juros podem contribuir para a recuperação do sentimento dos consumidores e do poder de compra, sustentando a projeção de crescimento.
No Reino Unido, a consultoria estima crescimento de 2% nas vendas do varejo em 2026. A inflação deve se estabilizar em torno de 2,5%, o que tende a resultar em crescimento de volume próximo de zero no segmento de alimentos e ligeiramente negativo nas categorias não alimentares. Pressões contínuas no custo de vida, taxas hipotecárias elevadas e um mercado de trabalho em gradual enfraquecimento seguem influenciando o comportamento do consumidor. Mesmo com cortes recentes nos juros e a possibilidade de novas reduções, a Bain avalia que o impacto sobre a renda disponível deve ser limitado antes de 2027.
Na Alemanha, a expectativa é de crescimento de 2,5% nas vendas do varejo em 2026, abaixo dos 3,6% estimados para 2025. A inflação deve permanecer próxima de 2,2%, favorecendo um crescimento moderado em volume. A confiança do consumidor segue fragilizada por preocupações com o custo de vida, maior propensão à poupança e aumento do desemprego. O relatório também destaca que a política de descontos, especialmente no setor de alimentos, pode restringir o crescimento nominal. Entre os fatores de compensação estão o crescimento salarial acima da inflação e o aumento dos gastos públicos em infraestrutura e defesa.
Na França, as vendas do varejo devem registrar crescimento próximo da estabilidade, com avanço estimado em 1,5% em 2026, ante 1,7% em 2025. A consultoria projeta crescimento de volume praticamente estável, com a inflação se normalizando entre 1,3% e 1,7%. O cenário inclui pressão sobre as finanças das famílias devido ao aumento do desemprego e às taxas hipotecárias elevadas. Em contrapartida, níveis mais altos de poupança e a redução da relação entre dívida e renda das famílias contribuem para sustentar o crescimento das vendas.
Imagem: Reprodução
Informações: Marianne Wilson para CSA
Tradução livre: Central do Varejo
