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“Conteúdo é o novo inglês”: Creator Economy muda a lógica das empresas

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Creator Economy

A economia dos criadores deixou de ser apenas uma tendência ligada ao marketing de influência e passou a se consolidar como uma nova lógica de crescimento para negócios. Essa foi a principal mensagem da palestra “Content Led Growth & Creator Economy”, apresentada por Fabio Duarte durante a programação do South Summit Brazil, em atividade realizada no Instituto Caldeira, em Porto Alegre.

Logo no início, Duarte apresentou um dado que ajuda a dimensionar a transformação em curso: cerca de 75% dos jovens dizem querer ser criadores de conteúdo, número semelhante ao dos Estados Unidos, onde, pela primeira vez, o sonho de ser criador superou o de profissões tradicionais como astronauta. Para o palestrante, esse movimento revela uma mudança estrutural no mercado. “O mundo está sendo dividido entre quem produz conteúdo e quem vai precisar produzir conteúdo”, afirmou.

Segundo Duarte, a chamada creator economy não deve ser vista apenas como um mercado de influenciadores, mas como a consolidação de uma nova linguagem universal dos negócios: o conteúdo. “Conteúdo é o novo inglês. No futuro, profissionais, marcas e empresas que não forem fluentes em conteúdo, tecnologia e inteligência artificial perderão competitividade”, destacou.

A lógica por trás dessa transformação está na economia da atenção. Em um cenário em que uma pessoa é impactada por milhares de marcas todos os dias, conquistar a atenção do consumidor se tornou mais valioso do que apenas adquirir clientes. “A atenção é o novo petróleo”, disse Duarte, defendendo que as empresas passem a investir menos apenas em CAC (Custo de Aquisição de Cliente) e mais no que chamou de “custo de conquistar a atenção”.

Outro ponto central da palestra foi a mudança no modelo tradicional de marketing e vendas. Em vez de investir grandes volumes de mídia para atrair clientes e apenas depois criar relacionamento, Duarte defende a lógica inversa: primeiro construir comunidade, depois vender. “Quando você tem comunidade, você não precisa convencer, você precisa apenas oferecer”, explicou.

Para ilustrar esse modelo, ele contou o case da FitDance, empresa criada a partir de uma comunidade de pessoas apaixonadas por dança. O projeto começou com produção de conteúdo e construção de comunidade e, posteriormente, expandiu para produtos, licenciamentos, roupas e programas de afiliados, até ser vendido para a SBF, grupo dono da Nike no Brasil. “Enquanto muitas empresas criam produtos e depois tentam construir comunidade, nós criamos comunidade primeiro e depois vendemos produtos”, afirmou.

Creator Economy

Duarte também destacou a velocidade como uma das principais características da economia criativa atual. Segundo ele, o mercado evolui tão rapidamente que empresas e profissionais precisam estar em constante atualização, especialmente em conteúdo e inteligência artificial. “Se você estuda conteúdo hoje e não se atualiza, em uma semana você já começa a ficar para trás”, disse.

A palestra também abordou a transformação das redes sociais em plataformas de consumo, e não apenas de socialização. Nesse contexto, o social commerce ganha força, com destaque para o crescimento acelerado do TikTok Shop e a integração cada vez maior entre conteúdo, entretenimento e vendas. “O shopping vai virar TikTok e o TikTok vai virar shopping”, resumiu.

Para o palestrante, o grande erro de muitas empresas ainda é tratar o conteúdo apenas como ferramenta de marketing, quando, na verdade, ele se tornou o próprio negócio. “Conteúdo não é acessório. Conteúdo é core business. Em muitos casos, o conteúdo virou o próprio produto”, afirmou.

Ao final, Duarte deixou uma provocação para empreendedores e profissionais: mais importante do que seguir tendências é entender a estrutura por trás delas. “Não é sobre produzir conteúdo. É sobre transformar conteúdo em negócio. Essa é a grande virada do mercado”, concluiu.

Quem é Fábio Duarte

Fabio Duarte é um empreendedor e estrategista brasileiro de conteúdo e comunidade, reconhecido por sua atuação na creator economy. Fundador da Community Creators Academy, apresentada pelo Instituto Caldeira como a maior universidade de creators do mundo, ele construiu sua trajetória unindo conteúdo, negócios e formação de audiência. Antes disso, ganhou projeção como um dos criadores da FitDance, plataforma que transformou a dança em comunidade, produto e licenciamento, além de também estar à frente da Agência California e de outros projetos voltados à economia criativa. Em entrevistas e perfis recentes, Duarte aparece como um dos nomes que ajudaram a consolidar no Brasil a visão de que conteúdo não é apenas ferramenta de comunicação, mas motor de crescimento, posicionamento e geração de receita para marcas, creators e empresas.

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